Corinthians tem o dobro de títulos do Palmeiras durante era Crefisa

Entre 2015 e 2018, equipe alvinegra investiu apenas 43% do valor gasto pelo rival em reforços

Alex Sabino Luiz Cosenzo
São Paulo

Desde janeiro de 2015, quando foi anunciada como patrocinadora do Palmeiras, a Crefisa investiu R$ 222 milhões em contratações de jogadores para a equipe. 

É um projeto de poder de Leila Pereira, presidente da empresa, mas também serviu para, associado às rendas do Allianz Parque, inaugurado em 2014, elevar o patamar financeiro do clube.

Entretanto, apesar da desvantagem financeira, nos últimos três anos e três meses o Corinthians venceu o dobro de títulos que o rival alviverde neste período. 

O título paulista deste domingo (8) foi o quarto da equipe desde o início da era Crefisa no rival. Venceu também os brasileiros de 2015 e 2017 e o Paulista de 2017. 

No mesmo período, o Palmeiras foi campeão da Copa do Brasil de 2015 e do Brasileiro do ano seguinte.
Entre 2015 e 2018, o Corinthians investiu cerca de R$ 95 milhões em reforços, cifra que corresponde a 43% do  gasto pela equipe alviverde.

O presidente corintiano, Andrés Sanchez, diz que “futebol não se faz sem dinheiro” e que gostaria de ter “uma Crefisa” patrocinando o clube, mas contemporiza a importância da disparidade financeira entre os times.

“A diferença é que clube não é empresa. Clube é clube”, afirma, insinuando que —como os números mostram— no futebol o dinheiro não compra conquistas.

Para completar a satisfação corintiana, o título deste domingo foi conquistado na casa do rival.
Nenhum de seus torcedores, no entanto, viu a partida no estádio, já que a  presença de torcida visitante está vetada em clássicos paulistas desde abril de 2016.

CONTRATAÇÕES

Este ano foi o de menor investimento da Crefisa no Palmeiras, já que a base do elenco de 2017 foi mantida 

Mesmo assim, a imagem do clube ficou associada à riqueza, e o Palmeiras trouxe dois dos jogadores mais cobiçados para 2018: Lucas Lima e Gustavo Scarpa, o último ainda envolvido em briga jurídica com o Fluminense.

Já o Corinthians apostou na volta de jogadores conhecidos de sua torcida, como Emerson Sheik e Ralf, lembranças dos títulos da Libertadores e do Mundial de 2012. 

Foram tentativas de repetir a fórmula utilizada no ano passado com Jô, que chegou desacreditado no fim de 2016 para, na temporada seguinte, ser um dos artilheiros do Brasileiro e peça-chave na equipe que conquistou o Paulista e o torneio nacional. 

Negociado com o futebol japonês no início do ano, o centroavante ainda não foi substituído à altura. Mesmo assim, o técnico Fábio Carille conseguiu levar o Corinthians a mais uma conquista.

Ele já percebeu que os reforços sonhados, especialmente para o ataque, só virão caso apareça uma grande oportunidade no mercado.

“Não temos um jogador de área. Tenho de trabalhar com o que tenho em mãos”, diz.

Sanchez tentou fazer contratações de impacto. No conselho arbitral do Paulista, antes das quartas de final, disse a outros dirigentes estar quase acertado com o atacante camaronês Samuel Eto’o. O negócio não vingou.

Na última vez que o Corinthians teve um mecenas no futebol, Sanchez era um dos integrantes da diretoria presidida por Alberto Dualib. 

O clube recebeu o patrocínio da MSI, liderada pelo iraniano Kia Joorabchian. Foi campeão brasileiro de 2005, mas a parceria ruiu dois anos depois, em julho de 2007, temporada na qual o clube acabou sendo rebaixado.

Com ou sem mais investimentos, a esperança no Corinthians é que o título estadual impulsione o moral do elenco no restante da temporada, tal como 2017. 

Apesar da falta de reforços, o Corinthians respondeu dentro de campo da mesma maneira que tem feito nos últimos anos: com títulos. 

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