Descrição de chapéu Copa do Mundo

Desequilibrado, Brasil sente a pressão e quase aposenta geração do 7 a 1

Fernandinho, assim como no vexame do Mineirão, falha de novo em eliminação

Fernandinho, sentado no campo, lamenta eliminação para Bélgica na Arena Kazan

Fernandinho lamenta eliminação para Bélgica na Arena Kazan Saeed Khan/AFP

Camila Mattoso Diego Garcia Luiz Cosenzo Sérgio Rangel
Kazan

A eliminação do Brasil nas quartas de final da Copa nesta sexta-feira (6) vai colocar praticamente um ponto final na geração que ficou marcada pela derrota por 7 a 1 contra a Alemanha. Seis dos que sofreram o vexame de 2014 sob o comando de Luiz Felipe Scolari foram à Rússia representar a seleção. Deles, apenas Neymar deve ter chance de voltar em 2022, no Qatar.

Além do camisa 10, Marcelo, Paulinho, Willian, Fernandinho e Thiago Silva foram os remanescentes. O zagueiro e Neymar não estavam em campo no fracasso no Mineirão --o primeiro suspenso, o segundo machucado.

Fernandinho, criticado por sua atuação na eliminação de quatro anos atrás, teve dia desastroso novamente. O meio-campista substituiu Casemiro, principal ladrão de bolas do time de Tite, suspenso como dois cartões amarelos.

O jogador do Manchester City foi mal durante todos os 90 minutos desta sexta. Não fez um desarme certo, cometeu duas faltas, tomou amarelo e ainda levou cinco dribles, o que é o maior número de um brasileiro.

Ele teve azar logo no começo, determinando sua má atuação no restante da partida.

Após cobrança de escanteio, Kompany resvalou de cabeça na primeira trave, a bola pegou no braço de Fernandinho, e Alisson não conseguiu evitar o primeiro gol belga.

A melhor defesa da Copa até então via ali seu maior fantasma aparecer. Pela quarta vez seguida, a seleção foi eliminada após sofrer gol de bola parada na partida decisiva. Antes, o Brasil já tinha sofrido com a jogada por cima nas Copas de 2006 (Alemanha), 2010 (África do Sul) e 2014 (Brasil).

Durante a era Tite, a bola aérea se apresentou como a maior fragilidade. Dos oito gols sofridos pelo Brasil desde setembro de 2016, seis foram após cruzamentos pelo alto.

O único tomado pelo time brasileiro até a partida contra a Bélgica foi também após cobrança de escanteio. Contra a Suíça, na primeira rodada, Zuber cabeceou entre nove brasileiros que estavam perto do lance. Na oportunidade, Tite não considerou uma falha. Ele colocou a culpa no árbitro que não viu um empurrão do zagueiro suíço em Miranda.

Em desvantagem, o Brasil sentiu a pressão. A equipe se lançou ao ataque de forma desorganizada. Os belgas ficaram ainda mais perigosos.

Assim nasceu o segundo gol, em um contra-ataque, após mais uma falha de Fernandinho. Em uma de suas poucas aparições no meio de campo, aos 31 minutos, o volante perdeu a posse de bola para Lukaku no campo de defesa e ficou na saudade quando o camisa 9 se mandou ao ataque e rolou para De Bruyne ampliar.

O melhor ataque da Copa conseguiu com facilidade superar o que era até então a muralha do Mundial. Com os gols desta sexta, a Bélgica chegou ao número de 14 marcados.

Antes dessa, na era Tite, a seleção começara atrás no placar apenas duas vezes. Reverteu uma contra o Uruguai, e perdeu a outra, para a Argentina. Um resultado parcial de 2 a 0 jamais foi revertido em uma Copa, quando obtido antes do intervalo.

Enquanto o time brasileiro tentava o feito inédito de reverter o resultado, o trio formado por De Bruyne, Lukaku e Hazard fazia o que queria com a defesa brasileira.

O equilíbrio pedido por Tite não existia em Kazan. A "rebeldia tática" imposta pelo técnico rival, Robert Martínez, era implacável.

Na volta do intervalo, a seleção mudou. Tite colocou Roberto Firmino no lugar do apático Willian. O Brasil se jogou ao ataque no 4-4-2, com Coutinho pela esquerda, Jesus pela direita, Neymar e Firmino na frente. Mesmo assim, a Bélgica dominava a partida.

A partida só ficou um pouco melhor para o Brasil quando Douglas Costa entrou no lugar de Jesus e depois com a entrada de Renato Augusto na vaga de Paulinho.

O ex-corintiano foi um dos melhores em campo, mesmo tendo jogado apenas pouco mais de 20 minutos. O meia aproveitou o cruzamento de Coutinho e fez de cabeça, aos 30 min do segundo tempo.

Quatro minutos depois, Renato Augusto teve a chance de salvar o Brasil da eliminação e por centímetros não conseguiu. Ele recebeu passe de novo de Coutinho, na entrada da área, sozinho, bateu para fora, do lado de Courtouis.

O final foi dramático. Nervosos, diversos familiares e amigos dos jogadores deixaram as arquibancadas do estádio de Kazan e foram acompanhar o restante da partida em uma televisão, do lado de dentro da arena.

Voltaram para acompanhar os minutos finais e viram Neymar quase marcar, o que seria sua redenção em um Copa que fez pouco e não brilhou. Mas não deu para a seleção.

Desde 1986, a Bélgica não chegava numa semifinal de Mundial e pode conseguir o título inédito. Eliminado, o Brasil volta mais cedo para casa, longe do hexacampeonato.

Neymar ainda terá tempo para em 2022 fazer o que não conseguiu na Rússia. Estará com 30 anos. Já Fernandinho, na Copa do Qatar, será veterano, com 37 anos, assim como Thiago Silva. Paulinho e Willian, também com poucas chances de irem ao próximo Mundial, terão 33, e Marcelo, 34.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.