DO UOL

O ex-zagueiro Diego Lugano foi apresentado nesta terça-feira (30) como superintendente relações institucionais do São Paulo. Na primeira entrevista na nova função, o ídolo são-paulino falou sobre os desafios na nova função, revelou que voltou a estudar português e citou duas inspirações: o espanhol Emílio Butrageño, que desempenha a mesma função no Real Madrid, e o ex-lateral Roberto Carlos, também ligado ao time espanhol.

"Estou muito orgulhoso e feliz pela oportunidade do São Paulo. Vou reiniciar minha vida dentro do futebol. É um passo transcendental. A exigência e confiança do São Paulo me alegram", disse o Lugano, que ressaltou a forte ligação com o clube tricolor.

"Essa ligação com o São Paulo acontece há 16 anos quando cheguei e tivemos um vínculo muito especial, além da bola, de ganhar ou perder, jogar bem ou mal. Compartilhamos valores, princípios, de como enxergar o futebol e a instituição como um todo, o que deveria oferecer ao torcedor e à sociedade, algo muito mais profundo, do que um simples resultado esportivo", completou.

De acordo com o São Paulo, Lugano será responsável por "por representar o time e seus princípios fora do clube e difundir seus valores internamente, principalmente com atuação no departamento de futebol".

"Lugano é uma figura que como poucas consegue traduzir os ideais de comprometimento, dedicação e respeito às nossas cores. Trata-se de uma figura de enorme representatividade para nossa história, com ótimo trânsito não só entre jogadores, mas também em federações e confederações e que tem um perfil complementar aos do Raí e do Ricardo Rocha", afirmou o presidente do clube, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.

"O Lugano terá atuação de destaque no departamento de futebol. Acompanhará sempre que possível a agenda da equipe, mas também poderá representar o clube em agendas institucionais, como eventos, campeonatos e ações sociais", complementou o presidente.

O uruguaio falou sobre os desafios no novo cargo. Para ele, o maior deles é unir a experiência como jogador com a visão institucional.

"São ações diárias pequenas no dia a dia para transmitir os exemplos. Cada dia é mais difícil gerir futebol. Cada jogador é uma empresa que movimenta muita gente interessada, que não estão dentro do clube, com valores de mercado para o mundo real totalmente exorbitantes. Esses atletas são muito novos. É uma missão quase impossível. Cada jogador com sua influência, boas e ruins, origens diferentes. Foi o que fizemos toda a vida: gerindo grupos no vestiário. Por isso é o diferencial dos ex-jogadores nessa função: a vivência de quase duas décadas. Isso não se estuda, nem se aprende. Isso se vive. Porém, temos muito para aprender, visualizar o macro institucional. Esse é o maior desafio. Unir experiência como jogador e agora a visão institucional", ressaltou.

O ex-jogador brincou ao falar sobre a comunicação com os atletas e outros dirigentes. Por isso, começou a estudar português. "Com tantos gringos aqui nos últimos anos, meu portunhol ficou mais forte. Vou ter de ter melhorar muito mesmo, não tem jeito", disse.

Lugano citou alguns exemplos para seguir nessa nova função. Além de lembrar alguns nomes que o inspiram, o uruguaio ressaltou a identificação deles com seus respectivos clubes.

"Vários jogadores fizeram isso. Roberto Carlos e Butragueño. São espelhos macros da função. Rivarola no Chile, Argentina, há outros. É área que se abre para ex-jogadores. Tem de ter identificação com clube. São Paulo tem sorte de ter identificação com jogadores desse jeito", ressaltou.

O último jogo de Lugano como jogador profissional foi disputado em dezembro passado, na última rodada do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, o zagueiro atuou 90 minutos no empate por 1 a 1 com o Bahia.

Lugano chegou ao São Paulo em 2003. A primeira passagem durou pouco mais de três anos e acabou marcada pelos títulos da Libertadores e do Mundial, em 2005, além do estadual daquela temporada. Em seguida, o uruguaio acertou com o Fenerbahçe, da Turquia, onde também brilhou.

O retorno ao São Paulo aconteceu no começo de 2016, depois de o jogador ter atuado no Cerro Porteño, do Paraguai. Aos 35 anos, porém, Lugano pouco entrou em campo. Em dois anos no clube tricolor, o atleta disputou 36 jogos, com dois gols marcados. No total, o zagueiro defendeu o São Paulo em 213 duelos.

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