Árbitros de tênis podem criar associação após episódio com Serena

Português Carlos Ramos foi chamado de "ladrão" pela tenista americana

Serena Williams grita com o árbitro português Carlos Ramos, durante a final feminina do Aberto dos Estados Unidos de tênis
Serena Williams grita com o árbitro português Carlos Ramos, durante a final feminina do Aberto dos Estados Unidos de tênis - Danielle Parhizkaran - 8.set.2018/USA TODAY Sports
São Paulo

A discussão envolvendo a tenista americana Serena Williams e o árbitro português Carlos Ramos, na final feminina do Aberto dos Estados Unidos, no último sábado (8), deixou a categoria de juízes de tênis preocupada a ponto de pensar em criar uma entidade própria para defender seus interesses.

De acordo com reportagem do jornal inglês The Guardian, muitos árbitros ficaram revoltados com a lentidão da ITF (Federação Internacional de Tênis), que demorou quase 48 horas após a confusão para emitir um posicionamento em defesa de Ramos.

Na final do Aberto dos Estados Unidos, Serena Williams discutiu asperamente com o árbitro português, inconformada por ter recebido uma advertência após seu treinador, Patrick Mouratoglou, orientá-la da arquibancada por meio de gesto com as mãos. A japonesa Naomi Osaka foi a campeã do torneio.

Pelas regras do tênis, os treinadores não podem se comunicar com seus atletas durante as partidas. Serena ficou irritada com a advertência, negou ter recebido qualquer orientação do técnico e exigiu que a marcação fosse revogada, o que não ocorreu.

Na sequência da partida, ainda revoltada com a primeira marcação, a americana seguiu discutindo com o árbitro, principalmente após ter recebido uma nova advertência, desta vez por ter quebrado uma raquete em quadra, o que lhe custou um ponto.

Por fim, após chamar o português de "ladrão", ela foi punida com a perda de um game. Serena foi multada em US$ 17 mil (R$ 70 mil) em razão das três punições.

Segundo o The Guardian, vários árbitros ficaram irritados também porque tanto a WTA (Associação de Tênis Feminino) quanto a USTA (Associação de Tênis dos Estados Unidos) apoiaram o argumento de Serena de que a punição por ter chamado Ramos de ladrão teve motivação sexista.

Para esses árbitros, as entidades deixaram Ramos, um dos mais experientes do circuito, exposto nesse caso.

A criação de uma entidade, de acordo com o jornal inglês, seria uma forma de proteção aos juízes, que são contratados pelos organizadores dos torneios e temem perder seus empregos caso façam alguma manifestação pública.

Segundo um juiz, que teve sua identidade preservada pelo The Guardian, os árbitros de tênis não têm nenhum meio independente de representação. Além disso, são proibidos de falar com a imprensa e não contam com apoio das entidades oficiais.

Em texto publicado nesta terça no site português Tribuna Expresso, o jornalista Miguel Seabra, amigo de Ramos, relata que recebeu mensagem dele comentando a polêmica.

“Estou bem, tendo em conta as circunstâncias. É uma situação chata, mas arbitragem ‘à la carte’ não existe”, disse, destacando que não decide de acordo com o tenista.

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