Relógio de saque terá teste definitivo no Aberto dos EUA

Sucesso pode levar à adoção irrestrita do cronômetro em torneios de tênis

São Paulo

Ao completar 50 anos na era profissional do tênis, o Aberto dos EUA terá duas novidades com potencial de impactar o ritmo das partidas e gerar algumas polêmicas.

Último dos quatro Grand Slams da temporada, o evento em Nova York começa às 12h desta segunda-feira (27).

Simona Halep treina no estádio Louis Armstrong, que passou por reformas para o Aberto dos EUA
Simona Halep treina no estádio Louis Armstrong, que passou por reformas para o Aberto dos EUA - Alex Pantling/Getty Images/AFP

Pela primeira vez, um torneio desse nível adotará um relógio na quadra que, em contagem regressiva, mostrará aos tenistas o tempo que eles têm para aquecer, descansar nos intervalos e sacar.

Os 25 segundos de que os jogadores dispõem para iniciar os pontos não mudam, mas agora eles serão cronometrados. Caso sejam ultrapassados, haverá uma advertência. A reincidência levará à perda do primeiro saque a cada infração cometida.

O relógio já foi testado durante a fase de classificação do Aberto dos EUA no ano passado e em alguns torneios do circuito mundial, inclusive na série de eventos na América do Norte que antecede o Slam.

Essa, porém, será a primeira experiência em jogos disputados em melhor de cinco sets, o que significa que os jogadores estarão pressionados pelo cronômetro por mais tempo, inclusive quando já estiverem exaustos em partidas longas.

Nos outros torneios houve poucas infrações e bate-bocas por conta do relógio, mas o critério adotado pelos árbitros ainda não é uniforme e gera críticas. Em tese, o cronômetro deve ser disparado somente após o juiz anunciar o placar depois de um ponto.

Entre elogios do britânico Andy Murray, que disse ser a favor da mudança porque ter que contar até 25 na cabeça era “uma das coisas mais estúpidas do tênis” e críticas de Serena Williams e Novak Djokovic, que reclamaram da novidade, o relógio terá em Nova York seu maior teste até agora.

Se não houver grandes transtornos, aumentam as chances de ele ser adotado de vez no circuito a partir da próxima temporada.

Cartazes da competição no Billie Jean King National Tennis Center
Cartazes da competição no Billie Jean King National Tennis Center - Julian Finney/Getty Images/AFP

Outra novidade do Aberto dos EUA neste ano é que o evento terá um segundo estádio com teto retrátil.

Além do Arthur Ashe, principal palco do complexo em Nova York, agora o Louis Armstrong poderá manter sua programação mesmo com chuva.

A reforma que criou um estádio mais intimidador e barulhento de 14 mil lugares é o toque final de uma série de reformas no complexo, que levaram cinco anos e custaram US$ 600 milhões (R$ 2,5 bi).

Diferentemente do Ashe, o novo Armstrong terá um sistema de ventilação natural, que dispensa o uso de ar-condicionado graças à instalação de  painéis de terracota. Eles funcionam como persianas para barrar parcialmente o sol.

Cobrir outra quadra é uma medida para evitar que chuvas causem transtornos na programação, mas nem sempre agrada aos tenistas. Quando fechado, o teto reduz a influência de fatores externos e torna o jogo mais rápido.

Além disso, em 2016 o barulho da chuva na cobertura do Ashe gerou reclamação de tenistas. Resta saber quão ruidoso será o Armstrong.

2º Slam da temporada

Na quinta (23), quando os jogos do torneio foram sorteados, ficou definido que Roger Federer, 37, e Novak Djokovic, 31, podem se encontrar nas quartas de final. Rafael Nadal, 32, ficou do outro lado da chave e só poderia encarar um deles na final.

Os três partem como favoritos, com vantagem para Nadal, vencedor de Roland Garros, e Djokovic, campeão em Wimbledon. Eles também levaram os troféus dos dois Masters 1.000 que antecedem o Aberto dos EUA.

Federer, campeão do Aberto da Austrália, vem de derrota para Djokovic na decisão do Masters 1.000 de Cincinnati. Em Wimbledon, ele caiu nas quartas de final.

Como cada um venceu um Slam nesta temporada, o Aberto dos EUA será um tira-teima entre esses tenistas. O torneio também marcará o retorno de Andy Murray, 31, a uma competição desse nível —não joga desde a edição de 2017 de Wimbledon.

Na chave feminina, a romena Simona Halep, 26, é a cabeça de chave número um, mas sua melhor campanha em Nova York foi uma semifinal, em 2015. Atual campeã, a americana Sloane Stephens, 25, pode ser sua adversária nessa fase.

Antes, porém, Halep vive a expectativa de um duelo com Serena Williams, que poderia ocorrer nas oitavas de final.

Aos 36 anos, a ex-número um do mundo e campeã em Nova York seis vezes tenta seu primeiro título de Grand Slam desde o início de 2017. Ela pode ter um duelo familiar com a irmã Venus Williams, 38, já na terceira rodada.

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