Rio 2016 abre mão de acervo e desiste de museu da Olimpíada

Sem recursos, COB pede ajuda ao COI para armazenar documentos do evento

Comitê Olímpico do Brasil não sabe o que fazer com o acervo técnico da Olimpíada Rio-2016
Comitê Olímpico do Brasil não sabe o que fazer com as 5.500 peças do acervo técnico da Olimpíada Rio-2016 - Rafael Bello/COB/Divulgação
Italo Nogueira
Rio de Janeiro

O COB (Comitê Olímpico do Brasil) pediu auxílio ao COI (Comitê Olímpico Internacional) para encontrar um destino para todo o acervo técnico da Olimpíada de 2016. Fazem parte do material documentos sobre atletas, projetos de instalações, manuais de operação dos Jogos e inúmeros arquivos digitais.

Não são, em sua maioria, peças de exibição, como tochas e medalhas. Mas fazem parte da memória de planejamento dos Jogos, além de importantes para a troca de experiências e manutenção de um arquivo sobre como o evento foi organizado.

Em razão do corte de gastos, a entidade também desistiu de construir um museu dedicado à memória da Rio-2016, como anunciado em 2015. O prédio, que abrigaria também a nova sede do COB, ficaria na ilha Pombeba, ao lado do Parque Olímpico.

As duas medidas são consequência do corte de custos do COB após a saída de Carlos Arthur Nuzman, réu em processo sobre compra de votos do COI para a escolha do Rio como sede da Olimpíada.

Desde o início da sua gestão, o novo comandante do comitê, Paulo Wanderley, vem tentando se afastar da gestão da Rio-2016. Abriu mão da presidência da entidade e articulou mudança no estatuto para retirar a obrigatoriedade de assumir o cargo.

Estão sem destino HDs e documentos impressos com planos operacionais, apresentações, relatórios, fotografias, áudios, vídeos tanto dos Jogos como da candidatura.

O COB vai manter em seu acervo peças de memória dos Jogos Olímpico, como tochas, medalhas e produtos licenciados. Atualmente há cerca de 5.500 peças na sede da entidade para cadastro. 

Exposição temporária

A intenção é fazer exposições temporárias, como a feita no Jogos Escolares da Juventude, no ano passado. Há ainda a possibilidade de expor uma pequena parte dos itens no Parque Aquático Maria Lenk, para onde o COB vai transferir sua sede —o edifício na avenida das Américas, na Barra, será desocupado, também para corte de custos.

O COB disse, em nota, que não tem recursos para administrar o acervo técnico.

“A partir de 11 de outubro [quando Nuzman se afastou da presidência do COB], em função da nova política de investimentos do COB, com prioridade total para o treinamento e preparação de atletas e equipes, o COB enviou carta ao COI informando não dispor de orçamento para gerir e administrar os documentos e materiais relativos aos Jogos Olímpicos Rio-2016”, disse a entidade.

Declarou também que os comitês britânicos e russos também não ficaram responsáveis pela memória dos Jogos de Londres-2012 e Sochi-2014. Ambos entregaram os documentos para arquivos públicos de seus países.

O comitê afirmou ainda que a medida não é uma tentativa de se dissociar da imagem de Nuzman.

O COI disse, em nota, que espera definir uma entidade responsável para abrigar as informações da Rio-2016 até janeiro de 2019.

Desde o fim da Olimpíada, o comitê organizador dos Jogos têm encontrado extrema dificuldade em encerrar suas atividades.

A entidade acumula uma dívida que chegou a mais de R$ 200 milhões. 

Uma eventual ajuda do COI foi descartada após investigações das Procuradorias brasileira e francesas acusarem Nuzman de participar de esquema de pagamento de  US$ 2 milhões em propina ao senegalês Lamine Diack, ex-presidente da Iaaf (Associação das Federações Internacionais de Atletismo) por votos para a Rio-2016.

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