Polícia Militar do Rio diz que Rafaela Silva é injusta em acusação de racismo

Judoca foi abordada por policiais enquanto voltava para casa em táxi

Bruno Thadeu
São Paulo | UOL

A Polícia Militar do Rio de Janeiro negou ter agido de forma preconceituosa contra a judoca Rafaela Silva durante abordagem, na quinta-feira (22). Nas redes sociais, a atleta disse que PMs ordenaram que o táxi fosse parado assim que avistaram Rafaela dentro do veículo.

Segundo ela, o policial saiu da viatura e só retornou depois de perguntar ao taxista se ele a havia “pegado na favela”.

Em contato com o UOL Esporte, a assessoria de comunicação da PM-RJ diz que as declarações de Rafaela Silva foram “injustas” e “não ajudam o trabalho de combate à criminalidade”.

“As declarações da judoca Rafaela Silva de que teria sofrido constrangimento durante uma abordagem ao táxi em que viajava na quinta-feira à noite, na Avenida Brasil, são injustas e não ajudam o trabalho de combate à criminalidade”, informou a PM do Rio.

O Estado do Rio de Janeiro vive período de intervenção militar. As Forças Armadas e as polícias civil e militar realizam desde a madrugada desta sexta-feira (23) operações nas favelas Vila Kennedy, Vila Aliança e Coreia, na zona oeste da região metropolitana do Rio.

“A Polícia Militar intensificou o policiamento preventivo nos principais corredores viários da Região Metropolitana para reprimir roubos de veículos e carga, adotando critérios técnicos e legais para cumprir sua missão de servir e proteger a sociedade”, acrescentou a corporação.

A reportagem tentou falar por celular com a judoca na noite de quinta-feira e também na manhã desta sexta-feira, mas não conseguiu localizá-la.

RELATO

Campeã mundial de judô em 2013 e medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, Rafaela Silva relatou ter sido vítima de preconceito nesta quinta-feira (22), no Rio de Janeiro.

 

A judoca afirma que foi parada por um policial ao pedir um táxi no aeroporto.

"Na altura do campeonato, chegando ao Rio de Janeiro, tive que passar vergonha e descobrir que preto não pode andar de táxi agora. Passaram 4 policiais dentro do carro e ficaram encarando o táxi que eu estava dentro", começou a relatar em um vídeo publicado no Instagram.

"Eu continuei mexendo no celular, fingi que não era nem comigo. Daqui a pouco eles ligam a sirene e mandam o taxista encostar. Levaram o taxista pra um lado, e o outro rapaz bateu com a arma na janela e me chamou do outro lado. Isso com a avenida Brasil inteira olhando, achando que a polícia tinha capturado um bandido", prosseguiu.

"O cara olha pra minha cara e pergunta: 'trabalha com o quê?'. Falei que não trabalho, sou atleta. 'Tu é aquela da olimpíada, ? Mora onde?' Jacarepaguá, estou tentando chegar em casa. O taxista disse que me pegou no aeroporto", disse Rafaela.O

policial falou: 'ah , pode ir lá então, achei que tu tinha pego na favela (sic)'. Agora preto nem de táxi pode andar que deve estar assaltando, roubando"", concluiu a judoca.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.