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Doações de sangue no país caem 10% na pandemia, e estados buscam remanejamento de estoques

Saúde lança campanha para incentivar doação; expectativa é que demanda por sangue cresça com retomada de cirurgias eletivas

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Brasília

O volume de coletas para doações de sangue no país caiu cerca de 10% em meio a pandemia da Covid-19. Em 2019, o número de coletas de bolsas de sangue chegou a 3.271.824. Já em 2020, esse total caiu para 2.958.665.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (14) pelo Ministério da Saúde, em alusão à data que celebra a doação de sangue.

Segundo a diretora de atenção especializada e temática da pasta, Maira Botelho, em meio à queda, a rede de hemocentros manteve um plano de contingência para remanejar bolsas de sangue entre os estados.

Ao menos nove estados tiveram que solicitar esse remanejamento nos últimos meses devido a estoques em nível baixo ou crítico (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Piauí, Rondônia, Sergipe, Pernambuco e Amapá). Foram, pelo menos, 2.666 hemocomponentes remanejados.

Atualmente, o tempo médio entre a solicitação e a chegada do material é de até oito horas, intervalo que já considera o prazo entre estados mais distantes entre si.

Apesar da queda no volume de doações, situação que pode estar ligada à menor circulação de pessoas, Botelho diz que não houve registro de desabastecimento. Ela atribui a situação ao plano de contingência adotado em conjunto com os estados e a campanhas feitas no período para aumentar o volume de doações. Os dados atuais dos estoques não foram informados.

"Tivemos, durante a pandemia, uma redução de 10% de doações em todo o país. Em paralelo, tivemos reduções nas cirurgias eletivas, mas é preciso dizer que outras doenças e situações que precisam de sangue, nada disso parou", afirma a diretora.

Após anunciar os dados sobre o volume de coletas, o Ministério da Saúde lançou uma nova campanha para incentivar doações de sangue, com o mote "Doe sangue regularmente. Com a nossa união, a vida se completa".

O secretário de saúde do Distrito Federal, Osnei Okumoto, lembra que, nos últimos meses, cirurgias eletivas foram suspensas, o que ajudou a conter parte da demanda. "Mas, passado esse momento, vamos retomar as cirurgias eletivas, e vamos precisar ter estoques. E é importante que todos tenham consciência de que vamos precisar muito [de doações]", afirma.

Ele frisa que, em geral, os hemocentros têm trabalhado com agendamentos para facilitar as coletas em meio à pandemia e manter as recomendações de distanciamento.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que as doações demonstram a "solidariedade" dos brasileiros e fez um apelo por mais doações. "Vamos nos unir para manter nossos bancos de sangue com reservas suficientes", disse.

Recentemente, outras entidades também têm feito campanhas para incentivar a doação de sangue.

Segundo informações da Saúde, podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos (desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos) que estejam pesando mais de 50 kg. Para menores de 18 anos, é necessário o consentimento dos responsáveis. É preciso levar documento de identidade original, com foto recente, e é recomendado ligar no hemocentro ou ponto de coleta mais próximo para agendar horário.

Pessoas com febre, gripe ou resfriado, diarreia recente, grávidas e mulheres no pós-parto não podem doar temporariamente. Quem teve Covid-19 pode doar sangue depois de 30 dias de cura, mas há outras situações que impedem a doação. Veja mais informações aqui.

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