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Polêmicas e definições sobre estádio marcaram Rosenberg no Corinthians

Dirigente pediu demissão após comparar Itaquerão com mulher com HIV

Luciano Trindade
São Paulo | Agora

Durou um ano a segunda passagem de Luis Paulo Rosenberg como membro da diretoria do Corinthians. O cartola exercia o cargo de diretor de marketing desde fevereiro de 2018, quando Andrés Sanchez foi eleito novamente presidente do time alvinegro e indicou o economista para a função. 

No período, Rosenberg acumulou êxitos e fracassos, mas sobretudo polêmicas, como a recente comparação que fez da arena alvinegra a uma mulher com Aids. Ele se desculpou, mas a declaração o levou a pedir o desligamento do cargo , nesta segunda-feira (25). Ele sofreu pressão de conselheiros da oposição e até de grupos ligados à gestão de Andrés.

Luis Paulo Rosenberg, ex-diretor de marketing do Corinthians
Luis Paulo Rosenberg, ex-diretor de marketing do Corinthians - Carla Carniel/Código19/Folhapress

A insatisfação com o trabalho de Rosenberg no Parque São Jorge foi externada publicamente por alguns conselheiros, que criticaram a forma como foi conduzida a negociação do patrocínio com o BMG, a dificuldade para vender os naming  rights do estádio e, mais recentemente, a campanha da "religião corintiana", considerada por parte dos torcedores corintianos como de mal gosto e desrespeitosa.

O dirigente, contudo, obteve sucesso ao renegociar a dívida do clube com a Caixa Econômica Federal. Ele também firmou uma parceria com a IBM para modernizar toda a infraestrutura de tecnologia do estádio.

Sucessos e fracassos de  Rosenberg ​

Patrocínios 

O contrato firmado com o banco BMG, com valor fixo de R$ 12 milhões por ano, foi alvo de uma série de críticas de conselheiros. O Palmeiras, por exemplo, recebe R$ 80 milhões do seu principal patrocinador. 
Conselheiros consideram baixo o valor pago. Inicialmente, o Corinthians indicou que receberia R$ 30 milhões por ano, mas depois explicou que esse valor contém a parte fixa e uma previsão de lucro que poderá ser gerada com contas abertas por torcedores corintianos. Ao explicar as cláusulas do contrato, Rosenberg disse à Folha que Andrés não havia entendido o acordo. A afirmação gerou revolta de grupos ligados ao presidente.

Além do contrato com o BMG, Rosenberg levou para o Corinthians acordos com outras cinco empresas: PES (R$ 3,5 milhões), Positivo (R$ 6,5 milhões), Joli (R$ 4 milhões), Potty (R$ 2 milhões) e Universidade Brasil (R$ 2,4 milhões). 

Assim como em sua primeira passagem pelo clube, quando esteve à frente do projeto do estádio, o cartola não conseguiu avançar em negociações para a venda do nome da arena corintiana, que seria uma das principais fontes de receita para o pagamento do financiamento do empreendimento. Um comentário sobre a dificuldade de vender o direito ao nome foi o que determinou a saída do cartola.​

Corinthianismo

Rosenberg voltou a ser alvo de críticas por idealizar uma campanha de marketing com a criação de uma religião corintiana. No vídeo publicitário, o clube utiliza símbolos católicos e a imagem do ex-jogador Sócrates como um profeta. A peça foi alvo de críticas de conselheiros, torcedores e até de ex-jogadores do clube, como Casagrande, que atuou junto com Sócrates na época da Democracia Corintiana.

"Por conhecer bem o Sócrates, eu acho que ele não se colocaria nessa posição [de profeta]. O Sócrates era humilde. Todos valiam a mesma coisa na roda dele", afirmou o ex-jogador, hoje comentarista da Rede Globo.

Dívida com a Caixa

Após uma negociação que durou quase um ano, Rosenberg ajudou o Corinthians a fechar um novo fluxo de pagamento das parcelas do financiamento feito junto ao banco estatal. O clube pagará um valor menor em meses com menos partidas (novembro, dezembro, janeiro e fevereiro). Sem o acordo, o clube não conseguiria honrar o pagamento da dívida em dia. Segundo o diretor financeiro Matias Romano Ávila, o time alvinegro já pagou R$ 125 milhões ao banco e ainda deve R$ 425 milhões. Além disso, há também a dívida com a Odebrecht, que pode chegar a R$ 800 milhões.

Parceria com a IBM
 
Em dezembro do ano passado, o cartola ajudou o Corinthians a fechar um contrato com a americana IBM para modernizar toda a infraestrutura de tecnologia da arena alvinegra e também do programa Fiel Torcedor, ambos então administrados pela Omni.

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