VAR quebra resistência das principais ligas e domina a elite europeia

Campeonato Inglês e Champions League farão uso da tecnologia a partir de 2019

Sala de operações do árbitro de vídeo durante a Copa do Mundo da Rússia, em 2018
Sala de operações do árbitro de vídeo durante a Copa do Mundo da Rússia, em 2018 - Mladen Antonov/AFP
Bruno Rodrigues
São Paulo

Após enfrentar resistência de dois dos seus principais torneios, o árbitro de vídeo enfim dominará a elite do futebol europeu a partir de 2019.

Nesta segunda-feira (3), depois de reunião do Comitê Executivo da Uefa em Dublin, na Irlanda, a entidade anunciou a utilização do VAR já nesta edição da Champions League, com início na fase de oitavas de final do torneio, que começará em fevereiro do ano que vem.

Em novembro, a Premier League também havia anunciado a implementação do árbitro de vídeo para a próxima temporada do Campeonato Inglês.

A chegada da tecnologia às duas ligas representa a quebra da última barreira de resistência ao VAR entre as principais competições de clubes do continente. 

Depois da Copa do Mundo da Rússia, que contou pela primeira vez em sua história com o recurso, Espanha e França colocaram em prática o auxílio eletrônico em seus campeonatos nacionais. Itália, Alemanha e Portugal já o utilizavam.

A Uefa anuncia a novidade meses depois de seu próprio presidente, o esloveno Aleksander Ceferin, afirmar que a Champions League ainda não estaria pronta para receber o VAR.

Em abril deste ano, o dirigente se referiu à competição como uma Ferrari ou um Porsche para justificar a demora de implementação da tecnologia em relação a outros torneios europeus. "Você não pode dirigir de primeira, precisa de treino, testes off-line. Tem de entender como funciona", disse.

No anúncio da entidade nesta segunda, porém, Ceferin voltou atrás e falou do benefício que poderá trazer para a evolução das competições europeias. 

"Estamos prontos para utilizar o VAR antes do inicialmente planejado e estamos convencidos de que será benéfico para nossas competições já que irá prover uma ajuda valiosa aos árbitros e permitirá reduzir decisões incorretas."

Quem pode se dizer aliviado com a decisão da Uefa é o ex-árbitro italiano Pierluigi Collina. Durante a última Copa do Mundo, ele se viu em meio a uma saia justa com relação ao uso do árbitro de vídeo. Isso porque ele é presidente da Comissão de Arbitragem da Fifa, que utilizou o VAR amplamente no Mundial, e defendia a utilização do recurso no torneio.

Porém, ao mesmo tempo, Collina é chefe de arbitragem na Uefa, que até pouco tempo relutava em implementar o VAR. Quando falava sobre o uso em competições da entidade europeia, adotava discurso cauteloso, assim como seu chefe, o presidente Aleksander Ceferin.

Segundo levantamento da Folha​, o árbitro de vídeo entrou em ação 26 vezes durante o Mundial. Em 15 delas, a decisão inicial da arbitragem passou por reformulação após consulta.

Além da Champions League, a Uefa informou que o árbitro de vídeo também será usado na final da Europa League, nas finais da Liga das Nações e na Eurocopa sub-21, todos em 2019.

No Brasil, o auxílio eletrônico apareceu somente na Copa do Brasil, a partir das quartas de final.

No Campeonato Brasileiro, a CBF desejava que os clubes arcassem com os custos de implementação --cerca de R$ 20 milhões por todos os jogos da competição, divididos entre os 20 clubes da Série A. As equipes, porém, consideraram o custo alto e não aprovaram o uso da tecnologia para o Nacional. 

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.