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Três jogadores planejam não ir à Casa Branca após título do Super Bowl

Nomes do campeão New England Patriots disseram que recusariam convite de Trump

Tom Brady mostra o troféu do Super Bowl durante desfile em carro aberto por Boston, após vitória sobre o Los Angeles Rams
Tom Brady mostra o troféu do Super Bowl durante desfile em carro aberto por Boston, após vitória sobre o Los Angeles Rams - Billie Weiss-5.fev.19/AFP
Niraj Chokshi
Nova York | The New York Times

Pelo menos três jogadores do New England Patriots declararam que não irão à Casa Branca caso convidados a celebrar lá a vitória do time no Super Bowl.

Em entrevistas separadas, Duron Harmon, Jason McCourty e Devin McCourty disseram que recusariam o convite para uma visita. Embora nenhum dos três tenha explicado o motivo, o presidente Trump há muito tempo causa polarização entre os atletas profissionais, especialmente depois de seus ataques a Colin Kaepernick, ex-quarterback do San Francisco 49ers, e a outros jogadores que protestaram em campo contra a brutalidade policial e a injustiça racial.

Em entrevista depois do jogo de domingo à noite, Harmon, que é "safety", disse a um repórter do site TMZS Sports que não iria, caso convidado. "Eles não me querem na Casa Branca", declarou Harmon.

Quando o entrevistador perguntou se Harmon preferiria um encontro com o ex-presidente Barack Obama, em lugar disso, Harmon deu a entender que sim.

"Ei, Obama, cara, é só me chamar", ele disse. "Amamos você, por aqui".

Em entrevistas à Associated Press, os McCourty, que são gêmeos, também disseram que provavelmente não participariam de uma viagem a Washington.

 

Os presidentes dos Estados Unidos tradicionalmente convidam times campeões para comemorarem suas vitórias na Casa Branca, ainda que Trump tenha cancelado pelo menos dois convites desse tipo depois de jogadores terem declarado publicamente que não compareceriam.

No ano passado, ele retirou o convite ao Philadelphia Eagles, vencedor do Super Bowl, depois que se tornou claro que quase todos os jogadores e membros da comissão técnica boicotariam a visita. Em 2017, Trump retirou um convite ao Golden State Warriors depois que um dos jogadores do time da NBA, Stephen Curry, declarou que não compareceria.

Os jogadores e treinadores que rejeitaram os convites tipicamente o fazem por conta das declarações e políticas de Trump, especialmente seus ataques contra Kaepernick, que passou a ouvir de joelhos a execução do hino nacional americano antes de partidas da NFL em 2016, em protesto contra a brutalidade policial para com os negros.

Já o relacionamento entre o Patriots e o presidente é mais complicado.

O dono do time, Robert Kraft, é partidário declarado de Trump há muito tempo e o considera como amigo, ainda que tenha criticado o presidente por sua resposta aos protestos jogadores durante a execução do hino nacional. Bill Belichick, o treinador do Patriots, escreveu uma carta de apoio a Trump dias antes da vitória deste na eleição presidencial de 2016. E Tom Brady, o quarterback e astro do time, há muito enfrenta questões sobre seu relacionamento com Trump, de quem ele é amigo há anos.

Quando Trump convidou o Patriots para uma visita à Casa Branca depois da vitória do time no Super Bowl de 2017, pelo menos duas dúzias de jogadores faltaram ao evento, entre os quais Brady, que disse que precisava visitar sua mãe, que estava doente. Harmon e Devin McCourty tampouco compareceram, e Jason McCourty ainda não jogava pelo time.

Na época, um porta-voz do Patriots informou que 34 jogadores haviam comparecido ao evento na Casa Branca em 2017, presença semelhante à de comemorações realizadas na Casa Branca durante a presidência de George W. Bush, em 2004 e 2005. Quando Obama recebeu o time, em 2015, quase 50 jogadores compareceram.

O porta-voz citou outro fator que poderia afetar o comparecimento: as vitórias frequentes do Patriots em Super Bowls. Com elas, os jogadores veteranos de um time que conquistou três títulos da NFL nos últimos cinco anos poderiam ver uma visita à Casa Branca como nem tão relevante, não importa quem seja o ocupante do Gabinete Oval.

E Trump pode estar no centro de muitas controvérsias mas não é o único presidente que teve de enfrentar protestos de um atleta. Em 2012, Tim Thomas, goleiro do Boston Bruins, um time de hóquei, recusou o convite para um evento na Casa Branca de Obama em protesto pelo que descreveu como um governo federal "que escapou completamente ao controle".

Tradução Paulo Migliacci

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