Com crítica a LeBron, Trump volta a ser alvo de atletas nos EUA

Presidente americano foi atacado por estrelas da NBA, como Curry

LeBron James é o mais novo alvo das críticas de Donald Trump a atletas americanos
LeBron James é o mais novo alvo das críticas de Donald Trump a atletas americanos - Montagem sobre fotos de Robert Galbraith - 16.jan.2013 e Leah Millis - 4.ago.2018/REUTERS
São Paulo

Em mais um capítulo da sua série de ataques em redes sociais contra atletas que são críticos a seu governo, o presidente americano Donald Trump ouviu um coro de críticas contra ele.

No último sábado (4), via Twitter, o presidente dos EUA atacou o astro LeBron James, recém-contratado pelo Los Angeles Lakers, que o criticou em uma entrevista na rede CNN.

Durante a entrevista, James afirmou que Trump usava o esporte para dividir o país. Ele se referia aos incidentes em que o presidente americano atacou a postura de alguns jogadores da NFL, a liga de futebol americano.

Em 2017, atletas como o quarterback Colin Kaepernick protestaram contra a violência policial a negros nos Estados Unidos, se ajoelhando durante a execução do hino americano antes das partidas.

​Trump, na época, ofendeu publicamente estes jogadores e incentivou os proprietários das equipes da NFL a demitir quem repetisse a mesma postura.

“LeBron acabou de ser entrevistado pelo homem mais burro da televisão, Don Lemon (jornalista da CNN). Ele conseguiu fazer com que LeBron parecesse inteligente, o que não é fácil de fazer. Eu gosto do Mike [Michael Jordan)]”, escreveu Trump. Ele só não contava que a reação em defesa do astro do Lakers fosse tão intensa.

A reação foi um coro de apoio a Le Bron. A começar pelo próprio Jordan, seis vezes campeão na NBA nos anos 1990 pelo Chicago Bulls.

“Eu apoio LJ [Le Bron James]. Ele está fazendo um ótimo trabalho para a sociedade”, disse Jordan em um comunicado divulgado por seu porta-voz, enviado à rede NBC News.

Na última semana, James inaugurou uma escola pública em Akron, sua cidade natal, para crianças com dificuldades financeiras.

LeBron James fala durante a inauguração da escola pública para crianças carebtes que ajudou a construir na cidade de Akron (EUA)
LeBron James fala durante a inauguração da escola pública para crianças carentes que ajudou a construir na cidade de Akron (EUA) - Phil Long - 30.jul.2018/Associated Press

Até mesmo um grande rival de James nas quadras na NBA saiu em sua defesa.

O armador Stephen Curry, do Golden State Warriors, time que derrotou o Cleveland Cavaliers (antiga equipe de James) na última final da liga, também usou o Twitter para apoiar o colega. “Continue sendo você, LeBron”.

No ano passado, o próprio Curry já havia se envolvido pessoalmente em uma polêmica com Donald Trump. O jogador disse que votaria contra a ida de sua equipe à Casa Branca, um ritual que todas as equipes campeãs das ligas nacionais de esporte cumprem.

Ao saber da declaração de Curry, Trump retirou o convite para que o Warriors, campeão da NBA na temporada anterior, fosse à Casa Branca.

Outros jogadores da NBA foram mais duros em defesa a Lebron James contra Donald Trump. Foi o caso do dominicano Karl-Anthony Towns, pivô do Minnesota Timberwolves.

“A cidade de Flint, no Missouri, ainda tem água suja, mas você está preocupado com uma entrevista sobre um homem fazendo coisas boas para a educação e a próxima geração de crianças em sua cidade natal? Cale sua boca! Pare de usar seus ‘dedos de Twitter’ e faça algo para seu país com sua caneta”, escreveu Towns, respondendo diretamente o tuíte de Trump.

O ala-armador Donovan Mitchell, do Utah Jazz, também usou a postagem do presidente americano para defender James.

“Uma demonstração de um homem inseguro que ataca os outros para sentir-se melhor. Fico triste que crianças pequenas se deparem com tuítes como esse e cresçam pensando que é normal. Esqueça todo o resto, Donald, você está dando um mau exemplo para as crianças e o futuro”, escreveu Mitchell.

Na ocasião aos ataques aos jogadores da NFL, Donald Trump não encontrou apoio nem mesmo entre os proprietários das equipes, entre os quais estavam alguns de seus principais doadores na campanha eleitoral.

Foi o caso, por exemplo, de Robert McNair, fundador e CEO do Houston Texans, que doou US$ 2 milhões (R$ 7,4 milhões). Ele foi um dos dirigentes que não aprovaram os ataques de Trump aos jogadores da NFL.

"Os comentários feitos pelo presidente foram divisivos e contraproducentes para o que o nosso país precisa agora. Espero que as reações de nossos jogadores resulte em uma ação positiva para nossa liga, nossa comunidade e nosso país como um todo", afirmou.

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