Wimbledon esnoba Copa, e final deve coincidir com a decisão do Mundial

Torneio manterá início da final masculina duas horas antes da definição do título na Rússia

Sheila Vieira Daniel E. de Castro
São Paulo

"Por que mais a gente mudaria o horário? Por causa do Mundial de atletismo ou algo assim?" Foi assim que o chefe-executivo do torneio de Wimbledon, Richard Lewis, respondeu quando questionado pelo jornal britânico The Times sobre a possibilidade de o Grand Slam mudar o horário de sua final masculina, caso a Inglaterra seja finalista da Copa do Mundo.

As decisões de Wimbledon, que começa nesta segunda (2) com transmissão do SporTV 3, e da Copa serão no mesmo domingo, 15 de julho. A final do tênis está marcada para as 10h (horário de Brasília). Às 12h, a bola rola em Moscou.

Em busca do nono titulo em Wimbledon, Roger Federer é novamente o favorito
Em busca do nono titulo em Wimbledon, Roger Federer é novamente o favorito - Jed Leicester/AFP

Será a terceira vez que as finais serão disputadas no mesmo dia, mas nas outras duas ocasiões, em 1990 e 2006, a decisão do tênis acabou com boa margem de tempo para o início do futebol.

Desta vez, é provável que o campeão levante a taça em Londres enquanto a grande maioria dos telespectadores ingleses presta atenção no que acontece na Rússia. Especialmente se a seleção liderada pelo atacante Harry Kane estiver em campo.

A BBC, que tem os direitos de transmissão dos dois eventos, ainda não divulgou se colocará Wimbledon em um canal secundário.

"Posso honestamente dizer que tivemos uma discussão relâmpago sobre isso (mudar o horário), e acho que ela não chegou a durar 25 segundos", acrescentou Lewis.

Mais antigo dos Slam, com sua primeira edição disputada em 1877, Wimbledon faz questão de manter tradições, como exigir vestimenta branca dos tenistas e não exibir publicidade em suas quadras.

Mesmo com seu estilo "antiquado", o torneio continua a ser um sucesso de público. A edição de 2017 teve mais de 473 mil espectadores em 13 dias. Em 2016, foi o evento esportivo com maior público do Reino Unido.

Wimbledon vende parte de seus ingressos por sorteio na internet e o resto é comercializado para quem acampa em um parque ao lado do clube durante o torneio.

Centenas de fãs passam mais de 24 horas em barracas para conseguir ingressos para as quadras principais.

Tricampeão de Wimbledon, o sérvio Novak Djokovic foi avisado pela imprensa britânica que não poderá ver a final do Mundial se alcançar a decisão do Slam. "Se isso acontecer, eu obviamente ficaria muito feliz de perder a final da Copa!", disse.

Desde 2003, o troféu masculino de Wimbledon só passou pelas mãos de quatro tenistas: Roger Federer (8), Novak Djokovic (3), Rafael Nadal (2) e Andy Murray (2).

A expectativa era de que o quarteto que dominou o circuito na última década estivesse reunido pela primeira vez em um torneio desde a edição de 2017 do Slam inglês.

Neste domingo (1º), porém, o escocês Murray anunciou sua desistência por não sentir-se preparado para disputar jogos em melhor de cinco sets. Há duas semanas, o tenista de 31 anos retornou ao circuito após 11 meses afastado das quadras por uma lesão no quadril.

O suíço Federer, que estreia às 9h desta segunda (2) contra o sérvio Dusan Lajovic, é novamente o favorito ao título, mesmo após ser surpreendido na final de um torneio preparatório em Halle, na Alemanha, pelo croata Borna Coric.

Aos 36 anos, ele pode igualar os nove troféus de simples em Wimbledon da tcheca naturalizada americana Martina Navratilova.

Nas casas de apostas, o sérvio Djokovic aparece como principal rival de Federer, mesmo ocupando apenas a 21ª colocação do ranking mundial.

Número 1 do mundo, o espanhol Nadal já fez cinco finais em Wimbledon, com dois títulos, mas não alcança sequer as quartas de final desde 2011 (ficou fora da edição de 2016 por lesão). Aos 32 anos, ele tem sentido fisicamente a transição do saibro, piso em que domina amplamente, para a grama.

Na chave feminina, os olhares estarão voltados para a número 183 do ranking mundial. No caso, uma heptacampeã do torneio, a americana Serena Williams, que ainda tenta retomar a rotina do circuito após se tornar mãe.

A organização de Wimbledon fez um "agrado" a Serena, destinando a 25ª das 32 vagas de cabeça de chave do torneio para ela. A ex-número um do mundo também estreia nesta segunda, contra a holandesa Arantxa Rus.

Não há brasileiros nas chaves de simples masculina e feminina. Nas duplas, destaque para a defesa do título do mineiro Marcelo Melo e do polonês Lukasz Kubot.

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