Paris Saint-Germain tem teste de protagonismo na Europa

Com investimento recorde, time de Neymar enfrenta Real nas oitavas da Liga

Com rostos protegidos contra frio, jogadores do PSG, com Neymar no centro, treinam na véspera de partida contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões
Jogadores do PSG, com Neymar no centro, treinam na véspera de partida contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões - Lionel Bonaventure/AFP
Alex Sabino
São Paulo

O Paris Saint-Germain faz dois jogos por temporada: a ida e a volta das oitavas de final da Liga dos Campeões.

Entre as piadas feitas quando Neymar trocou o Barcelona pelo clube francês, em julho do ano passado, essa foi uma das mais maldosas. Mas tem um fundo de verdade.

Muito melhor que os outros times do Campeonato Francês, o PSG tem naufragado no sonho de conquistar a Europa. Foi para mudar isso que a QSI (Qatar Sports Investment), braço esportivo da família real do Qatar e dona do clube, pagou 222 milhões de euros (R$ 893 milhões em valores atuais) pelo brasileiro.

Neymar foi trazido para momentos como o desta quarta-feira (14), às 17h45, quando o PSG visita o Real Madrid em jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões, no Santiago Bernabéu.

Líder da liga nacional com 12 pontos de vantagem, o PSG faz o jogo de ida em Madri e a volta no Parque dos Príncipes, em Paris, em 6 de março. Se passar, ganha ares de favorito ao título. Seria o primeiro da história da equipe e a realização do projeto de dominação europeia da QSI.

O futebol francês tem apenas uma conquista do mais importante torneio europeu.

O Olympique de Marselha venceu em 1993, mas a vitória acabou manchada pelo escândalo de corrupção que o clube protagonizou no torneio nacional daquele ano.

Porém, os tempos são outros. Neymar foi contratado para levar o PSG ao topo e, ao mesmo tempo, chegar ao Everest do futebol mundial. Ele quer ser eleito o melhor do mundo. Se o título continental chegar, o sonho se tornará muito mais tangível.

Esse foi um dos argumentos apresentados ao jogador para convencê-lo a sair da segurança do Barcelona (e da sombra de Messi) e se converter no astro de um clube que, na questão de troféus, é uma força média na Europa.

O Real Madrid é tudo o que o PSG sonha ser. Maior ganhador da Liga dos Campeões (12 títulos), o clube espanhol venceu a taça nas últimas duas temporadas e tem Cristiano Ronaldo, atualmente o melhor do planeta.

Ainda assim, não poderia haver um momento melhor para enfrentar o Real. A equipe não conseguiu se acertar desde a vitória sobre a Juventus, na final do ano passado.

Ficou atrás do Tottenham na fase de grupos e está em quarto lugar no Campeonato Espanhol. O técnico Zinedine Zidane está sob pressão e o trio BBC (Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo) não atravessa uma boa fase.

Bale alterna jogos como titular e outros no banco e Zidane já teve de sair a público para defender Benzema e Ronaldo, que é o artilheiro do torneio, com nove gols, mas não tem apresentado o mesmo futebol dos últimos anos.

O Paris Saint-Germain terminou na liderança do Grupo B, com 15 pontos, deixando para trás o Bayern de Munique. Fez 25 gols em seis partidas e levou quatro.

Cristiano Ronaldo e Marcelo durante treino do Real Madrid, que enfrenta nesta quarta (14) o PSG pelas oitavas da Liga dos Campeões
Cristiano Ronaldo e Marcelo durante treino do Real Madrid, que enfrenta nesta quarta (14) o PSG pelas oitavas da Liga dos Campeões - Sergio Perez/Reuters

MERCADO

Outra piada comum entre jornalistas franceses na apresentação de Neymar no Parque dos Príncipes era quanto tempo levaria até que aparecessem especulações de que ele poderia ir para o Real Madrid. Cinco meses.

A má fase do clube espanhol e as polêmicas do atacante na França alimentaram os boatos do interesse.

Desde que se apresentou ao PSG, o brasileiro teve seu nome envolvido em conflitos com o uruguaio Cavani, com o técnico Unai Emery e seria o protagonista de privilégios que descontentam outros integrantes do elenco.

Em 2013, quando estava para sair do Santos, o Real Madrid ofereceu mais dinheiro que o Barcelona para contratá-lo, mas Neymar preferiu a Catalunha, onde atuaria com seu ídolo Messi.

Tirá-lo do PSG agora ou no futuro será um trabalho de convencimento. A legislação esportiva francesa proíbe a inclusão de multas rescisórias. Para Neymar deixar o clube antes do final do contrato, em 2022, o clube francês precisa concordar. E ele não está exatamente precisando de dinheiro no momento.

Ser eliminado pelo Real Madrid nas oitavas colocará ponto final precoce à temporada da equipe, pelo menos no título que realmente importa, e deixará em xeque o projeto de ser o melhor de todos. Tanto do PSG quanto de Neymar.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.