Maria Esther fez história, mas seus feitos são pouco conhecidos no Brasil

Membro do hall da fama do tênis, brasileira ganhou mais visibilidade nos últimos anos de vida

Maria Esther Bueno segura a tocha olímpica da Rio-2016
Maria Esther Bueno com a tocha olímpica da Rio-2016 - Folhapress
Daniel E. de Castro Sheila Vieira
São Paulo

Poucos tenistas na história ganharam mais títulos de Grand Slam do que Maria Esther Bueno, a 12ª maior vencedora até hoje. Na frente dela, que morreu nesta sexta (8), estão apenas lendas da modalidade, como a australiana Margaret Court, a americana Serena Williams e o suíço Roger Federer.

Os 19 troféus conquistados pela brasileira em simples, duplas e duplas mistas garantiram sua entrada no hall da fama da modalidade e deram a ela reconhecimento internacional.

 

Maria Esther frequentava os torneios de Wimbledon e do US Open anualmente, com as honras que os campeões desses torneios recebem, e por várias vezes acompanhou jogos no camarote real do clube inglês.

John Barrett, jornalista britânico que acompanhou tênis por décadas, escreveu em um dos seus livros que Maria Esther misturava a elegância de uma bailarina com a potência de uma ginasta. No seu jogo destacavam-se o saque potente e as subidas à rede para matar os pontos com voleios.

Os brasileiros, porém, praticamente não viram sua maior tenista em ação. A maior parte da carreira dela coincidiu com a era amadora do tênis, em que os atletas não eram pagos e não viviam do esporte.

A paulista também não teve a chance de disputar uma Olimpíada, porque o tênis saiu do programa olímpico em 1928 e retornou somente em 1988.

A partir de 1968, ano do seu último título, com o início da chamada era profissional, a modalidade mudou de patamar. Ficou mais rica, atraiu mais jogadores e estes tornaram-se ídolos mundiais.

Quando disputou Wimbledon pela primeira vez, aos 18 anos, Maria Esther ia ao clube de metrô, acompanhada apenas de amigos que também disputavam o circuito. Atualmente, jogadores de ponta viajam com equipes de quatro ou mais pessoas.

Maria Esther não desfrutou dessa época próspera como jogadora e, consciente do tamanho dos seus feitos, costumava lamentar a falta de reconhecimento no Brasil.

"Na época, os meus títulos foram muito comentados no Brasil. Mas não sabiam exatamente a importância. Foi difícil atender a todos e explicar o que tinha acontecido. Não tinha muito tempo para isso, além de ser muito tímida. Confundiram isso com arrogância”, disse à Folha em 1997, após Gustavo Kuerten conquistar Roland Garros pela primeira vez.

A ascensão de Guga foi responsável por uma popularização do tênis no Brasil, que ajudou a tornar a multicampeã mais conhecida no país.

Maria Esther também ganhou mais visibilidade ao se tornar comentarista do SporTV, participando de transmissões e contando suas histórias de circuito em programas de TV.

Nas quadras, ela também era presença constante. Jogava com frequência na Sociedade Harmonia de Tênis, em São Paulo, e foi fotografada batendo bola no Rio Open deste ano, em fevereiro.

Por mais que Maria Esther não tenha tido uma cena mundialmente conhecida, como o coração desenhado no saibro por Guga, o tamanho de seus feitos garante que ela nunca será uma página esquecida na história do esporte brasileiro.

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