Maior patrocinador da ginástica, Caixa revê apoio após denúncia de abuso

Caixa Econômica Federal está reavaliando contrato com a CBG após casos de abuso sexual

Diego Hypólito e Caio Souza
Os ginastas Diego Hypólito e Caio Souza, em competição de 2015 organizada pela CBG e patrocinada pela Caixa - Ricardo Bufolin- 2.ago.2015/CBG
Marcelo Laguna
São Paulo

​O escândalo de abuso sexual na ginástica artística, que teria sido cometido pelo ex-técnico Fernando de Carvalho Lopes, pode ter um efeito nas finanças da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica).

Seu maior patrocinador, a Caixa Econômica Federal avalia se manterá o apoio à entidade após o caso. O banco estatal é o principal maior apoiadora da CBG desde 2006 e renovou o vínculo para o período 2017-2020, prevendo neste novo contrato pagar um total de R$ 20 milhões.

Os R$ 5 milhões anuais que recebe do banco federal representam a maior parcela de patrocínio da entidade. A outra fonte de receita vem dos recursos distribuídos pela Lei Agnelo/Piva, com base nas verbas das loterias. 

​A previsão de repasse para 2018, feito de acordo com regras estabelecidas pelo COB, é de R$ 4,2 milhões.

Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa da Caixa informou que as denúncias de abuso sexual que teriam sido cometidas por Lopes, divulgadas no Fantástico, da TV Globo, iniciaram um processo de​ análise do contrato de patrocínio com a CBG.

"Informamos que há cláusulas que resguardam a Caixa e o interesse público por ela tutelado enquanto entidade patrocinadora. A Caixa está avaliando todas as medidas cabíveis para a correta verificação dos fatos e consequências pertinentes", afirmou o banco, por meio de nota oficial.

Procurada pela reportagem, a CBG  só se manifestou por meio de sua assessoria de imprensa.

A entidade alega que não pretende falar publicamente a respeito de patrocínios até que tenha uma reunião formal com a Caixa.

Além da questão financeira, a CBG também está preocupada com sua situação dentro do próprio COB.

Nesta quarta-feira (9), encerra-se o prazo que a CBG tem para apresentar suas explicações ao Conselho de Ética do comitê olímpico brasileiro.

Além de ser filiada ao COB, a CBG tem como prestador de serviço Marcos Goto, que é o coordenador técnico da entidade e também o treinador de Arthur Zanetti, campeão olímpico na prova de argolas em Londres-2012.

Goto, segundo depoimentos de ex-ginastas divulgados pelo Fantátisco, tinha conhecimento dos abusos sexuais cometidos por Lopes. Mas não tomou qualquer atitude e ainda fazia brincadeiras com os atletas supostamente abusados.​

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