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Cortejo na praça Roosevelt inaugura memorial em homenagem a vítimas da Covid em SP

Foram instalados 38 mil cata-ventos no local; intervenção ficará até o Dia de Finados

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São Paulo

Um cortejo ecumênico ao redor da praça Roosevelt, no centro de São Paulo, homenageou na manhã desta quarta-feira (6) as quase 40 mil pessoas que morreram de Covid-19 na capital paulista.

Ao redor da praça, 38 mil cata-ventos confeccionados pela Escola de Samba Vai-Vai foram carregados, seguidos por familiares e amigos das vítimas da pandemia. Estiveram presentes diferentes grupos culturais e referências religiosas.

Ato de inauguração do Memorial da Despedida,  na Praça Roosevelt
Ato de inauguração do Memorial da Despedida, na Praça Roosevelt - Eduardo Knapp/Folhapress

Além de estar localizada na praça Roosevelt, a escola de samba também foi muito afetada pela pandemia. Spencer Oliva Berzenje, diretor da área do barracão da escola, relembra que muitas pessoas da Vai Vai morreram. "O cata-vento dá a dimensão do movimento da vida, além de trazer uma questão lúdica", analisa ele.

O evento estava marcado a princípio para o dia 3, domingo, mas foi adiado por causa da chuva no final de semana. A celebração desta quarta marcou a abertura do Memorial da Despedida. Ali ficarão expostos os 38 mil cata-ventos feitos ap artir de material reciclado. Cada um deles representa uma pessoa que morreu de Covid na cidade.

O memorial é também uma oportunidade para famílias se despedirem de seus entes em um ritual, uma vez que velórios e funerais foram restringidos em meio à pandemia. Entre os apoiadores do evento está o blog Morte sem Tabu, da Folha.

“Me lembrou os primeiros meses da pandemia, em que estávamos todos muito preocupados. É como se trouxesse todo esse sentimento de novo para não esquecermos que isso tudo não foi brincadeira”, afirma Marta Lilia Porta, presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro da Consolação.

Lilia Porta diz que perdeu diversos conhecidos em meio à pandemia. Também teve parentes que foram infectados pelo vírus e apresentaram um quadro grave.

“Foi tudo muito triste, e o pior é que não consegui me despedir de ninguém”, diz ela, para quem o memorial representa uma maneira de homenagear essas pessoas. “Foi uma forma de dizermos que os amamos muito e que não nos esqueceremos deles.”

Para a líder comunitária, foi uma lição foi aprendida em meio a tantas mortes. “Por mais que a tecnologia de ponta esteja brilhando, seguimos muito vulneráveis”, diz.

Além dos cata-ventos, os muros da praça ganharam uma intervenção das artistas Negana e Carol Carreiro, que pintaram mais de 1.000 metros do local.

Negana conta que trabalhou durante sete dias a fim de produzir uma espécie de abraço de corações pintados. Ao todo, foram desenhados mais de 60 mil corações. “Foi gratificante trazer, de alguma forma, um acalento para as famílias”, afirma a artista.

A ideia é que, aos finais de semana, as famílias que visitarem o espaço sejam recebidas por monitores que vão entregar fitas coloridas para que os nomes das vítimas sejam escritos. Depois, elas serão amarradas nos cata-ventos.

O memorial será encerrado no Dia de Finados. Ao final do evento, a população poderá levar para casa o cata-vento correspondente a uma pessoa que partiu.

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