Descrição de chapéu Tóquio 2020

Vôlei de praia inicia corrida olímpica após mudanças de duplas em série

Última das diversas trocas juntou campeão olímpico Bruno com campeão mundial Evandro

Daniel E. de Castro
Rio de Janeiro

Se ganhar medalhas olímpicas não é algo surpreendente para as duplas de vôlei de praia do Brasil, o que acontece entre duas edições dos Jogos tem uma dose grande de imprevisibilidade.

Em menos de um ano, dois momentos de trocas nas parcerias masculinas determinaram o cenário para a corrida em busca das duas vagas do país em Tóquio-2020.

O primeiro foi em maio de 2018. O rompimento dos atuais campeões olímpicos, Alison Cerutti, 33, e Bruno Schmidt, 32, levou a um efeito dominó que alterou a composição das principais formações.

Bruno iniciou parceria com Pedro Solberg, 32, e Alison passou a jogar com o campeão mundial de 2017 André Stein, 24. Evandro, 28, que havia vencido o Mundial com André, se juntou a Vitor Felipe, 27. O impacto provocado pelo grupo de elite atingiu ainda outras duplas do circuito.

Neste mês foram anunciadas novas mudanças. Bruno agora é parceiro de Evandro. Como Pedro e Vitor decidiram se unir, a ciranda terminou aí.

No último fim de semana, Bruno e Evandro estrearam com título na etapa do circuito brasileiro em Fortaleza, confirmando a expectativa criada sobre a nova dupla.

O primeiro torneio que contará pontos para a classificação olímpica será a etapa do circuito mundial no Qatar, a partir de 12 de março.

“Foi maravilhoso jogar com o Pedro, mas sentia que precisava de algo a mais. Senti que a mudança não estava me dando oportunidade de jogar no meu melhor, de formar a equipe mais competitiva possível. Quando chegou o convite [de Evandro] veio a calhar, porque a gente pode se moldar a todas as equipes do circuito mundial”, diz Bruno à Folha.

Apelidado de “mágico”, o campeão olímpico se destaca principalmente pela habilidade na defesa. Já o novo parceiro, de 2,10 m, chama a atenção no saque e no bloqueio. Eles treinam no CT Leblon, no Rio de Janeiro, sob o comando de Ednílson Costa, que já trabalhava com Evandro.

O técnico pensa no centro de treinamento como uma empresa, onde todos precisam cumprir metas. Por isso, analisa as mudanças em série como algo normal no meio.

“Vejo que o lado pessoal era muito mais importante antes. Estou tentando deixar isso de lado e encarar como um emprego qualquer. Em um trabalho de excelência, se alguém não atinge a meta, você vai buscar outro que atinja”, diz.

Já para Evandro, a afinidade com o parceiro é fundamental: “Se você não tiver uma boa relação é bem difícil. Com o vínculo, você consegue perceber se ele não acorda bem, pode ajudar chamando o jogo, falando uma besteira para colocar ele para cima. Eu já consegui mudar jogo assim com meus outros parceiros”.

Bruno segue a linha de pensamento do técnico e frisa que o esporte está cada vez mais competitivo. Por isso, buscar o melhor encaixe tornou-se questão de necessidade.

Atualmente, as duplas europeias dominam o ranking, e a parceria a ser batida hoje é norueguesa. Mesmo assim, ele sabe que a pressão por medalha em 2020 será grande.

“O Brasil perdeu a Copa do Mundo da Rússia para a Bélgica, mas todo o mundo falava que a Bélgica era o melhor time. No futebol todos têm um entendimento, não fica aquela cobrança maluca de que amarelou. Já no vôlei de praia, o pessoal acha que em pleno 2020 só Brasil e Estados Unidos sabem jogar”, diz.

Mais estáveis, duplas femininas projetam páreo duro por vagas

Se os homens ainda precisam de tempo para se adaptar às mudanças, as duplas femininas vivem ciclo olímpico mais estável. Hoje existem cinco times com boas chances de disputar as duas vagas do país no Japão. Quatro deles estão juntos pelo menos desde 2017.

A vice-campeã olímpica Ágatha, 35, atua com Duda, 20, eleita a melhor jogadora do mundo no ano passado.

Medalhista com Ágatha no Rio de Janeiro, Bárbara Seixas, 31, passou a formar dupla com Fernanda Berti, 33, ex-jogadora de vôlei de quadra.

“Quanto mais tempo você fica com a sua parceira, melhor. Exige muita resiliência para entender o que ela precisa e como vocês podem render juntas. Isso é acertado com o tempo”, afirma Bárbara.

Maria Elisa, 35, que disputou os Jogos de Londres-2012, firmou parceria com Carol Solberg, 31, em maio de 2017. A atleta também não vê como positivas as trocas constantes.

“Quando você forma um time, você vira sócio do seu parceiro e passa a administrar uma instituição. Não acredito nessa coisa de troca de dupla o tempo inteiro. É difícil, porque você precisa reorganizar a casa. Acho que o feminino trilhou um caminho mais fiel, mais estável”, afirma.

Também estão no páreo Ana Patrícia, 21, e Rebecca, 25, juntas desde 2016 e que tiveram bons resultados recentemente. Já Talita, 36, com três participações em Olimpíadas, voltou a atuar no fim de 2018 após engravidar. Ela engatou parceria com Taiana, 34.

Para as mulheres, a primeira etapa que contará pontos na classificação olímpica será disputada no fim de abril, na China. Com a corrida mais do que nunca no radar das jogadoras, agora é hora de apostar no entrosamento e encarar a concorrência, que promete ser uma das mais acirradas.

“Exige uma concentração, uma entrega, agora o buraco é mais embaixo. Estou numa forma física em que não estava havia dois anos”, diz Maria.

Fernanda demonstra estar ansiosa para realizar o sonho de disputar os Jogos pela primeira vez. “As pessoas me perguntam quantas horas por dia eu treino e me dá vontade de responder 24, porque eu como pensando nisso, durmo pensando nisso, tudo o que eu faço na minha vida faz parte do treinamento.”

Como funciona a classificação olímpica

Irão aos Jogos de Tóquio as duas melhores duplas do país em cada gênero no ranking olímpico, que contabilizará os pontos do Mundial de 2019 e dos dez melhores resultados nos torneios de 4 e 5 estrelas do circuito mundial de março de 2019 a fevereiro de 2020

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