Descrição de chapéu Campeonato Brasileiro

Clubes aprovam e Brasileiro de 2019 terá árbitro de vídeo

Proposta foi aceita pelas equipes, que terão de pagar R$ 18 mil por jogo

Árbitro Wagner do Nascimento Magalhães consulta o VAR em lance de pênalti durante a final da Copa do Brasil do ano passado
Árbitro Wagner do Nascimento Magalhães consulta o VAR em lance de pênalti durante a final da Copa do Brasil do ano passado - Marcello Fim-17.out.18/Ofotográfico/Folhapress
Luiz Cosenzo Alex Sabino
São Paulo

Por unanimidade, os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro aprovaram o uso do VAR (árbitro de vídeo) em 2019.

A proposta foi apresentada pela CBF e votada pelos representantes das equipes em reunião de conselho técnico que aconteceu nesta sexta (22) à tarde, na sede da entidade, no Rio de Janeiro.

Após resistência dos clubes em arcar com os custos da tecnologia, a Confederação afirmou que pagaria pela implementação. Os times ficariam encarregados apenas dos custos dos árbitros de campo e dos operadores do sistema.

A Folha apurou que o custo será de R$ 348 mil por ano para cada equipe. São R$ 18 mil por jogo como mandante, já que o custo de cada um dos três integrantes do VAR custará R$ 6 mil, já incluídos transporte aéreo e hospedagem.

Para a CBF, o custo será de R$ 31 mil para cada jogo. No total do campeonato, a entidade vai desembolsar R$ 11,8 milhões.

"É um custo aproximado. Vai variar de acordo com os custos. Mas é um dinheiro que os clubes aceitaram pagar para ter o recurso", diz Raimundo Tavares, presidente do conselho deliberativo do CSA, que representou o clube na reunião.

A CBF informou aos clubes que " assumirá, integralmente, os custos com tecnologia e infraestrutura, cabendo aos clubes apenas o pagamento das despesas com o capital humano, como ocorre, tradicionalmente, com as equipes de arbitragem”. 

Uma parte das equipes aceitava pagar pelo equipamento para evitar erros de arbitragem durante a competição. Mas havia os cartolas que diziam ser impossível incorporar tal gasto ao orçamento.

"A reunião foi proveitosa. Gostamos do resultado, especialmente do VAR. Ficou definido que as câmeras usadas pelo árbitro de vídeo serão as mesmas utilizadas pela emissora que estiver transmitindo o jogo", afirma Marcelo Almeida, presidente do Goiás.

A equipe do VAR ficará dentro do estádio, em um local seguro a ser escolhido pelo mandante. No ano passado, foi considerada a possibilidade deles serem colocados em um local na mesma cidade da partida, mas longe do estádio para evitar pressões.

"A CBF disse que disponibilizará áudio e vídeo caso tenha algum questionamento no STJD [Superior Tribunal de Justiça Desportiva]. Poderemos pedir. Vai ser disponibilizado algo que seja julgado. Não uma reclamação normal”, completa Lásaro Cunha, vice-presidente do Atlético-MG.

"Acho que deve  ser trabalhado para conquistar um patrocinador e ser zerado [o custo do VAR]. Da credibilidade a utilização do árbitro de vídeo", analisa Marcelo Paz, presidente do Fortaleza. 

O VAR já foi utilizado no ano passado em competição organizada pela CBF. E teve papel preponderante. Na final da Copa do Brasil, entre Corinthians e Cruzeiro, o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães usou o recurso eletrônico para marcar um pênalti para a equipe paulista e lhe anular um gol.

O recurso, aprovado pela Fifa, também entrou em uso na Copa do Mundo do ano passado e influiu em decisões também na final. Graças ao vídeo, o juiz argentino Nestor Pitana assinalou pênalti para a França quando a partida com a Croácia estava empatada em 1 a 1.

Não foram divulgados detalhes de quantas câmeras serão utilizadas no Campeonato Brasileiro. Na Copa do Brasil, foram de 14 a 16, menos do que no Mundial da Rússia (entre 33 e 35).

O projeto original da CBF, elaborado pelo ex-árbitro Manoel Serapião Filho, lances considerados interpretativos, como marcação de pênaltis e faltas, não poderiam ser revistos. Apenas lances indiscutíveis, como impedimento ou se a bola entrou ou não.

“No protocolo original não existia essa possibilidade [de revisar jogadas interpretativas]. Nosso projeto não tinha monitor ao lado do campo. Mas no momento em que a Copa do Mundo colocou o monitor e também teve lances de interpretação, não poderíamos ficar na contramão”, afirma Serapião Filho. Ele também atua como supervisor de árbitro de vídeo para treinamento da CBF. 

Mas os clubes recusaram outra proposta da CBF, que era a de limitar a uma a troca de técnico para cada clube durante a competição. A maioria dos dirigentes considerou inviável e questionou como seria implantada em caso de demissão por justa causa, em caso de saída por decisão do próprio treinador e outros detalhes. 

"Foi um assunto novo e que não tinha sido discutido anteriormente. Por isso, os clubes resistiram a tomar uma decisão tão drástica sem uma discussão mais longa. Tentei fazer uma proposta intermediária, que seria a possibilidade de duas trocas este ano e uma em 2020. Essa minha proposta foi vencida sobre outra de ter não ter controle sobre isso. A tendência é que agora não seja mais discutido", disse Guilherme Bellintani, presidente do Bahia.

O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, pediu que este assunto não fosse colocado em pauta no conselho técnico do próximo ano.

Em votação, foi aprovado o limite de inscrição para 45 jogadores, sendo que cinco podem ser trocados no decorrer do torneio. Atletas das categorias de base até 20 anos não entram na restrição. Neste ano, por causa da Copa América, a janela de transferências no futebol brasileiro será aberta apenas em julho.

No próximo ano vai ser colocado em discussão a implantação do fair play financeiro, que determina que os clubes não podem investir mais no futebol do que consegue arrecadar. 

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