Descrição de chapéu Coronavírus

Nove bebês com síndrome respiratória esperam na fila por vagas de UTI em PE

Em alguns casos, conforme relatos de médicos, recém-nascidos chegam a aguardar até uma semana

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Recife

Nove bebês com síndrome respiratória aguda grave aguardavam na tarde desta quinta-feira (6) na fila para vagas de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no hospital Barão de Lucena, que é referência no atendimento pediátrico na rede pública estadual de Pernambuco.

As crianças estão internadas na área vermelha da emergência. Quatro delas estão intubadas e as outras cinco aguardam com VNI (ventilação não invasiva).

Faz duas semanas que os plantões estão sempre com bebês em lista de espera para UTI. Em alguns casos, conforme relato de médicos, os bebês chegam a aguardar até uma semana por uma vaga. A média de tempo de espera é de dois a três dias. Uma médica plantonista do hospital ouvida pela Folha disse que há recém-nascidos na fila.

Ela afirma que faltam máscaras e ventiladores para a demanda crescente de casos graves. A profissional comenta que, com a demora de transferência para UTI, o quadro das crianças se agrava ao evoluir para uma fadiga respiratória.

Boa parte dos pacientes vem do interior do estado. Sem lugar para ficar, algumas mães dormem na entrada do hospital.

O Barão de Lucena também tem problemas estruturais. Há goteiras na área vermelha da emergência e baldes precisam ser colocados no chão para evitar que a água se espalhe pelo local.

Nesta quinta-feira, na rede estadual de Pernambuco, havia 116 pacientes adultos com sintomas da Covid-19 esperando uma vaga de UTI.

O estado bateu recorde de confirmações da doença. Em 24 horas, foram registrados 3.074 novos casos. Desde o dia 26 de fevereiro, em Pernambuco, a taxa de ocupação de UTI para pessoas com sintomas da Covid-19 é igual ou superior a 90%.

Nesta quarta, de acordo com dados da secretaria, 97% das 1.657 vagas estavam ocupadas. Na rede privada, o índice é de 91%.

O órgão informou que é baixo o índice de resultados positivos de Covid-19 entre o público pediátrico e que essa população representa 1,6% dos casos graves provocados pelo coronavírus no estado.

A secretaria também disse que, entre março e junho, ocorrem as viroses comuns para este período do ano. O governo comunicou que os plantões da emergência pediátrica no Barão de Lucena foram reforçados em 75% para atender a demanda deste período.

Também ressaltou que, enquanto aguarda transferência para um leito de UTI, que é um processo dinâmico, o paciente conta com a devida assistência, com suporte ventilatório, quando necessário, e acompanhamento de equipe multiprofissional.

A direção do hospital disse que não há falta de kits para intubação nem de insumos e medicamentos. Sobre a denúncia da precariedade estrutural na área vermelha da unidade, o hospital informou que se trata de um gotejamento no sistema de refrigeração do setor provocado pela entrada de corrente de ar quente.

"Muitos casos são de baixa complexidade, ou seja, deveriam receber a assistência nas unidades sob gestão municipal. Contudo, não nega atendimento, acolhendo e dando o devido encaminhamento para cada caso", diz nota encaminhada pela Secretaria Estadual de Saúde.

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