Com dupla nacionalidade, Naomi Osaka pode ter que escolher entre Japão e EUA

Tenista número 1 do mundo é a atual campeã do US Open e do Australian Open

São Paulo

Vencedora dos dois últimos torneios do Grand Slam e desde já candidata a estrela dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, a tenista Naomi Osaka, 21, poderá ter que tomar uma decisão importante no seu próximo aniversário.

Em 16 de outubro, Osaka, nascida no Japão e com nacionalidade americana, completará 22 anos. Uma lei japonesa prevê que até essa idade os cidadãos nascidos no país com dupla nacionalidade optem por permanecer com apenas uma delas.

A medida não é exclusividade japonesa. Um estudo de 2015 da Universidade de Maastricht  mostrou que 27% dos países têm leis para revogar automaticamente a nacionalidade original de quem passa a ter uma segunda.​

A tenista, filha de mãe japonesa e pai haitiano, vive nos Estados Unidos desde que tinha três anos de idade. De acordo com seu pai, a escolha por defender o Japão ocorreu porque a associação de tênis do país forneceu mais suporte a ela no início de carreira do que a americana.

No ano passado, Osaka foi a primeira tenista japonesa a ganhar um Grand Slam, após vencer Serena Williams na final do US  Open.

No último sábado (26), ela derrotou Petra Kvitova para conquistar o Australian Open e tornar-se a primeira tenista asiática a liderar o ranking mundial.

Rapidamente, Osaka se transformou em um ícone do esporte no Japão. Por isso, a discussão sobre a aplicação da lei ao seu caso virou motivo de debate.

A existência da regulamentação, porém, não significa que Osaka certamente terá que abrir mão de uma das suas nacionalidades.

Em teoria, o governo japonês pode emitir uma advertência para quem completa 22 anos e deixa de informar sua escolha. Caso a pessoa não se manifeste, corre o risco de ter sua condição de japonesa automaticamente revogada.

Na prática, a situação é bem diferente. O governo local disse ao The Japan Times que, desde que a regra foi criada, em 1985, não há registros de que o Ministério da Justiça tenha forçado alguém nascido no país a abdicar de sua segunda nacionalidade.

A explicação de especialistas do país é que legislação foi criada com o objetivo de desencorajar essa situação, mas sem realmente forçar alguém a cumprir a regra.

Segundo o governo, o número de pessoas que abrem mão da nacionalidade japonesa cresceu nos últimos anos, chegando a 770 em 2017.

Tímida, Osaka ainda está se acostumando ao papel de nova estrela do tênis. Pelo menos até outubro, a questão da dupla nacionalidade deve ser mais uma a alimentar debates a seu respeito.

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