Entre grandes, Neymar iguala Messi e perde para Pelé com 10 anos de carreira

Atacante do PSG e da seleção completou uma década de futebol profissional

São Paulo

Apontado desde a adolescência como futuro maior jogador do país, Neymar, 27, chega a dez anos como profissional acumulando títulos, fortuna, mas ainda sem atingir as metas máximas traçadas para ele: levar a seleção brasileira a uma final de Copa do Mundo e ser eleito o melhor do planeta.

O atacante do Paris Saint-Germain fez a primeira partida em 7 de março de 2009, no Pacaembu, quando o Santos enfrentou o Oeste, pelo Campeonato Paulista.


Entre grandes jogadores da história do futebol brasileiro e mundial, Neymar não fica atrás dos principais craques do esporte na comparação pelo número de títulos conquistados nos primeiros dez anos de carreira. 

Com 22 troféus, ele perde apenas para Pelé (23) e está igual a Lionel Messi (22). Mas pode chegar aos 24 até o final da temporada europeia, em maio, se o PSG conquistar a liga e a Copa da França.


Na primeira década como profissional, Pelé, Maradona, Ronaldo, Romário, Kaká, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho já haviam sido campeões mundiais com suas seleções. Cruyff e Messi disputaram a final, mas perderam.

Neymar jogou duas Copas. Em 2014, sofreu lesão na coluna nas quartas de final contra a Colômbia e não esteve em campo na goleada por 7 a 1 sofrida pelo Brasil diante da Alemanha, assim como na disputa de terceiro e quarto contra a Holanda (3 a 0 a favor dos holandeses). 

No ano passado fez as cinco partidas da equipe de Tite no torneio na Rússia, até a eliminação contra a Bélgica por 2 a 1 em Kazan. Suas atuações ficaram marcadas pelas acusações de que simulava faltas em campo.

“Ficou difícil defender o Neymar por todas essas coisas que ele faz além de jogar futebol. E eu conversei com ele, disse que futebol ele tem. Ele deu azar porque a seleção não ganhou a Copa e ele ficou marcado. Estive duas vezes com ele na Europa, a gente conversou e eu expliquei isso. ‘Pô, futebol Deus te deu o dom. O que você fez é que complicou’”, disse Pelé em entrevista à Folha em 2018.

Outra vitória que até agora escapou do brasileiro é o prêmio de melhor do mundo, algo que parecia questão de tempo quando foi vendido pelo Santos para o Barcelona, em 2013.

 

Desde então, ele conseguiu ser finalista uma vez. Terminou na 3ª posição em 2015, ano em que conquistou a única Champions League da carreira, pelo Barcelona. 

Com a transferência para o PSG em 2017, a mais cara negociação da história do futebol (R$ 995,6 milhões em valores atuais), Neymar voltou a ser a principal estrela do seu time. Já havia obtido esse status no Santos e na seleção, mas no Barcelona não era o maior craque. Nem usava a camisa 10, que tem Messi como dono.

O plano era que, com a troca, o brasileiro teria mais chances de vencer o melhor do mundo da Fifa. O que ainda não ocorreu. 

Entre os maiores nomes da história do futebol, Cruyff, Messi, Cristiano Ronaldo, Ronaldo, Romário, Kaká, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho foram eleitos melhores do futebol pelo menos uma vez nos dez primeiros anos de carreira. 

Pelé nunca foi escolhido porque entre os anos 1960 e 1970 a única premiação do tipo era a Bola de Ouro, entregue pela revista France Football apenas para atletas que estavam no futebol europeu.

Nos dez anos de carreira, Neymar viveu polêmicas. Em seu primeiro ano como profissional, Vanderlei Luxemburgo causou indignação em conselheiros do Santos porque chamou o então franzino atacante de “filé de borboleta”. A interpretação era a de que o técnico desvalorizava o maior patrimônio do clube.

O atacante causou a demissão de Dorival Júnior em 2010 porque o treinador não queria escalá-lo em clássico contra o Corinthians. O jogador havia discutido em público com o técnico por causa de uma ordem para não bater pênalti. 

Usou constantemente as redes sociais para alfinetar os críticos, mesmo que de forma indireta. Esteve em colunas de fofocas quase na mesma medida em que apareceu em cadernos esportivos, como na última semana, quando gerou grande repercussão o seu encontro com a cantora Anitta no Carnaval do Rio de Janeiro.

A vida do brasileiro fora de campo midiática contrasta com a que Messi — de quem Neymar é amigo— leva. O argentino raramente é visto em festas ou eventos público que não os de patrocinadores ou a cerimônia de gala da Fifa, de onde o atacante do Barcelona saiu cinco vezes com o troféu principal.

Fenômeno pop e de marketing como Neymar, Ronaldo viveu cobrança semelhante à que o atacante do PSG sofre atualmente. Principalmente após a derrota na final da Copa de 1998. Quando chegou aos 10 anos de carreira, porém, o ex-camisa 9 da seleção já estava consagrado e com o ápice desportivo alcançado — já tinha vencido o melhor do mundo e era campeão da Copa.

No estágio atual de Neymar na carreira, Pelé já tinha duas Copas no currículo. Foi com uma década como profissional, em 1966, aos 25 anos, que o santista viveu um dos seus momentos mais críticos. Lesionado durante o Mundial da Inglaterra, viu o Brasil ser eliminado.

"Durante a minha carreira, difícil mesmo foi o de 1966. Meu sonho era chegar na Inglaterra e arrebentar porque o inglês que trouxe o futebol para o Brasil. Precisa ver o que treinei, o pessoal daquela época sabe. Me machuquei, saí da Copa e infelizmente o Brasil perdeu", afirmou Pelé à TV Globo.

Quatro anos depois, aos 29 anos, o Rei do futebol levou o Brasil ao tricampeonato mundial.

Com 376 gols e 183 assistências em 574 jogos como profissional, Neymar, aos 27 anos, tem tempo de carreira pela frente e, possivelmente, duas Copas do Mundo no horizonte para atingir todos os objetivos imaginados em março de 2009, quando estreou como profissional.

O que parece certo é que, mais cedo ou mais tarde, deverá assumir a liderança da artilharia histórica da seleção brasileira. Com 60 gols pelo Brasil desde sua estreia com a camisa amarela, em 2010, está atrás apenas de Ronaldo, com 60, e Pelé, com 77.

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