Descrição de chapéu The New York Times

Polícia dos EUA reabre investigação de Cristiano Ronaldo, acusado de estupro

Português é acusado de ter violentado Kathryn Mayorga em 2009

Cristiano Ronaldo lamenta chance perdida
O atacante português Cristiano Ronaldo lamenta chance perdida na vitória da Juventus sobre o Napoli por 3 a 1, pelo Campeonato Italiano, no último sábado (29) - Marco BERTORELLO - 29.set.2018/AFP
Kevin Draper
Nova York | The New York Times

A polícia metropolitana de Las Vegas anunciou em comunicado na segunda-feira ter reaberto uma investigação quanto a uma denúncia de estupro apresentada por uma mulher que disse ter sido agredida pelo astro do futebol Cristiano Ronaldo.

Em resposta a questões apresentadas por organizações noticiosas, a polícia divulgou um comunicado informando que havia voltado a investigar o caso, depois de a vítima prestar novas informações, embora não tivesse revelado o nome da mulher envolvida ou o de qualquer suspeito.

A mulher, Kathryn Mayorga, abriu um processo contra Cristiano Ronaldo, o astro português que joga pelo clube italiano Juventus, na quinta-feira, no condado de Clark, Nevada. Ela disse que recebeu US$ 375 mil do jogador para retirar suas queixas, e que havia assinado um acordo de confidencialidade.

Em transmissão ao vivo no Instagram, o jogador classificou as acusações como "fake news".

 

Alguns documentos que um representante de Mayorga afirmam sustentar sua acusação foram publicados pela revista alemã Der Spiegel. A equipe de advogados de Ronaldo definiu sua publicação como “gritantemente ilegal”.

Em comunicado, Christian Schertz, advogado de Ronaldo, ameaçou a Der Spiegel e qualquer organização noticiosa que reproduza suas reportagens, mencionando a privacidade do jogador.

"A reportagem dA Der Spiegel é gritantemente ilegal. Viola os direitos pessoais de nosso cliente Cristiano Ronaldo de maneira excepcionalmente séria. É uma reportagem inadmissível de suspeitas na área de privacidade. Seria portanto ilegal reproduzir essa reportagem. Fomos instruídos a afirmar imediatamente todas as reivindicações sob a lei de imprensa, contra a Spiegel, especialmente reivindicações por danos morais em quantia correspondente à gravidade da violação, que é provavelmente uma das violações de direitos pessoais mais graves dos últimos anos".

Mayorga afirma que o ataque ocorreu na manhã de 13 de junho de 2009, em uma suíte no Palms Place Hotel. Ronaldo, que estava em meio a uma transferência milionária do Manchester United para o Real Madrid, conheceu Mayorga em uma casa noturna em Las Vegas e a convidou, e a outras pessoas, para visitar sua suíte.

De acordo com a petição judicial de Mayorga, ela denunciou o ataque à polícia mais tarde no mesmo dia, e recebeu um exame médico durante o qual foram recolhidas provas, um procedimento ocasionalmente descrito como um "kit de estupro".

Uma porta-voz da polícia de Las Vegas confirmou que Mayorga havia apresentado uma queixa e que havia passado pelo exame, mas disse que ela não revelou o nome da pessoa acusada. O caso foi reaberto a pedido de Mayorga no mês passado.

No ano passado, a Der Spiegel noticiou a existência do acordo entre ela e Ronaldo. A revista havia recebido documentos —entre os quais uma cópia não assinada do acordo e uma carta de seis páginas que Mayorga escreveu a Ronaldo como parte dele— por meio do Football Leaks, um site semelhante ao WikiLeaks que já divulgou publicamente dezenas de documentos confidenciais relacionados ao esporte.

A Der Spiegel disse ter contatado Mayorga repetidamente antes da publicação, mas que ela se recusou a falar.

Kathryn Mayorga
Reprodução de video da norte-americana Kathryn Mayorga, 34, que acusa Cristiano Ronaldo de estupro. Segundo a revista alemã Der Spiegel, , alega ter sido abusada sexualmente pelo português em um quarto de hotel em Las Vegas, em 2009 - Reprodução/Spiegel Online

Na época, a agência de Ronaldo descreveu a reportagem como "ficção jornalística" e ameaçou processar a revista.

Na sexta-feira (28), a Der Spiegel publicou novo artigo, desta vez com participação extensa de Mayorga e com provas documentais adicionais.

Ela disse à Der Spiegel que havia decidido violar o acordo de confidencialidade porque os novos advogados que contratou não acreditavam que fosse válido. Mayorga também disse ter sido inspirada pelo movimento contra abusos surgido nos EUA #MeToo.

Os documentos adicionais obtidos pela Der Spiegel incluem o relatório sobre o exame médico de Mayorga e correspondência entre os advogados de Ronaldo. O relatório informa que Mayorga foi tratada por duas horas no hospital e que seus ferimentos foram fotografados.

A correspondência entre os advogados de Ronaldo inclui um questionário e respostas submetidas por ele, seu cunhado e seu primo, que o acompanhavam na noite em questão.

De acordo com a Der Spiegel, havia múltiplas versões das respostas ao questionário. Em uma das versões, Ronaldo afirma que Mayorga disse "não" e "pare" diversas vezes, e que "ela disse que não queria, mas se ofereceu mesmo assim". Essas respostas não constam de versões posteriores do questionário.

O advogado de Mayorga, Leslie Mark Stovall, mencionou a queixa de sua cliente, provas físicas sobre o ataque, o questionário e o acordo entre ela e o futebolista como provas de que as afirmações de Mayorga não eram "notícias falsas".

Ele também prometeu que "divulgaria como 'abafadores' encobrem e facilitam ataques sexuais pelos ricos e famosos"

Tradução de PAULO MIGLIACCI

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