Eleição no COB testa renovação após fim da era Nuzman

Processo eleitoral será o primeiro desde a implantação do novo estatuto da entidade

Comitê Olímpico do Brasil promoverá eleição para escolha de novo vice e integrantes dos Conselhos de Administração e Ética
Comitê Olímpico do Brasil promoverá eleição para escolha de novo vice e integrantes dos Conselhos de Administração e Ética - Rafael Bello/COB
Marcelo Laguna
São Paulo

O COB (Comitê Olímpico do Brasil) terá nesta sexta (23) o primeiro teste do que anuncia ser uma nova era. Já sob estatuto reformado após a renúncia de Carlos Arthur Nuzman, que deixou a presidência da entidade acusado de compra de votos na eleição do Rio para sede dos Jogos de 2016, o comitê escolherá um vice-presidente e definirá os integrantes dos conselhos de administração e de ética. 

O cargo de vice-presidente está vago desde que seu antigo ocupante, Paulo Wanderley Teixeira, assumiu o comando do COB, em outubro.

Há três candidatos na disputa: José Medalha, ex-técnico da seleção brasileira masculina de basquete na Olimpíada de Barcelona-1992; Marcel Souza, ex-ala da seleção de basquete entre 1974 e 1992; e Marco La Porta, presidente da CBTri (Confederação Brasileira de Triatlo). 

O pleito será na sede do COB, no Rio, a partir das 10h.

O Conselho de Administração terá um peso importante na nova política do comitê. Dos 15 integrantes, dez serão eleitos nesta sexta. Entre esses dez, oito serão presidentes de confederações.

Dos 13 dirigentes que pleiteiam uma vaga no conselho, 12 estavam no colégio eleitoral do COB na última eleição de Nuzman. Sem concorrente, ele recebeu apoio de 24 das 30 confederações. 

Entre eles também estão cartolas que longevos no cargo. O mais antigo é João Tomasini Schwertner, à frente da canoagem desde 1989.

“A inclusão dos presidentes das confederações foi uma decisão da Assembleia Geral. Eu nem tive opção de voto, mas não vejo como problema o tempo de permanência em uma entidade. Eu, por exemplo, fiquei quatro mandatos à frente da CBJ [Confederação Brasileira de Judô]”, disse Paulo Wanderley. 

As mudanças no COB foram implementadas após punição do COI (Comitê Olímpico Internacional), que suspendeu repasses para a entidade, e pressão de ex-atletas. 

“Espero que possamos ser um exemplo para outras entidades”, afirmou o atual presidente do COB. 

Governança vigiada

A criação do Conselho de Administração no novo estatuto é uma forma de reforçar as práticas de boa governança no COB. Foi uma das exigências do COI para retirar a suspensão imposta ao Brasil após as acusações a Nuzman. 

Além dos dez membros que serão escolhidos, o Conselho de Administração contará com a presença de Bernard Rajzman, ex-jogador de vôlei e membro brasileiro no COI,  e dos presidentes e vice-presidentes do COB e da Comissão de Atletas, que são Arthur Zanetti (ginástica) e Yane Marques (pentatlo moderno).

“Serão mais pessoas atentas para manter o COB dentro dos parâmetros da boa governança, assim como ocorrerá com o novo Conselho de Ética”, disse Teixeira.

Segundo ele, as reuniões dos conselhos ocorrerão bimestralmente e os integrantes não serão remunerados —o único custo para o COB serão as passagens aéreas e diárias de hotel, se for o caso.

Presidente da ONG Sou do Esporte, que participou de sugestões para o novo estatuto do COB, Fabiana Bentes elogia a eleição, mas lembra que é preciso uma renovação mais profunda.

“Não será a oxigenação como gostaríamos, pois alguns cargos serão ocupados por dirigentes que não deveriam estar ali. Mas trata-se de um avanço para o esporte”, diz. 

Para ela, quem não tiver conhecimento em boa administração esportiva pode se complicar. “Não se trata apenas de aprovar contas. Aquele que não estiver preparado sobre como funciona o Conselho de Administração, dará um tiro no pé.”

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