Descrição de chapéu Copa do Mundo

Depois de rejeições, assaltos e brigas, Acuña é titular da Argentina

Jogador irá atuar na ala esquerda no novo esquema de Jorge Sampaoli

Marcos Acuña ganhará chance como titular da Argentina contra a Croácia
Marcos Acuña ganhará chance como titular da Argentina contra a Croácia - Juan Mabromota/AFP
Alex Sabino
Nijni Novgorod

Marcos Acuña, 26, não tinha o que dizer nesta quarta (20) na conferência de imprensa da Argentina antes da partida contra a Croácia, marcada para quinta (21), em Nijni Novgorod. Nem foi muito perguntado. As atenções dos jornalistas estavam em Jorge Sampaoli, no fraco futebol mostrado pela seleção na primeira partida, em Lionel Messi, na troca de esquema e nas mudanças no time. Pouco importa que o jogador do Sporting (POR) seja uma dessas alterações.

A Argentina corre risco na Copa do Mundo e Acuña, percebam os repórteres ou não, ele será um dos encarregados de apagar o incêndio.

“Conheço os jogadores da Croácia, já enfrentei alguns. Eles têm muito controle de bola no meio de campo. É um setor que trabalhamos muito e por isso creio que faremos uma boa partida”, afirmou.

A situação argentina não é cômoda, mas a de Acuña, sim. Ele vai entrar em uma nova formação da equipe, o 3-4-3, fora de sua melhor posição, mas estar na Copa do Mundo já é o suficiente para o jogador rejeitado por seis clubes da região de Buenos Aires e que, quando enfim foi aceito por um time, o Ferro Caril Oeste, foi assaltado três vezes em sua primeira semana vivendo na capital. O que vier além disso, será lucro.

Acuña entrará na seleção nesta quinta como ala esquerdo.

“Joguei como [camisa] 3 no Ferro. Também me sinto cômodo nessa posição. Não tem problema”, assegurou ele, citando o número que o lateral geralmente usa no futebol argentino. No Mundial, ele é o 8.

Nascido na Patagônia, Acuña foi reprovado em testes no San Lorenzo, Quilmes, River Plate, Boca Juniors, Argentinos Juniors e Tigre. Cada vez que viajava para a capital, eram 2.700 km entre ida e volta. Quando foi assaltado pela terceira vez em menos de sete dias, deu um basta. Iria voltar para casa e parar com o futebol. A mãe, Sara, o convenceu a ficar. Foi para ela que Acuña ligou chorando quando ouviu seu nome na lista de convocados de Sampaoli.

Mesmo com alojamento e lugar para treinar no Ferro Carril, era difícil. O percurso até o local de treinamento era de 40 km diários. Ele acordava às 5h da manhã.

Acuña ganhou uma vaga entre os 23 para o Mundial pelo mesmo motivo que outros convocados, como Ansaldi e Meza. É capaz de desempenhar mais de uma função. Pode ser opção a Di María (agora também a Pavón) ou jogar no centro do meio-campo como segundo volante. Ele também atua como lateral.

“Você pode ter três zagueiros centrais e dois laterais que formem uma linha de cinco. Se sobem [ao ataque] os laterais, podemos gerar mais pressão. Em vez de esperar, podemos ir [pressionar]. O desenvolvimento do sistema tem muito a ver com a recuperação da bola”, explicou Sampaoli, esperando que Acuña ajude a gerar essa pressão.

Botar pressão não é novo para o jogador que foi campeão argentino em 2014 com o Racing, depois vendido para o Sporting e que agora interessa à Juventus (ITA). Ou para sua família. Quando ainda estava no Ferro Carril, foi substituído em um amistoso contra o Flandria. Foi ao vestiário, quando saiu, encontrou sua mulher batendo boca com o bandeira.

Ela não está na Rússia para a partida contra a Croácia.

“As pessoas não sabem o sacrifício que fiz para chegar até aqui”, desabafou Acuña, logo após ser chamado por Sampaoli.

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