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Coronavírus

Reabertura em SP ocorre quando epidemia ainda está no pior momento

Número diário de mortes em abril ainda é 8 vezes maior que o de novembro e 3 vezes o de fevereiro

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São Paulo

Nas próximas duas semanas, o estado de São Paulo vai relaxar restrições a atividades e negócios que causam ajuntamento de pessoas. Esses limites parecem ter contribuído para desacelerar a disseminação da doença, mas a epidemia ainda está no pico, no pior momento desde que começou, com redução ligeira e recente no número de internados em UTIs e estabilização do número diário de mortes, na melhor das hipóteses.

Pelas informações públicas disponíveis, há indícios de que a epidemia parece perder um pouco de ímpeto em São Paulo.

O número de internados em UTIs caiu 7,1% na última semana, mais na Grande São Paulo (9,5%) do que no interior (3,8%). O número de doentes em terapia intensiva nesta sexta-feira (16 de abril), contudo, ainda era 2,1 vezes o de internados em fevereiro (aumento de 105%) e 3,9 vezes o de novembro de 2020. Dado o número de internados em estado grave, que dependem de terapia intensiva, a epidemia parece mais letal (o número relativo de mortos por internado é maior).

O número diário de mortes ainda não começou a cair, embora exista muito ruído nesses dados (pela variação excessiva dia a dia e por se tratarem de número de mortes notificadas, não ocorridas, em cada dia).

Anda pela casa de 797 pessoas no estado. A média diária de mortes de abril é 3,4 vezes a de fevereiro e 8,5 vezes a de novembro de 2020. Para ser mais preciso, em novembro morriam de Covid no estado 95 pessoas por dia. Em abril, quase 800. Nos esquecemos de quão maior tem sido o morticínio desde fins de março.

A vacinação ainda não avançou o bastante para contribuir de modo significativo para a redução do número geral de mortes. Até esta sexta-feira, 17,2% da população de 18 anos ou mais havia recebido a primeira dose da vacina no estado.

A segunda dose, apenas 8,1%. Mesmo na população de 70 anos ou mais, apenas cerca de um terço recebeu as duas doses (note-se que a população com menos de 77 anos só começou a ser vacinada em 15 de março. Ainda não houve tempo para que muitas dessas pessoas recebessem a segunda dose).

Ainda assim, a vacinação parece fazer efeito. Os mortos de 90 anos ou mais eram 5,6% do total de óbitos em fevereiro, quando começou a campanha geral de vacinação; agora são 2,2%. Os de 80 a 89 anos, eram 19,3% do total em fevereiro; agora, 12%.

Pelo cronograma federal de oferta de vacinas, as pessoas dos grupos de risco, cerca de metade da população adulta, devem todas ter tomado a primeira dose apenas em junho (na maior parte, o grupo de risco é composto de profissionais de saúde, idosos e pessoas com comorbidades).

O total de número de internados passou a desacelerar (crescer menos) a partir de 20 de março, como noticiado pela Folha. Começou a cair apenas no dia de 6 de abril. Baixa em ritmo lento. A segunda onda da epidemia foi explosiva, de evolução muito rápida. Ainda não há sinais de que seu controle possa ocorrer no mesmo ritmo: a subida para o pico da morte foi íngreme; a descida é suave.

O avanço da campanha de imunização pode vir a ser um fator de retardamento dos efeitos da epidemia, doenças graves e morte. Por ora, apenas contribuiu para estabilizar o número semanal de novas mortes entre as pessoas de 80 anos ou mais, o que é perceptível nas duas últimas semanas.

A “reabertura” não vai contribuir para desacelerar a epidemia, embora não seja certo que lhe dê impulso.

De resto, o fechamento de certas atividades pode perder eficácia sanitária ou também não contribuir de modo relevante para a contenção da epidemia _ainda menos, se considerados seus custos.

O problema é que a “reabertura” pode passar a impressão de que houve diminuição relevante de risco, se alguma. Em meados de abril, o risco de adoecer e morrer ainda é o maior desde o início da epidemia, a julgar pelo número de mortes e pela letalidade.

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