Em ofício à Conmebol, Santos alega ter escalado Sanchez de boa-fé

Clube brasileiro quer ser tratado igual ao River Plate, que não será punido por jogador irregular

São Paulo

O Santos enviou nesta sexta (24) à Conmebol ofício pedindo que a suposta escalação irregular do volante uruguaio Carlos Sanchez receba o mesmo tratamento dado pela entidade ao caso do Bruno Zuculini, do River Plate.

Carlos Sanchez em ação durante a partida contra o Independiente, em Buenos Aires, na última terça (21)
Carlos Sanchez em ação durante a partida contra o Independiente, em Buenos Aires, na última terça (21) - Marcos Brindicci - 21.ago.2018/Reuters

O meia argentino atuou de forma irregular em sete partidas da Libertadores até agora. Ele estava suspenso por uma expulsão na Sul-Americana de 2013, quando estava no Racing. 

A Conmebol pode declarar o Santos perdedor por 3 a 0 da primeira partida das oitavas de final da Libertadores contra o Independiente, disputada na última terça (21), em Buenos Aires. Em campo, o placar foi 0 a 0.

A equipe argentina alega que Sanchez não poderia ter sido escalado porque tinha suspensão a cumprir após ser expulso em 2015, na semifinal da Copa Sul-Americana, quando estava no River Plate. 

A decisão da entidade sul-americana deve ser divulgada na próxima segunda (27) e o Santos tem até esta sexta para entregar sua defesa na sede da confederação, em Assunção, no Paraguai.

A Conmebol avisou que o River Plate não será punido pela escalação de Zuculini porque a equipe consultou por escrito sobre a condição de jogo do atleta. A organizadora da Libertadores disse não haver pendência. Depois reconheceu ter acontecido um "erro administrativo".

Para escalar Sanchez, o Santos não enviou ofício para esclarecer a situação do volante. Acessou o sistema Comet, mantido pela própria confederação, e constatou que o uruguaio tinha condições de jogo. O software foi criado em 2016, ano em que a CBF recebeu um comunicado da avisando que os clubes deveriam fazer consultas por escrito à Conmebol sobre o status disciplinar de cada atleta. 

Em seu ofício, enviado também para a CBF e a Federação Paulista de Futebol, o Santos alega que agiu de boa-fé no caso, da mesma forma que aconteceu com o River Plate com Zuculini.

"Teríamos, sem dúvida alguma, o maior caso de utilização de critérios diferentes em casos análogos na história do futebol ou até mesmo no esporte mundial e o Santos FC, tricampeão desta competição, não acredita realmente que poderá sofrer tratamento diferenciado", diz a nota enviada pela equipe brasileira.

Até o ano passado, o Santos poderia contar com o lobby de Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista, que era o representante brasileiro no conselho da entidade. Ele deixou o cargo em maio.

A CBF também já gozou de maior prestígio político na entidade. Isso foi comprometido durante a Copa do Mundo, quando o presidente da confederação, coronel Nunes, rompeu o pacto do continente de apoio às candidaturas de Estados Unidos, México e Canadá para o Mundial de 2026 e votou no Marrocos. Ele alegou ter "cometido um erro" no momento da votação.

O presidente da AFA (Associação de Futebol Argentino), Claudio Tapia, foi eleito vice-presidente da Conmebol e é genro de Hugo Moyano, mandatário do Independiente. 

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