Médico da CBF defende cirurgia para lesão de Neymar em estudo

Rodrigo Lasmar participou das negociações que levaram o PSG a concordar com a operação

O médico da seleção brasileira de futebol, Rodrigo Lasmar, coloca a mão no queixo durante entrevista coletiva
O médico da seleção brasileira de futebol, Rodrigo Lasmar - Lucas Figueiredo/MowaPress
Edoardo Ghirotto
São Paulo

Escolhido para tratar Neymar, o médico da seleção, Rodrigo Lasmar, defendeu em um estudo publicado em 2008 na revista da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé que a cirurgia é a alternativa mais eficaz para jogadores com a lesão do atacante do Paris Saint-Germain.

Neymar escolheu realizar a cirurgia depois de conversar com membros do seu estafe. O PSG relutava em autorizar o atleta a fazer o procedimento. Uma cláusula no contrato dá à equipe francesa a decisão final sobre tratamentos médicos que o atacante fizer durante o período de vigência do acordo, até 2022.

Assim que a notícia sobre o desejo de Neymar foi publicada, Lasmar deixou a cidade russa de Sochi, onde participava de um evento da Fifa, e se dirigiu a Paris para auxiliar e participar das negociações com os médicos franceses. A decisão de que o atleta será operado foi divulgada pelo PSG na tarde de quarta (28).

Há dez anos, com outros cinco médicos, Lasmar analisou casos de sete jogadores que tiveram fraturas no quinto metatarso. Os nomes dos atletas não são revelados. 

A cirurgia foi recomendada aos atletas que sofreram fraturas de Jones, geralmente provocadas por um passo em falso com a borda lateral do pé. Foi assim que Neymar se machucou no jogo contra o Olympique de Marseille.

No caso de Neymar, os médicos usam o termo fissura por se tratar de uma fratura incompleta (ou parcial).

No estudo, os médicos dizem que a cirurgia de implantação de um parafuso —osteossíntese— deve ser adotada por atletas de elite por determinar boa estabilização mecânica e baixo índice de refratura ou pseudoartrose.

A pseudoartrose se dá quando não há cicatrização completa da fissura. Se optasse pelo tratamento conservador e apresentasse o problema após o período de recuperação, Neymar teria de ser submetido a uma cirurgia e poderia perder a Copa.

Segundo o artigo, dois atletas que não operaram tiveram refraturas quando já estavam jogando há três semanas.

Os médicos dizem que a imobilização só é aceitável em pacientes sedentários e em atletas amadores. 

Os jogadores que fizeram a cirurgia levaram entre dez a 20 semanas para voltar a jogar futebol. O prazo para a recuperação de Neymar é de ao menos oito semanas. 

O ortopedista Otaviano de Oliveira Júnior, que também assina o artigo, afirma sustentar as conclusões dez anos após o estudo. Ele se negou a comentar o caso de Neymar por não ter acesso aos exames.

O atacante Neymar leva aos mãos ao rosto e chora no gramado depois de fraturar o quinto metatarso do pé direito
O atacante Neymar chora no gramado depois de fraturar o quinto metatarso do pé direito - Geoffroy van der Hasselt/AFP

PRODÍGIO

A Folha tentou entrar em contato com Lasmar desde o final da tarde de terça-feira (27), mas não obteve retorno. 

Ele é filho de Neylor Pace Lasmar, médico da seleção nas Copas de 1982 e 1986. Neylor encaminhou Zico para os EUA e aconselhou o corpo médico que o tratou de uma grave lesão antes da Copa de 1986. 

 Rodrigo Lasmar chegou à seleção em 2001, aos 29 anos, por indicação do então técnico Emerson Leão. O médico já trabalhava no Atlético-MG naquela época. 

“Eu tenho uma amizade e uma gratidão muito grande com o Neylor. Ver [o Rodrigo] na seleção foi um pedido e um sonho do pai”, afirmou Leão.

A sugestão do treinador foi aceita por José Luiz Runco, ex-chefe do departamento médico da seleção. Ele estava à procura de um nome para substituir Joaquim Grava, que havia deixado a equipe. "Sentíamos nele um potencial para dar sequência ao trabalho", afirmou.

Runco recorda que o médico foi importante logo em sua primeira Copa, em 2002. Coube a Lasmar a tarefa de acalmar os jogadores após o corte do capitão Emerson. O volante se machucou em um treino recreativo na véspera da estreia da seleção, contra a Turquia.

Lasmar também participou dos Mundiais de 2006 e 2014, mas não foi convocado para a edição de 2010, na África do Sul. Em entrevista ao jornal O Tempo, em 2014, o médico afirmou que sua ausência foi uma opção da comissão técnica de Dunga, que quis levar um ortopedista a mais para o torneio.

HISTÓRICO

O caso mais recente envolvendo fratura no quinto metatarso é o de Gabriel Jesus, atacante da seleção e do Manchester City. O jogador se machucou durante um duelo disputado no dia 13 de fevereiro de 2017. Operado, ele voltou a campo dois meses e meio depois, em 27 de abril.

Em 2016, o atacante Richarlison fraturou o quinto metatarso do pé esquerdo em 30 de janeiro, durante a pré-temporada do Fluminense. Quando já estava treinando, no dia 13 de março, sofreu um edema ósseo no mesmo pé e só pôde disputar um jogo em 12 de maio. 

Em 2013, o atacante Paolo Guerrero, então no Corinthians, passou pelo procedimento cirúrgico depois de fraturar o quinto metatarso do pé esquerdo. Ele foi operado no fim de outubro e só voltou a jogar em 2014.

No dia 12 de maio de 2009, o lateral Triguinho foi diagnosticado com uma fratura por estresse no quinto metatarso do pé direito. O Santos optou pelo tratamento conservador, mas a evolução não foi satisfatória. Em 16 de junho, ele foi submetido a uma cirurgia e retornou aos treinos apenas no fim de julho.

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