VAR se expande, mas enfrenta resistência das ligas mais ricas

Espanha e França vão usar o árbitro de vídeo; Inglaterra e Liga dos Campeões rechaçam a ideia

Árbitro da final da Copa do Mundo estica o braço para marcar pênalti para a França, após consulta ao árbitro de vídeo
Árbitro assinala pênalti para França, contra a Croácia, após consulta ao árbitro de vídeo, na final da Copa do Mundo da Rússia - Xinhua/Cao Can/15.jul.18
Bruno Rodrigues Eduardo Geraque
São Paulo

​A relutância dos times ingleses em usar o sistema do VAR (árbitro assistente de vídeo) isolou a liga local.

Entre os cinco maiores campeonatos nacionais da Europa, apenas o da Inglaterra não terá o recurso tecnológico em seus jogos na próxima temporada, que começa em agosto.

As ligas da Espanha e da França mantiveram a decisão tomada na temporada passada de começar a usar o auxílio eletrônico em seus próximos campeonatos nacionais.

Na temporada encerrada em maio, Alemanha e Itália já usaram o árbitro de vídeo. Principal torneio de clubes da Europa, a Liga dos Campeões também rechaçou o uso da tecnologia na edição 2018/19 do campeonato continental.

 

Segundo o presidente da Uefa (entidade que controla o futebol europeu), o esloveno Aleksander Ceferin, a entidade não tem pressa de implementar o sistema. Para ele, a Liga dos Campeões é como uma Ferrari ou um Porsche.

 "Você não pode dirigir de primeira, precisa de treino, testes off-line. Tem de entender como funciona", afirmou.

No caso inglês, o veto foi decidido em abril, por mais de dois terços dos 20 times da Premier League. A grande preocupação das agremiações é melhorar a comunicação das decisões dos árbitros ao público e aos telespectadores que acompanham os jogos.

O tempo em que a partida fica parada para que as análises sejam feitas também é um problema, segundo os dirigentes dos clubes da Inglaterra.

Apesar de vetarem a implementação do árbitro de vídeo nesse momento, as equipes concordaram em continuar com os testes iniciados na temporada passada. Não está descartado que o sistema seja empregado em jogos de outros torneios, como a Copa da Liga e da Copa da Inglaterra.

Ainda na Europa, fora das cinco ligas mais ricas do continente, a Holanda é outro país que vai implementar o protocolo da Fifa sobre o árbitro de vídeo em seu principal campeonato nacional.

Portugal, com grande sucesso, segundo a federação local, usou o sistema no campeonato 2017/2018. Houve uma média de 6,1 lances verificados em cada encontro.

O fato de, na avaliação da Fifa, o sistema ter sido usado sem grandes problemas na Copa do Mundo de 2018 pode sedimentar a tendência de que ele se espalhe pela Europa e pelo resto do mundo.

"Apesar de ainda ser o começo da implementação, o sistema ajudou o árbitro [do campo] a manter o foco no jogo. Sem ter muita preocupação com as decisões que haviam sido tomadas antes na partida", analisou o árbitro senegalês Malang Diédhiou, que trabalhou na Copa de 2018.

O brasileiro Sandro Meira Rici disse que o grande objetivo do árbitro tem que ser o de não precisar usar o assistente de vídeo. "Nós esperamos que os árbitros consigam resolver todos os problemas dentro de campo", afirmou o brasileiro durante o Mundial, em um evento feito pela Fifa.

Levantamento realizado pela Folha mostra que o árbitro de vídeo foi usado 26 vezes durante toda a Copa. Em 15 vezes, a decisão inicial da arbitragem sofreu reformulação.

Após a CBF repassar aos clubes o custo da implementação do sistema no Campeonato Brasileiro — R$ 1 milhão por ano para cada time —, presidentes das equipes votaram contra o uso do VAR.

Já na Copa do Brasil, a CBF prevê o uso do VAR a partir das quartas de final, com início na próxima quarta-feira (1º).

Na Libertadores, o principal torneio de clubes sul-americano, a utilização do árbitro de vídeo vai aumentar por causa do que ocorreu na Copa do Mundo de 2018.

"A partir das quartas de final poderá ser usado o VAR em nossas competições [Libertadores e Sul-Americana]. Nossos árbitros tiveram uma ajuda pois conhecem da Copa o trabalho com o VAR", disse Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol.

A Argentina não utiliza o vídeo em torneios nacionais. Já a principal liga de futebol dos EUA implementou a tecnologia, bastante conhecida no país pelo uso no futebol americano. O México ainda não passou da fase de testes.

China, Coreia do Sul e Austrália também implementaram a tecnologia em seus principais campeonatos desde a temporada passada.

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