Descrição de chapéu Campeonato Brasileiro

São Paulo segue receita que deu certo com o Corinthians no Brasileiro

Time de Aguirre tem semelhanças com o de Carille, campeão nacional em 2017

Eduardo Geraque Luiz Cosenzo
São Paulo

​Para chegar à liderança do Brasileiro, o São Paulo apostou em uma receita semelhante à do Corinthians, campeão do ano passado.

Com um esquema de jogo que prioriza mais os ataques rápidos e precisos e a organização defensiva do que a posse de bola, o técnico Diego Aguirre transformou a equipe em uma das protagonistas da temporada de 2018.

Diego Aguirre (dir.), durante treino do São Paulo na Barra Funda
Diego Aguirre (à dir.), durante treino do São Paulo na Barra Funda - Marcelo D. Sants/FramePhoto/Folhapress

Em 2017, o time do técnico Fábio Carille conquistou o título brasileiro com estratégia parecida. Dedicado defensivamente, pouco ficava com a bola, mas era preciso ao concluir as jogadas ofensivas.

A primeira colocação do Brasileiro era um sonho distante quando Aguirre assumiu, em março. Ele prometeu que o time mostraria intensidade nos jogos ao contrário da morosidade com que vinha atuando.

Aos poucos, deu sua cara ao São Paulo. Após algumas tentativas, optou por jogar no 4-4-2, com Nenê mais adiantado próximo de Diego Souza, e Rojas e Everton abertos pelos lados do campo. 

Nesta formação, o time fica pouco com a bola nos pés e explora a velocidade para chegar ao gol. No jargão atual, é um futebol reativo. Tese sustentada pelos números do clube após 20 rodadas. 

A média da posse de bola do time tricolor é de 48%. Dos 20 jogos disputados na competição, a equipe teve mais posse do que os rivais em seis. Nelas obteve três vitórias, dois empates e uma derrota —aproveitamento de 61,1%.

O desempenho melhora quando o time segura menos a bola. São 73,8% de aproveitamento —nove vitórias, quatro empates e uma derrota.

O estilo de jogar sem bola fica evidente até quando a equipe sai para buscar o gol. O padrão é apostar na velocidade e em poucos toques para surpreender o adversário. De acordo com o serviço de estatísticas FootStats, o São Paulo é quem dá menos toques na bola, em média, para fazer um gol —201 passes.

Dos cinco primeiros na tabela, apenas o Grêmio não tem essa característica. Vice-líder, o Inter é o quarto no ranking, com 277 passes —atrás de Palmeiras (264) e Atlético-MG (266), segundo e terceiro no quesito, respectivamente. 

“Isso é uma estratégia, nós jogamos assim. Não precisa ter a bola para jogar mais que o outro time, tem de fazer o melhor para ganhar o jogo”, analisa Diego Aguirre.

O São Paulo lidera outra lista que o ajuda a estar na liderança: o da eficiência nas finalizações. O time precisa de 6,36 chutes para marcar um gol. O Internacional 8,71.

 
O reforço do meia-atacante Éverton também ajudou o clube a crescer ofensivamente. Até por isso, a maior parte das jogadas são-paulinas que acabam em gol saem pelo lado esquerdo, setor do jogador. 

Dos 33 gols marcados até agora pela equipe, 52% saíram pela esquerda. A boa fase do lateral Reinaldo também colabora para os bons números ofensivos do time tricolor. 

Jogadas pelo meio resultaram em 15% dos gols. E, pela direita, onde o equatoriano Rojas tem feito boas atuações, saíram os outros 33%.

Pelo desempenho, como alertou o próprio treinador, que em pouco mais de cinco meses implantou o estilo cisplatino do São Paulo atuar, o clube do Morumbi começou a ser apontado como um dos favoritos ao título de 2018.

“Os jogadores estão aceitando muito bem nossa proposta. É uma oportunidade maravilhosa para todos os que estão aqui”, acrescentou o técnico. 

O jogo deste domingo (26), às 11h, contra o Ceará, será delicado. Os quase 60 mil torcedores que estarão no Morumbi saberão como o time lida com o favoritismo. E se consegue atuar de outra forma.

SÃO PAULO x CEARÁ 
Domingo (26) 11h, Morumbi
Na TV: Pay-per-view

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