Football Leaks acusa presidente da Fifa de favorecer Manchester City e PSG

Emails mostram que presidente ajudou clubes a evitarem punições da Uefa

São Paulo

Documentos obtidos pelo site Football Leaks e publicados pelo diário alemão Der Spiegel mostram que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, trabalhou para acobertar infrações ao Fair Play Financeiro cometidos por Manchester City (ING) e Paris Saint-Germain (FRA). Na época, o suíço era secretário-geral da Uefa.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, coça o queixo enquanto participa de Congresso da Conmebol em Buenos Aires
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, participa de Congresso da Conmebol em Buenos Aires - Martin Ruggiero-12.abr.18/Associated Press

Os dois clubes são controlados por empresas das famílias reais do Oriente Médio. O Manchester City pertence aos Emirados Árabes. O Paris Saint-Germain, ao Qatar.

Em 2014, se esperava que os times sofressem sanções que poderiam causar até expulsão da Champions League, mas a Uefa fez um acordo com os clubes. 

O Fair Play financeiro é uma norma criada pela Uefa para evitar, na teoria, que os times gastem no futebol mais do que conseguem arrecadar.

Em um email enviado por Infantino a Khaldoon Al Mubarak, presidente do City, o hoje máximo mandatário do futebol deu sugestões de como o clube poderia escapar das punições e o tranquilizou. Ele também teve reuniões com dirigentes do time inglês e do PSG e repassou a eles material da Uefa considerado confidencial.

De acordo com o Football Leaks, Infantino fez o possível para esvaziar o trabalho do CFCB (sigla em inglês para Departamento de Controle Financeiro dos Clubes), responsável por analisar os dados financeiros das equipes e apurar se o Fair Play Financeiro havia sido desrespeitado.

Graças à influência de Infantino, a Uefa fez vistas grossas para acordo de patrocínio do PSG com a Autoridade de Turismo do Qatar no valor de 200 milhões de euros (R$ 842,5 milhões em dinheiro atual) por dois anos. O acordo era considerado superfaturado por especialistas do mercado e o clube não seria obrigado a colocar qualquer marca na camisa, no estádio ou mesmo um link em seu site oficial. Seria apenas uma forma da família real do Qatar disfarçar a injeção de recursos no clube.

O Manchester City foi autorizado a registrar em sua contabilidade três vezes mais rendimentos do que o valor real. 

Para selar o acordo, segundo o Football Leaks, dirigentes do City, entre eles Ferran Soriano, diretor executivo do Manchester City e ex-vice-presidente do Barcelona, ameaçaram processar a Uefa e fazê-la perder milhões de euros.

Os dois clubes foram multados em 20 milhões de euros (R$ 84,2 milhões).

A publicação alemã também acusa Infantino, presidente da Fifa desde 2016, de comprometer seriamente o poder de investigação do Comitê de Ética, atenuar relatórios sobre corrupção, abafar investigações e se cercar apenas de pessoas dispostas a seguir 100% as ordens do cartola. 

A assessoria da Fifa negou as acusações contra o presidente e as atribuiu a "falsos rumores e insinuações" de ex-dirigentes da entidade que "estão atualmente enfrentando processos criminais na Suíça e no exterior".

O PSG divulgou nota em que diz sempre ter obedecido as leis e regulamentos impostos pela Uefa ​e afirma que o contrato com Autoridade de Turismo do Qatar é conhecido do público desde 2014.

O Manchester City afirmou que não comentaria as informações obtidas em documentos "supostamente hackeados e roubados do City Football Group" e que a "tentativa de manchar a reputação do clube é organizada e clara".

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