Conmebol nega pedido do Boca e confirma final da Libertadores

Clube queria os pontos da partida adiada e, com isso, ser declarado campeão continental

Alex Sabino
São Paulo

O Tribunal de Disciplina da Conmebol negou nesta quinta (29) o pedido do Boca Juniors para receber os pontos da final da Libertadores contra o River Plate e, com isso, ser declarado campeão.

Isso significa que a partida, marcada para 9 de dezembro, no estádio Santiago Bernabéu, em Madri, na Espanha, deverá acontecer. A decisão está marcada para às 17h30 (horário de Brasília) e terá a presença liberada das duas torcidas.

Nos jogos na Argentina, a equipe visitante não pode levar público. 

O tribunal publicou também as sanções para o River Plate pelo adiamento da final, que deveria ter sido realizada no último sábado (24).

Torcedor do River Plate em frente a cordão de policiais antes da partida adiada em Buenos Aires no último sábado
Torcedor do River Plate em frente a cordão de policiais antes da partida adiada em Buenos Aires no último sábado - Alberto Raggio-24.nov.18/Reuters

O clube terá de fazer os dois próximos confrontos como mandante, em torneios da confederação sul-americanas, sem a presença de público. Será obrigado também a pagar uma multa de US$ 400 mil (cerca de R$ 1,5 milhão). 

"O futebol deve ser uma festa esportiva, onde todos os fãs podem assistir. Queremos lembrar à América do Sul e ao mundo que o futebol pode e deve viver em paz e que a paixão esportiva e o respeito pelo rival são valores complementares que podem coexistir", disse o presidente da Conmebol, Alejandro  Domínguez. 

O adiamento no último sábado aconteceu porque o ônibus que levava a delegação do Boca Juniors foi alvo de pedras e garrafadas próximo ao estádio Monumental de Nuñez, casa do River. As janelas foram quebradas e jogadores se feriram. Eles também passaram mal por causa do gás de pimenta atirado pela polícia e que entrou no veículo. O volante Pablo Pérez foi levado para um hospital.

Será a primeira vez que a Copa Libertadores será definida fora da América do Sul.

A Conmebol queria levar a partida para Doha, no Qatar. O governo do país aceitou pagar as viagens das duas equipes, dar US$ 7 milhões de premiação (cerca de R$ 28 milhões) e dar ao River Plate o dinheiro para reembolsar os torcedores que comparam o ingresso.

Por sugestão do presidente da Fifa, Gianni Infantino, a final foi para a Europa. Seria em Paris, no estádio do PSG, que pertence à empresa ligada à família real do Qatar. Domínguez preferiu levar o jogo para Madri por causa da atenção da mídia e pela quantidade de argentinos que vivem na região. Pelo bom relacionamento (a Qatar Airways, que também tem ligação com a família real da nação árabe, assinou contrato de patrocínio com a Conmebol), o governo do Qatar manteve a oferta do pagamento para a decisão acontecer na Espanha.

Em comunicado de imprensa, o Boca Juniors disse que vai esgotar todas as medidas jurídicas e deverá recorrer. Mesmo assim, o clube não vê outra alternativa que não seja entrar em campo no dia 9, em Madri. 

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