Clubes órfãos da Caixa baixam valor de camisa, mas não conseguem patrocínio

Só 4 dos 25 times apoiados pelo banco em 2018 obtiveram novos parceiros

Em 2018, Flamengo tinha o maior contrato entre os clubes patrocinados pela Caixa
Em 2018, Flamengo tinha o maior contrato entre os clubes patrocinados pela Caixa - Ricardo Moraes/Reuters
Alex Sabino
São Paulo

Dos 25 clubes que estavam nas séries A e B do Campeonato Brasileiro em 2018 e foram patrocinados pela Caixa Econômica Federal, apenas 4 conseguiram um patrocínio para substituir o banco estatal.

Após a eleição de Jair Bolsonaro, executivos da Caixa avisaram aos presidentes das equipes que não estava nos planos da estatal manter o patrocínio de clubes de futebol.  

"É possível fazer coisas 100 vezes melhores com menos recursos do que gastar com publicidade em times de futebol", disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, no último dia 7, durante cerimônia de posse do novo presidente do banco, Pedro Guimarães.

Leia também: Que time perde mais com corte de patrocínio da Caixa

Dos clubes patrocinados pela instituição financeira em 2018, apenas Atlético-MG (BMG), Ponte Preta (Pilot pen), CSA (Carajás Home Center) e Paysandu (Banpará) conseguiram novos patrocinadores para o espaço mais nobre do uniforme.

O Paysandu conseguiu, com a ajuda da federação local, contrato com o banco do estado do Pará. A empresa é a patrocinadora do estadual. O clube vai receber cerca de R$ 1,5 milhão, queda de receita comparada com os R$ 3,9 milhões pagos pela Caixa.

O banco estatal injetou R$ 191,7 milhões no futebol em 2018. O valor inclui também o apoio a campeonatos estaduais no Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e Sergipe, além da Copa do Nordeste e da Copa Verde.

 

Entre os 21 times restantes, a maioria tenta fazer acordos pontuais, válidos por curto período. O Bahia colocou a Canaã Alimentos, que tem contrato para explorar a região dos ombros da camisa, no espaço mais importante do uniforme depois de a marca ajudar na contratação do centroavante Fernandão. Criciúma e CRB fizeram o mesmo.

Há os que usam o espaço de maneira institucional, enquanto não conseguem patrocínio. É o que já fizeram Santos, Cruzeiro, Londrina, Vitória, Ceará, Coritiba, Goiás e Fortaleza. O Santos fez duas partidas no estadual com desenho no uniforme que homenageava o aniversário da cidade de Santos, que aconteceu em 26 de janeiro.

Flamengo, América-MG, Athletico-PR, Paraná Clube, Avaí, Atlético-GO, Vila Nova, e Sampaio Corrêa preferiram deixar a camisa sem nenhuma logomarca até que consigam um novo acordo. Botafogo e Sport continuam exibindo a marca da Caixa porque os contratos de patrocínio terminam apenas em fevereiro.

A saída da estatal abriu um rombo no orçamento dos clubes. O Flamengo, dono do maior contrato de patrocínio com o banco, R$ 32,6 milhões em 2018, ainda não conseguiu substituto. Considerado o faturamento de R$ 595 milhões em 2017 (segundo estudo do Itaú BBA), os R$ 32 milhões da Caixa representam 5,4% da receita anual da agremiação.

O Santos estampou em sua camisa um logo em homenagem ao aniversário da cidade do litoral
O Santos estampou em sua camisa um logo em homenagem ao aniversário da cidade do litoral - Ivan Storti/Santos FC

"Ainda mantemos esperança de que é algo temporário e a Caixa vai perceber que é um bom negócio para a marca patrocinar os clubes. Mesmo que seja com valores menores, mais dentro da realidade", afirma o presidente do Goiás, Marcelo Almeida.

Há um movimento de dirigentes para que isso aconteça. Mandatários de clubes que ficaram sem patrocínio apelaram a diretores do banco e pediram ajuda a deputados federais para pressionar a Caixa a mudar de ideia.

Um dos dirigentes que mais poderia ajudar nessa causa seria Rafael Tenório, presidente do CSA. Em outubro do ano passado, ele foi eleito suplente de senador na chapa de Renan Calheiros (MDB-AL). 

"A Caixa não me faz falta nenhuma. Eu quero que eles [da estatal] passem bem longe do CSA. A Caixa teve muito retorno e entregou muito pouco. Ainda nos devem 30% do valor do patrocínio. Todo mês tínhamos de dar 60 camisas oficiais para o banco, 60 ingressos para todos os jogos, sendo 40 de camarotes, contratar empresa para medir quantas pessoas assistiam aos jogos, que eram R$ 80 mil por mês, colocar placas no CT, no estádio. Mais um pouco teria de colocar a marca da Caixa na cueca. Estamos melhores sem eles", se queixa Tenório.

Houve a esperança de que o BMG poderia preencher parte do vácuo deixado pela estatal. O banco, que já investiu em patrocínios e contratações de jogadores, fechou acordo com Atlético-MG e Corinthians (que foi patrocinado pela Caixa até 2017). Mas segundo o presidente da empresa, Ricardo Guimarães, vai parar por aí.

"Estamos com esse dois clubes e a princípio não vamos patrocinar outros", afirmou.

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