Caça às bruxas virou normalidade no futebol brasileiro, diz Ronaldo

Ex-atacante participa de evento da Liga dos Campeões nesta quinta-feira

Mônaco

O ex-jogador Ronaldo Nazário, 41, criticou nesta quinta-feira (30) o que vê como uma “caça às bruxas” permanente na cobertura jornalística de futebol no Brasil e não quis responder sobre a possibilidade de comprar o clube espanhol Real Valladolid por 30 milhões de euros (R$ 146,1 milhões), como publicado pela imprensa espanhola nos últimos dias.

“Infelizmente, isso [a suposta caça as bruxas] no Brasil virou uma normalidade. O esporte é muito mais simples. Nele, se ganha e se perde. Tem que saber conviver com essas duas situações”, disse ele, depois de um evento em que foi apresentado como garoto-propaganda de um banco espanhol para a Liga dos Campeões.

Para o ex-jogador, “o futebol não mudou; quando ganha, todo mundo é bonito, é bom, é tudo; quando perde, ninguém presta”. O problema, segundo Ronaldo, é que, “na mídia brasileira, a gente está indo por um caminho muito ruim quando fala de futebol”.

“Cada vez mais, entra-se em opiniões pessoais, em coisas que não importam. Gostaria que o futebol fosse falado muito mais tecnicamente do que superficialmente. As pessoas hoje falam com nenhuma ou quase nenhuma responsabilidade [sobre o esporte]. O futebol exige um cuidado maior, mexe com a emoção. A gente deveria fazer um mea-culpa.”

As críticas ao jogo de cena de Neymar na Copa do Mundo da Rússia foram então injustas? “Não sou juiz de críticas”, desconversa. Mas é comentarista contratado, lembra a reportagem.

“Sou comentarista do jogo, e da Globo, não para vocês [os quatro jornalistas lusófonos que o entrevistavam]. Vocês ouviram meus comentários e podem ter a resposta que precisam.”

Segundo Ronaldo, “Copa do Mundo é mais difícil porque uma série de coisas têm que dar certo para se conquistar o título. Não só você estar bem, mas todos os seus companheiros estarem 100%, sem lesão, e a motivação de cada um ser a mesma”.

O ex-jogador também buscou contemporizar o mau desempenho do atacante Gabriel Jesus na Rússia —o atleta, que tem a carreira gerenciada por uma empresa de Ronaldo, não marcou nenhuma vez.

“Não diria o Gabriel, mas acho que a seleção foi com uma expectativa muito alta [para a Copa]. Ninguém rendeu o que se esperava.” 

Jesus não está na lista de convocados por Tite para os amistosos com EUA e El Salvador, em setembro —Ronaldo afirmou ainda não ter visto a relação de nomes.

Quando o tema da conversa migrou para as informações da imprensa espanhola de que ele estaria prestes a fechar a compra do clube Real Valladolid, que volta nesta temporada à primeira divisão da liga espanhola e do qual ele se tornaria presidente, o ex-atacante se impacientou.

“Não tenho nada a dizer sobre possíveis investimentos... [Depois de os jornalistas insistirem duas vezes] Vocês vão continuar dando volta [em torno desse assunto], e eu vou continuar dizendo que não tenho nada a ver com isso. Se a gente quiser seguir a entrevista, pode falar de outras coisas. Senão, termina por aqui.”

Não terminou. Ainda houve tempo para Ronaldo dizer que não apoiará nenhum candidato ao Planalto na eleição de outubro. Em 2014, ele fez campanha pelo tucano Aécio Neves e, dois anos depois, declarou-se favorável ao impeachment de Dilma Rousseff (PT).

“Depois da última eleição [para presidente], em que não só eu, como a grande maioria —eu diria a totalidade— dos brasileiros que votamos saímos decepcionados ou por uma escolha, ou por outra, agora vou ficar no meu canto, quieto, exercer o meu direito de cidadão de votar, mas não vou apoiar ninguém.”

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