São Paulo joga por um empate para inverter papel com rival Corinthians

Equipe venceu o time alvinegro por 1 a 0 na primeira partida da semifinal do Campeonato Paulista

Alex Sabino Diego Garcia
São Paulo
O São Paulo, que parece viver uma crise após a outra desde o ano passado, teve um domingo (25) de redenção. 

O time que não havia vencido nenhum dos clássicos em 2018, o único dos grandes que demitiu um técnico e que em 2017 correu risco de rebaixamento no Brasileiro, está a 90 minutos da final do Campeonato Paulista

No primeiro clássico do técnico Diego Aguirre no comando, a equipe ganhou do Corinthians por 1 a 0 no Morumbi, pela primeira partida semifinal do Estadual, e agora depende de um empate para chegar à decisão. 

No jogo de volta, na quarta-feira (28), no Itaquerão, se o empate classificar o São Paulo, o Corinthians precisará vencer por dois gols de diferença. Se ganhar pela vantagem mínima, a vaga será decidida nos pênaltis. 

É uma corrida do São Paulo para quebrar tabus. Os 12 anos sem título estadual é o maior jejum atual entre os grandes. São 17 anos sem eliminar o Corinthians em uma fase eliminatória. A última vez que isso aconteceu foi em junho de 2000, em outra semifinal de Paulista.

Uma escrita foi quebrada neste domingo. Em uma partida de mata-mata, o São Paulo não vencia uma partida do rival desde a semifinal da Copa do Brasil de 2002. Mas acabou eliminado. Desde então, foram 11 jogos, com 8 vitórias corintianas e 3 empates. 

Foi a mais importante vitória do São Paulo na temporada e dará fôlego para Diego Aguirre em caso de classificação. O uruguaio foi contratado em março para a vaga de Dorival Júnior, que não conseguiu fazer a equipe engrenar, apesar das contratações de jogadores experientes e caros, como Diego Souza e Nenê, autor do gol neste domingo, aos 46 minutos do 1º tempo.

O resultado deste domingo desobriga o São Paulo de buscar algo que jamais conseguiu no Itaquerão: uma vitória. Desde que o estádio corintiano foi inaugurado, em 2013, foram cinco vitórias dos donos da casa e dois empates.

"O jogo vai ser mais intenso lá [no Itaquerão] do que foi hoje [domingo]. Teremos de jogar mais", afirmou o volante são-paulino Petros.

"Intenso" é uma palavra que serve para valorizar o que foi partida tecnicamente ruim. Não que o São Paulo, que havia perdido para Corinthians, Palmeiras e Santos na primeira fase, vá se importar com isso.

Se repetir esse tipo de jogo pelos próximos três jogos, poderá ser campeão paulista, o que seria uma conquista valiosa para o elenco, Aguirre e o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, mais criticado do que elogiado desde que foi reeleito, em abril do ano passado. 

"A semi está aberta. Não é porque perdemos agora que muda tanta coisa assim", afirma Maycon, apoiado no retrospecto recente do clássico no Itaquerão e na possibilidade de Carille contar com reforços.

Porque o São Paulo começou a ganhar a partida deste domingo mesmo antes de a bola começar a rolar. 

No aquecimento, Rodriguinho sentiu uma lesão na coxa esquerda. Ele será avaliado nesta segunda (26) para saber se terá condições de participar do segundo jogo da semifinal. 

Foi um destaque lamentado pela equipe. Primeiro porque Rodriguinho é o melhor jogador do Corinthians em 2018 e não havia como substituí-lo. Jadson seria uma opção, mas ele também tem contusão na coxa direita. 

Carille também não contou com Fagner (com a seleção brasileira que enfrenta a Alemanha nesta terça), Romero e Balbuena (que estão com o Paraguai que joga contra os EUA no mesmo dia).

Sem os dois meias, o time ficou sem criação no meio-campo porque o papel de peça mais centralizada na armação era demais para o garoto Mateus Vital, 19, por mais que ele tenha se esforçado para cumprir a função. Emerson Sheik, que tentou usar a velocidade e Junior Dutra aberto pela direita não conseguiram ajudá-lo.

Embora não seja o torneio mais valioso do ano para o clube, Carille sabe o papel que o título paulista teria para o seu elenco, especialmente para atletas jovens, como Vital, Mantuan, Pedrinho ou para os que chegaram nos últimos meses, como Júnior Dutra, Sidcley e Henrique.

Sem Libertadores, o Estadual é bem mais importante para o São Paulo, que não ganha nenhum troféu desde a Copa Sul-Americana de 2012. 

Também seria, claro, bom cartão de visitas para os reforços do clube do Morumbi em 2018. E dois deles decidiram a partida deste domingo. 

Nenê fez o gol em uma jogada criada por Tréllez, o melhor em campo. Ao buscar o jogo no meio-campo, disputar as bolas pelo alto ou como atacante na área, ele incomodou a defesa corintiana e foi peça fundamental no esquema de pressão na saída de bola do adversário.

"Às vezes, em time grande a gente não tem tempo, precisa de um resultado imediato. Acho que estou crescendo. É normal, cheguei aqui há pouco tempo", afirmou Nenê.

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