Após suposta manifestação pró-Bolsonaro, CBV proíbe expressões políticas

Em comemoração, jogadores formam o número do presidenciável com as mãos

Seleção brasileira de vôlei
Imagem postada no Instagram da CBV (que depois foi apagada), na qual os jogadores da seleção fizeram uma suposta manifestação a favor do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) - Reprodução
Carolina Canossa
São Paulo

A tranquilidade trazida pela vitória no tie-break sobre a forte França pela segunda rodada do Mundial masculino de vôlei durou pouco: nesta sexta-feira (14), uma polêmica a respeito de uma suposta manifestação de apoio de dois jogadores do time, Wallace e Maurício Souza, ao candidato a presidência Jair Bolsonaro (PSL) estourou nas redes sociais entre os fãs de vôlei.

São duas imagens, ambas publicadas no Instagram oficial da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) e no site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) respectivamente após as vitórias sobre o Egito, na estreia do torneio na quarta (12) e os franceses na quinta (13).

Nelas, Souza faz um sinal de 1 com as mãos, enquanto Wallace faz o 7, formando o número do candidato.

Questionada pelo Saída de Rede se, de fato, tratava-se de uma manifestação de cunho político e se a CBV dava algum tipo de orientação aos integrantes da seleção a respeito deste tema, a entidade limitou-se a dizer que, apesar de "não se permitir controlar redes sociais de atletas, não compactua com manifestações políticas" e que a "gestão da seleção irá tomar providências para não permitir que aconteçam manifestações coletivas".

Ambas as fotos já foram deletadas da rede social da CBV, mas permanecem à disposição no site da FIVB no momento da publicação deste texto.

Na internet, torcedores da seleção dividem-se entre aqueles que acham que os dois possuem o direito de se manifestar politicamente e os que acreditam que a equipe nacional não é o melhor lugar para isso.

Em geral, entidades esportivas proíbem qualquer exposição relacionada ao assunto entre os atletas que participam de seus torneios —o Comitê Olímpico Internacional (COI), por exemplo, desautoriza expressamente manifestações políticas nas Olimpíadas, assim como a Fifa no futebol, sob risco de multas e exclusões.

No site da FIVB, o único documento que trata do assunto se refere a proibições entre uniformes de atletas de vôlei de praia. Procurada pelo blog sobre o caso do Brasil no Mundial de vôlei, a entidade ainda não se manifestou.

Confira a nota na íntegra:

"A CBV repudia qualquer tipo de manifestação discriminatória, seja em qualquer esfera, e também não compactua com manifestação política. Porém, a entidade acredita na liberdade de expressão e, por isso, não se permite controlar as redes sociais pessoais dos atletas, componentes das comissões técnicas e funcionários da casa. Neste momento, a gestão da seleção irá tomar providências para não permitir que aconteçam manifestações coletivas"

UOL
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