No Super Bowl, Rams tenta fazer Los Angeles abraçar o futebol americano

Cidade tradicionalmente mostra mais empolgação com seus times de basquete e beisebol

Daniel E. de Castro
São Paulo

Futebol americano não é o primeiro esporte que vem à cabeça quando se fala em Los Angeles, reduto dos tradicionais Lakers, 16 vezes campeão da NBA, e Dodgers, segundo time com mais aparições na final da liga de beisebol dos EUA, a MLB.

Três anos após voltar à Califórnia, o Los Angeles Rams tenta fazer a segunda maior cidade do país abraçar de vez a bola oval. Neste domingo (3), a equipe enfrenta o New England Patriots no Super Bowl 53, que vale o título da temporada 2018/2019 da NFL.

Originário de Cleveland na década de 1930, o Rams (o nome se refere a uma espécie de carneiro que vive em montanhas e tem chifres curvados) chegou a Los Angeles em 1946 e ficou até 1994.

Jogadores do Rams comemoram touchdown em jogo dos playoffs no Coliseum
Jogadores do Rams comemoram touchdown em jogo dos playoffs no Coliseum - Harry How - 12.jan.19/AFP

As raízes criadas não impediram uma mudança para Saint Louis (no estado de Missouri, a quase 3.000 km de distância). No mesmo ano, o Raiders também saiu da cidade e voltou a Oakland.

Assim, Los Angeles ficou sem times da NFL por mais de duas décadas, até o retorno do Rams, em 2016. No ano seguinte, o Chargers também mudou-se de San Diego para lá.

Apenas duas vezes um time da cidade chegou ao Super Bowl. O Los Angeles Rams perdeu em 1980, e o Los Angeles Raiders triunfou em 1984.

Neste ano, Rams e Chargers fizeram boas campanhas e deram ânimo aos seus torcedores. Ainda assim, permanece no imaginário do país a ideia de que a cidade não respira o esporte. Ou ainda que aprecia a NFL, mas não torce de verdade para as equipes locais.

Há ainda o fato de que muitas pessoas vindas de outras partes do país carregam seus times de preferência quando se mudam para Los Angeles.

Ao mesmo tempo em que o mercado da Califórnia atrai, a concorrência com outras formas de entretenimento, esportivo ou não, é pesada.

A média de público registrada pelo Rams na temporada regular de 2018 (72.429) foi a 10ª melhor entre os 32 times da liga. A franquia atua no Los Angeles Memorial Coliseum, estádio construído em 1923 e que recentemente teve sua capacidade reduzida de 93 mil para 78 mil espectadores.

Se ainda não aproveita todo o potencial da cidade, a equipe também não passa vergonha. Já no último ano em Saint Louis, o Rams teve a pior média de público da NFL.

Los Angeles nunca poderá ser comparada a Green Bay, por exemplo, a cidade com pouco mais de 100 mil habitantes no estado de Wisconsin que é tomada por camisetas verde-amarela e chapéus de queijo (símbolo da torcida) em dias de jogo do Packers.

Ainda assim, no Rams os relatos são de que a boa campanha do time ajudou a mudar o comportamento da torcida.

Torcedores do Los Angeles Rams em jogo da equipe nos playoffs
Torcedores do Los Angeles Rams em jogo da equipe nos playoffs - Sean M. Haffey - 12.jan.19/AFP

"Não lembro em que jogo do ano passado, mas a torcida estava 50-50. Você escutava os nossos fãs e os deles. [Agora] não importa quem apareça no nosso estádio, os fãs do Rams dominam", disse o recebedor Robert Woods.

A previsão é que a partir de 2020 Rams e Chargers dividam um moderno estádio. O Los Angeles Stadium at Hollywood Park receberá o Super Bowl de 2022 e a Olimpíada de 2028. Sua capacidade será de 70 mil lugares, com a possibilidade de chegar a 100 mil em grandes eventos.

Além de dar a Los Angeles a chance de um raro triunfo no futebol americano, o Super Bowl será mais um episódio da rivalidade esportiva com Boston. O New England Patriots é de Foxborough, cidade vizinha em Massachusetts.

Boston Celtics e Los Angeles Lakers foram responsáveis durante muito tempo pela maior rivalidade da NBA. Em 2018, Boston Red Sox e Los Angeles Dodgers decidiram a MLB. Neste domingo o protagonismo será todo de Patriots e Rams.

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