Descrição de chapéu Copa do Mundo DeltaFolha

Semifinais opõem seleções com armas semelhantes na Copa

Franceses e belgas marcam maior parte de seus gols com bola no chão

Alberto Nogueira Bruno Rodrigues Daniel Mariani
São Paulo

As semifinais da Copa do Mundo da Rússia colocam frente a frente seleções que buscam fazer gols de forma parecida. De um lado, equipes que praticam um futebol mais vistoso, com a bola no chão, passes curtos e dribles. Do outro, times mais pragmáticos, que recorrem frequentemente ao jogo aéreo.

França e Bélgica gostam de ter a bola e insistem menos em lances pelo alto, segundo análise de dados dos jogos disputados no Mundial da Rússia.

Quase o oposto de Inglaterra e Croácia, que veem nos cruzamentos para a área a forma mais efetiva de fazer gols, com pequenas diferenças.

Os ingleses, por exemplo, marcaram 8 de seus 11 gols na em lances que começaram com a bola parada.

É a equipe semifinalista que leva mais perigo nesse tipo de jogada, com 68% das principais ações ofensivas originadas de faltas ou escanteios.

Um quarto das jogadas de ataque da Inglaterra termina em finalizações de cabeça.

E não é só Harry Kane, artilheiro da seleção na Copa com seis gols, o responsável pelas finalizações. Dele Alli, John Stones e Harry Maguire já marcaram gols pelo alto.

Os comandados do técnico Gareth Southgate, aliás, fazem uso de jogadas ensaiadas para confundir a marcação da equipe adversária.

Na goleada por 6 a 1 sobre o Panamá, pela fase de grupos, a Inglaterra mostrou um arsenal de lances ensaiados.

No primeiro gol, jogadores ingleses puxam a marcação e abrem espaço para que Stones entre livre vindo de trás.

O quarto gol também veio em lance trabalhado. Henderson recebe cobrança curta de falta e cruza. Kane ajeita para Sterling, que cabeceia para o gol. Stones marcou no rebote.

A Croácia, que encara a Inglaterra em Moscou, também faz bom proveito das jogadas pelo alto. Três gols da equipe foram originados de cobranças de escanteio de seu camisa 10, Luka Modric.

Mas os croatas também têm outros recursos: a rápida definição dos ataques. Assim que retomam a bola ou ultrapassam com ela dominada a linha do meio de campo, usam poucos passes até chegar ao gol.

De seus 10 gols na Copa, em 7 o jogador que marcou deu somente um toque na bola. Outros dois necessitaram de dois toques. Apenas um, de Modric contra a Argentina, deu mais de três toques antes de marcar.

Nesse ponto, o time se assemelha mais à Bélgica, que está do outro lado da chave. Em média, o time troca 3,8 passes antes de finalizar, mesma quantidade dos belgas.

Rival da França na semifinal, a Bélgica é a equipe que menos finaliza de cabeça e a que mais dá passes em direção ao gol adversário.

Juntos, os números indicam que a equipe tem como arma poderosa os contra-ataques. Quando o time de Roberto Martínez teve espaço para correr, sem marcação, foi letal.

O terceiro gol contra o Japão, nas oitavas de final, e o segundo diante do Brasil, nas quartas, saíram de jogadas iniciadas no campo de defesa e finalizadas em poucos passes.

"O time da Bélgica fez um grande jogo contra o Brasil. Reforçaram o meio e os brasileiros não conseguiram entrar. Com a bola, atacaram muito rápido", analisou o técnico da França, Didier Deschamps.

A equipe francesa é a seleção que mais troca passes no ataque antes de finalizar. Uma média de 6,3 a cada incursão.

O gol da vitória sobre a Austrália, marcado contra pelo zagueiro Behich --2 a 1 pela fase de grupos--, sai após troca de cinco passes entre Umtiti, Pogba, Mbappé e Giroud.

O ponto forte do time é o lado direito. É por ali, onde atua Mbappé, que saem 42% dos lances de perigo.

Na vitória por 4 a 3 sobre a Argentina, três dos quatro gols saíram de jogadas finalizadas pelo setor. Mbappé sofreu pênalti e fez um de seus gols por ali, assim como Pavard, que chutou de fora da área para fazer um golaço.

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