Irregular, Corinthians recebe invicto Palmeiras pelo Paulista

Sob desconfiança, Carille enfrenta Roger, que vive período de prestígio no rival

Lance da partida entre Corinthians e Palmeiras, em Itaquera, pelo Campeonato Brasileiro de 2017
Lance da partida entre Corinthians e Palmeiras, em Itaquera, pelo Campeonato Brasileiro de 2017 - Rony Santos - 5.nov.2017/Folhapress
Alex Sabino Eduardo Geraque
São Paulo

O Corinthians venceu os três dérbis sobre o Palmeiras em 2017. Foi campeão paulista e brasileiro com Fabio Carille no comando. O Palmeiras, apesar dos investimentos em reforços, terminou a temporada de mãos abandando. Em 2018, a maré pode virar.

As duas equipes se encontram pela primeira vez no ano neste sábado (24), às 17h, no Itaquerão. Sob o comando de Roger Machado, o Palmeiras tem a melhor campanha do Estadual e está invicto. O

Corinthians não vence há três partidas e não consegue repetir o desempenho eficiente do ano passado. Mais do que isso, Carille, antes unanimidade, não é o homem de confiança do presidente Andrés Sanchez, segundo o que a Folha apurou. Entre os cinco candidatos a presidente do clube na eleição realizada no início do mês, Sanchez era o único que não via no técnico o homem ideal para dirigir a equipe.

Mas, com o Corinthians recém-saído de uma temporada em que havia conquistado o principal título do país, apesar dos limitados recursos, não havia como mexer na comissão técnica.

"É um jogo que pode mudar tudo, não tem jeito. No ano passado, a gente perdeu o Gabriel [expulso] e foi o jogo que mudou a nossa chavinha. A imprensa e o torcedor começaram a olhar diferente para o nosso time", constata o treinador corintiano.

Ele cita a vitória sobre o Palmeiras em fevereiro do ano passado, pelo Paulista. O Corinthians teve o volante expulso no segundo tempo e, mesmo com um jogador a menos, venceu por 1 a 0 no Itaquerão. Gol de Jô.

Em 2010, quando o então auxiliar assumiu o time pela primeira vez de forma interina, Sanchez chegou a dizer que não o conhecia. 

Foi um lapso de memória na época. Oito anos depois, tentando pacificar a política interna e com problemas financeiros no clube, ele deseja ver um técnico forte, que não lhe traga problemas ao longo da temporada. 

Diferente

Sem perder no ano, Roger vive lua de mel no Palmeiras. Desde a apresentação em novembro, e até hoje, no dia do seu primeiro clássico contra o Corinthians, ele tem agradado diretoria e jogadores. 

A leitura do presidente Maurício Galiotte, um dos primeiros avalistas da contratação, é de que Roger defende a filosofia de futebol moderno, jogando para frente, sempre com a bola no chão. 

Nos primeiros dois meses de trabalho foram 8 jogos, sendo 6 vitórias e 2 empates. A gestão dos jogadores, algo que Roger procura copiar de Tite, tem sido uma das preocupações do técnico. Até agora, também nesse quesito, o resultado tem sido positivo.

"Não existe cadeira cativa. Existe quem está titular no momento", gosta de repetir o técnico para estimular todos os jogadores do Palmeiras.

O treinador também procura, com base na lealdade com os atletas, exercer uma forte liderança no vestiário. O que tem contribuído para que jogadores como Borja, uma das grandes contratações da temporada passada, e antes criticado, jogue melhor e faça gols.

Se o ambiente é favorável ao treinador, jogos especiais, como o dérbi, vão ser testes decisivos para a reforçar ou não a harmonia do clube.

O clássico pode ser uma armadilha porque a pressão por perdê-lo vai existir mas, ao mesmo tempo, acontece em um torneio que não é a prioridade para as duas equipes. 

Na próxima semana, Corinthians e Palmeiras estreiam na Libertadores, a competição mais importante do ano. Na quarta (28), o Corinthians enfrenta o Millonarios (COL), em Bogotá. O Palmeiras visita o Junior de Barranquilla (COL) na quinta (1º).

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