Juiz do Comitê de Ética da Fifa é preso acusado de corrupção

Entidade decidiu afastar o malaio de suas atividades até o fim das investigações

Eileen Ng
Kuala Lumpur | Associated Press

O juiz do Comitê de Ética da Fifa, Sundra Rajoo, foi preso nesta quarta-feira (21) na Malasya suspeito de corrupção. Ele renunciou do cargo que ocupava no Centro de Arbitragem Internacional.

O advogado do malaio, Cheow Wee, disse à Associated Press que seu cliente foi preso pela Comissão Malasiana Anti-Corrupção (MACC) após voltar de Zurique em uma viagem de negócios pela Fifa.

Wee afirmou que Rajoo foi solto mais tarde e responderá ao processo em liberdade após a corte recusar a ordem de prisão de sete dias contra ele: “O juiz concordou com nossa posição de que ele [Rajoo] tem imunidade diplomática e privilégios”.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, com as mãos no queixo durante conferência na Conmebol.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante conferência na Conmebol. - Martin Ruggiero-31.out.2018/Associated Press

“Ele não pode ser preso ou detido e não está sujeito à nossa [malaia] jurisprudência criminal”, completou o advogado.

Wee disse também que a Comissão Malasiana Anti-Corrupção tentou a prisão de seu cliente para proteger e continuar as investigações sobre as alegações de que o juiz de ética teria aceitado favores financeiros conseguidos por meio de seu cargo.

Em nota, a Fifa disse que "à luz das investigações", o presidente da câmara adjudicatória, Vassilios Skouris, "decidiu com efeito imediato que Rajoo não será mais evolvido em nenhuma atividade" da respectiva câmara e que a decisão vale enquanto a investigação estiver em curso. Não foi possível fazer contato com a MACC.

O malaio foi escolhido pelo presidente Gianni Infantino, ano passado, para ser um dos dois membros da Câmara Adjudicatória do Comitê de Ética da entidade.

Desde que Rajoo se tornou membro da Fifa, seu comitê foi responsável por sentenciar contra diversos cartolas do futebol (dentre eles, Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF) acusados de corrupção, como desdobramento de investigações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Ele foi indicado pela Confederação Asiática de Futebol e fez parte da ampla mudança nos integrantes do órgão que ocorreu em maio de 2017, supervisionada por Infantino, e que tinha como intenção formar uma nova equipe de especialistas "independentes".

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