Palco de jogo do Brasil, Nova York vive rivalidade recente no futebol

New York City Football Club e New York Red Bulls fazem clássico regional

Danielle Brant
Nova York

Comparado com clássicos brasileiros, como um Corinthians e Palmeiras, que se digladiam há mais de cem anos em uma disputa que extrapola os gramados, o dérbi entre New York City Football Club (NYCFC) e New York Red Bulls é uma criança. De cinco anos, mais precisamente.

Mas o que falta em histórico é compensado pela rivalidade crescente entre as duas torcidas na Major League Soccer, a primeira divisão do campeonato de futebol dos EUA. O chamado dérbi do rio Hudson tem levado cada vez mais fãs aos estádios.

A última partida entre as equipes, realizada em 22 de agosto, atraiu 30.139 torcedores ao estádio do time de beisebol New York Yankees, onde o NYCFC manda seus jogos. Como comparação, no clássico de maio entre Corinthians e Palmeiras pelo Brasileiro, o público total foi de 35.246.

Daniel Royer (esq.) e Tim Parker, do New York Red Bulls, comemoram gol durante partida da equipe pelo Campeonato Americano
Daniel Royer (esq.) e Tim Parker, do New York Red Bulls, comemoram gol durante partida da equipe pelo Campeonato Americano - Andrew Soong - 19.ago.18/Xinhua

Os Yankees são um dos donos do clube nova-iorquino, fundado em maio de 2013. O outro sócio também é estrelado: a City Football Club, do Abu Dhabi United Group, mesmo grupo que controla o britânico Manchester City.

Desde que o clube americano foi criado, os árabes têm se esforçado para alavancar o time em um país pouco afeito à modalidade mais popular no Brasil.

Os Red Bulls são mais antigos. O time surgiu em 1995 com o nome de New York MetroStars. Onze anos depois, foi comprado pela empresa que dá nome à bebida energética. É o único entre os dois a ter estádio próprio: a arena Red Bull foi inaugurada em 2010.

Foi lá que a seleção brasileira treinou nos últimos três dias para o confronto contra os Estados Unidos, nesta sexta-feira (7).

O jogo será no estádio MetLife, em Nova Jersey, onde atuam os time de futebol americano New York Giants e New York Jets e um dos estádios que os Red Bulls usavam antes de ter sua própria casa.

O aumento do número de torcedores ano após ano é resultado da estratégia de fazer contratações de peso, principalmente pelo lado do NYCFC. David Villa, campeão mundial com a Espanha em 2010, é um dos astros do time.

A tática não é nova. O Los Angeles Galaxy já fazia o mesmo nos anos 2000, quando montou um elenco com o britânico David Beckham, contratado em 2007. Mais recentemente, a equipe contratou o sueco Zlatan Ibrahimovic.

Antes dele, o nova-iorquino Cosmos recorreu à estratégia, ao contratar Pelé, que estava em fim de carreira, nos anos 1970. Cosmos esse que, hoje, disputa outra liga americana, a North American Soccer League, que era uma espécie de segunda divisão até ter seu reconhecimento suspenso pela federação americana.

O espanhol David Villa, campeão do mundo em 2010, é o grande astro do New York City FC
O espanhol David Villa, campeão do mundo em 2010, é o grande astro do New York City FC - Seth Wenig/Associated Press

A rivalidade também tem sido inflamada pelo que parece ser um maior equilíbrio entre as duas equipes.

Neste ano, os Red Bulls venceram duas partidas contra o NYCFC por 4 a 0 —em maio e junho.

Em julho, porém, o rival se saiu melhor e ganhou por 1 a 0. No mês passado, ambos empataram por 1 a 1.

Em 14 partidas disputadas até hoje, porém, o NY Red Bull leva vantagem, com oito vitórias. O time também impôs a maior goleada no clássico: um 7 a 0 em maio de 2016.

Para Daniel Feuerstein, jornalista esportivo, sem um estádio próprio, falta ao NYCFC uma identidade —sim, ele torce para os Red Bulls.

“Todo mundo tem que construir seu próprio estádio. Senão o time não é visível. O estádio dos Yankees não foi feito para futebol”, diz.

Ele afirma que, mesmo que a rivalidade com o time local esteja aumentando, o verdadeiro antagonista dos Red Bulls é outro: o DC United, de Washington, criado em 1994.

“O DC sempre ganhou de nós, mas nas últimas vezes conseguimos vencer. É a rivalidade mais forte até hoje”, diz.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.