Descrição de chapéu campeonato paulista Futebol

Entre greve e atraso de salário, Portuguesa vê risco de 5ª queda

Equipe tem atuado sem técnico no banco desde a saída de Guilherme

Alberto Nogueira
São Paulo

Há tempos a expressão à beira do precipício não soa como novidade quando ligada à Portuguesa. Vivendo caos financeiro e técnico, a equipe está próxima de entrar na zona de rebaixamento da Série A2 do Paulista.

Com apenas sete pontos após nove jogos disputados na competição, a equipe é a 14ª colocada e pode terminar a décima rodada na zona de descenso se não vencer o Taubaté no domingo (4), às 10h, no Canindé –dependendo de outros resultados.

A equipe se aproxima do que seria seu quinto rebaixamento em menos de cinco anos. A história de declínio começou em 2013, após ser rebaixada para a Série B do Campeonato Brasileiro depois de punida com a perda de quatro pontos pela escalação irregular do meia Héverton na última rodada.

A desordem atual ficou evidente após a derrota para o Oeste por 3 a 0, em casa, pela quinta rodada do Estadual, em 30 de janeiro.

Na sexta-feira, 2 de fevereiro, jogadores se reuniram antes do treino da tarde e decidiram entrar em greve, alegando atraso nos salários.

Cheques pré-datados de um parceiro da diretoria, com vencimento para o dia 30 de janeiro, entregues aos atletas, voltaram. A informação foi confirmada à reportagem pelo presidente do clube, Alexandre de Barros, que alegou ter recorrido a um antigo colaborador para quitar as pendências com o elenco.

No entanto, Barros afirma que a paralisação não aconteceu. Segundo ele, os jogadores estavam insatisfeitos com o cancelamento de duas folgas após a derrota.

O treinador Allan Aal, durante treino da Portuguesa, no CT do clube, na zona leste de São Paulo
O técnico Allan Aal, durante treino da Portuguesa, no CT do clube, na zona leste de São Paulo - Folhapress

“Muitos jogadores programaram viagens, compraram passagens para ver a família. O Guilherme [ex-técnico] mudou a programação com a derrota para o Oeste, e muitos não aceitaram isso.”

A versão dada pelo presidente foi contestada pelo ex-treinador do time Guilherme Alves —fora do clube desde o dia 6 de fevereiro.

“Os jogadores se reuniram e decidiram não treinar por causa de salários atrasados. Não teve nada de queixa por causa de folga cancelada.”

Guilherme, que estava na Portuguesa desde o final de novembro do ano passado, alega ter recebido apenas pagamento referente aos dias trabalhados naquele mês.

À Folha, fontes de dentro do clube disseram que a greve fora motivada pelo atraso nos vencimentos. A reportagem também teve acesso a áudio do presidente pedindo o retorno dos atletas aos trabalhos no sábado, 3 de fevereiro, pois o pagamento seria feito na terça, dia 6 –e foi.

Até a tarde desta sexta (2), o contrato de Guilherme com a Portuguesa ainda não havia sido rescindido, o que impede o novo treinador, Allan Aal, de ficar no banco.

O atacante William Batoré, que rescindiu com o clube após disputar quatro partidas na temporada, também desmentiu a versão de Barros.

“Não teve nada a ver com o treinador. Jogadores que já estavam no clube não haviam recebido [salário de] dezembro e 13º, e os novos não haviam recebido janeiro.”

Procurado, o Sindicato dos Atletas de SP afirma saber da paralisação. No entanto, diz que os jogadores receberam os valores devidos.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.