Ao tentar ser grande, Brasil encara dono do Mundial de tênis de mesa

Seleção masculina disputa o Campeonato Mundial por equipes em Halmstad, na Suécia

Guilherme Costa
Halmstad

Quero ser grande é o lema da seleção masculina de tênis de mesa que disputa o Campeonato Mundial por equipes da modalidade, em Halmstad, na Suécia. 

O problema é que no caminho para tentar crescer, a equipe encara o maior de todos no torneio: a seleção chinesa, tricampeão olímpica e vencedora das últimas oito edições do Mundial, nesta segunda (30), às 14h. 

Hugo Calderano revelação do Tênis de mesa brasileiro
Hugo Calderano revelação do Tênis de mesa brasileiro - Douglas Pingituro/ Folhapress

Com Hugo Calderano, 21 anos e 12º do ranking mundial individual, Gustavo Tsuboi, 32, veterano de três Olimpíadas, Eric Jouti, 24, e Vitor Ishiy,22, que estão respectivamente em 98º e 126º no ranking. 

Neste domingo (29), a equipe nacional bateu a República Tcheca por 3 a 1, na esteia do torneio. Com as melhores credenciais de uma equipe brasileira nos últimos 50 anos, o quarteto está em décimo lugar no ranking internacional do esporte. 

No Mundial, os 24 times da primeira divisão estão divididos em quatro grupos de seis, com os três melhores avançando para a fase seguinte. O campeão poderá fazer até oito confrontos. 

“Evoluímos muito nos últimos anos. Nossa equipe é a terceira melhor ranqueada do grupo, com três top 100. Agora temos mais chances de avançar de fase. Contra a China, é claro que a gente sabe que é muito difícil vencer, mas temos que aproveitar esse duelo para mostrar que podemos jogar de igual para igual ”, afirmou Hugo Calderano, primeiro brasileiro a chegar na 12ª colocação no ranking mundial do esporte.

A China venceu 20 dos 56 títulos mundiais disputados desde 1926. Conta com o atual campeão olímpico e mundial, Ma Long, além de outros três atletas no top 5 do ranking: Fan Zhengdong (líder), Xu Xin (quarto) e Gaoyuan Lin (quinto). 

“Somos campeões mundiais e olímpicos, mas todos os adversários são complicados. Vamos jogar com o Brasil, que tem jogadores muito bons, é sempre importante jogar com atenção”, afirmou Ma Long.

A China também é favorita no torneio feminino. As atletas do país venceram 11 dos últimos 12 Mundiais.

A única derrota veio em 2010 para Cingapura. A seleção campeã tinha três chinesas naturalizadas cingapurianas.

Chineses competindo por outros países é algo comum no tênis de mesa. Sem chance na concorrida equipe local, jogadores costumam migrar para outras seleções

No Mundial deste ano, além dos oito atletas do país asiático que defendem as equipes masculinas e femininas, 17 se naturalizaram e disputam o torneio por outras seleções.

A equipe brasileira feminina é uma delas. Gui Lin, 24, deixou à China em 2006, quando tinha 12 anos, para morar no Brasil e está no time nacional que disputa o torneio na Suécia.

A primeira divisão da competição internacional conta com 24 equipes, mas, ao todo, 72 seleções estão no evento, já que são disputadas simultaneamente as séries A, B e C. O confronto entre os países é em melhor de cinco jogos, levando a melhor a seleção que triunfar em três partidas.

O melhor resultado da história do Brasil é o sexto lugar em 1959, quando o torneio tinha apenas 16 participantes. 

Nas últimas edições, o time tem tido dificuldades de se manter na primeira divisão, tanto que, há dois anos, no Mundial de Tóquio, jogou a segunda divisão, ficando com o vice-campeonato.

Se o masculino vai para brigar por um lugar entre os 12 melhores, o feminino está um pouco abaixo.

Capitaneado por Hugo Hoyama, ex-jogador que esteve presente em seis Jogos Olímpicos e conquistou dez ouros em Jogos Pan-Americanos, a equipe contará com Bruna Takahashi, Gui Lin, Jessica Yamada e Caroline Kumahara. 

Neste domingo, a equipe sofreu duas derrotas. Perdeu para a Alemanha, atual vice-campeã olímpica, e Hong Kong, um dos países mais tradicionais no esporte.

“Caímos em uma chave complicada, mas das cinco equipes, Coreia e Hong Kong são de um nível superior.

É jogar ponto a ponto, se concentrar, para poder aproveitar todas as chances. São equipes que é possível para jogar de igual para igual. Vamos lutar por um bom resultado”, afirmou Hugo Hoyama.

Sem transmissão na televisão brasileira, a competição pode ser acompanhado no site oficial da Federação Internacional de Tênis de Mesa (www.ittf.com).
 

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