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Após exigência da F-1, GP Brasil terá esquema de segurança inédito

Acordo foi firmado em setembro; no ano passado, equipes foram vítimas de violência

Alex Sabino Luciano Trindade
São Paulo

Preocupada com a segurança na cidade de São Paulo, a F-1 tomou medidas inéditas para o GP Brasil deste ano. A organização da prova exigiu das autoridades maior vigilância, monitoramento  24 horas por câmeras em locais de maior perigo e aumento do policiamento a partir desta quarta-feira (7) até domingo (11), quando acontece a prova no autódromo de Interlagos

Sebastian Vettel lidera após largada no GP Brasil do ano passado, em Interlagos
Sebastian Vettel lidera após largada no GP Brasil do ano passado, em Interlagos - Carl de Souza-12.nov.17/AFP

Um dirigente da categoria disse à Folha que, até o ano passado, a preocupação não era tão grande, mas incidentes de violência no último GP amedrontaram os funcionários das equipes.

A Williams, por exemplo, admite que as escuderias terão esquema de segurança maior do que no passado.
Nos dias anteriores à corrida de 2017, oito mecânicos e engenheiros da Mercedes foram rendidos por assaltantes. Tiveram mochilas, passaportes, relógios e celulares roubados na saída do autódromo.

Funcionários da Sauber e da Pirelli, fornecedora de pneus, sofreram tentativas de assaltos em áreas próximas ao circuito.

Dirigentes da F-1 se reuniram em setembro com representantes da Polícia Militar, da Secretaria de Segurança Pública estadual, da prefeitura de São Paulo e da organização da prova.

A categoria exigiu melhoria na segurança, algo que jamais havia sido feito desde que a prova voltou a ser disputada em Interlagos, em 1990.

Por solicitação dos dirigentes, a PM e a Guarda Civil Metropolitana identificaram pontos considerados críticos de segurança para o público e as equipes. Decidiram aumentar o monitoramento desses locais. A polícia não revelou que locais tiveram segurança reforçada por considerar a informação sigilosa.

Além da vigilância eletrônica, a PM se comprometeu a reforçar o patrulhamento da região do autódromo de Interlagos a partir desta quinta, mas não revelou o número de policiais. Segundo a assessoria da Guarda Civil, o efetivo para o GP deste ano será 30% maior. Passará de 571 agentes para 744.

O público terá acesso ao local a partir da manhã desta sexta (9), quando acontece o primeiro treino livre, às 11h.

Campeão novamente neste ano, Lewis Hamilton aponta para os mecânicos após vencer o GP Brasil de 2016
Campeão novamente neste ano, Lewis Hamilton aponta para os mecânicos após vencer o GP Brasil de 2016 - Nacho Doce-13.nov.16/Reuters

Embora o plano de segurança não tenha sido revelado, a Folha apurou que o policiamento será reforçado nos trajetos dos hotéis mais utilizados pelas escuderias e nos pontos de entrada e saída do autódromo. As equipes foram orientadas a utilizarem rotas específicas para evitar riscos. 

A Folha enviou mensagens para as assessorias de imprensa de todas as equipes que vão disputar a prova, além da Pirelli, questionando sobre a preocupação com a segurança após os problemas de 2017.

Segundo a Williams, todas as escuderias vão receber segurança adicional em relação ao ano passado, seguindo protocolo iniciado na prova do México, realizada no final de outubro.

A McLaren afirma ter sido informada pelos dirigentes da categoria a respeito das reuniões com os organizadores da prova. “Além das melhorias [de segurança] que foram providenciadas, a equipe terá suas próprias medidas de segurança, que não podemos revelar por motivos operacionais”, afirma a assessoria.

Equipe que teve funcionários assaltados no ano passado, a Mercedes diz confiar no plano de segurança planejado para o evento desta semana e que está em consultas com as autoridades brasileiras para tomar as melhores medidas possíveis, embora estas não possam ser detalhadas. 

A Red Bull admite ter recomendado a seus funcionários ficarem alertas, mas que este é um pedido padrão.
Haas e Renault informaram não poderem discutir este assunto publicamente. A Force India pediu que a reportagem entrasse em contato com as autoridades da prova para tratar do assunto. 

A Sauber se limitou a dizer esperar que tudo corra bem neste ano. As demais escuderias não responderam.

Uma das marcas que tiveram funcionários vítimas de tentativa de assalto no ano passado, a Pirelli não ofereceu nenhuma recomendação adicional para a viagem deste ano a São Paulo.

Para a prova deste ano, a Prefeitura de São Paulo investiu R$ 36 milhões em reformas dentro e fora do autódromo. Isso aconteceu apesar de o governador eleito do estado e ex-prefeito João Doria ter afirmado que dinheiro público não seria mais usado em obras em Interlagos e que a corrida do ano passado seria a última sob o comando da Prefeitura. 

Nenhuma das duas promessas se cumpriu. Foram gastos R$ 7,4 milhões em obras dentro do autódromo e R$ 28,5 milhões em infraestrutura.

O projeto de concessão do autódromo está em tramitação na Câmara Municipal e foi aprovado pelos vereadores em primeira votação. É necessário receber parecer favorável em nova sessão antes de ser sancionado pelo prefeito Bruno Covas. Não há previsão para isso, mas a Prefeitura espera que aconteça até o final do primeiro semestre de 2019.

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