Prefeito trabalha como médico em equipe semifinalista do Baiano

Atlético de Alagoinhas (BA) enfrenta o Bahia nesta quarta-feira (27)

Prefeito Joaquim Neto
Joaquim Belarmino Cardoso Neto, prefeito da cidade de Alagoinhas, com o uniforme do clube da cidade durante jogo do Campeonato Baiano - Divulgaçao
Luiz Cosenzo
São Paulo

Classificado para as semifinais do Campeonato Baiano com a segunda melhor campanha da primeira fase, o Alagoinhas Atlético Clube tem um reforço curioso em seu banco de reservas: o prefeito do município de Alagoinhas, que fica a 122 quilômetros de Salvador.

Joaquim Belarmino Cardoso Neto (DEM), 51, foi eleito em 2016 para seu primeiro mandato como prefeito da cidade e trabalha como médico voluntário do clube há 18 anos. Nesta quarta-feira (27), ele estará no banco do time, que enfrentará o Bahia às 21h30, no estádio Antônio de Figueiredo Carneiro, o Carneirão, em Alagoinhas, pela partida de volta da semifinal da competição.

Sensação do campeonato na primeira fase, a equipe agora precisa vencer por três gols de diferença para obter a classificação para a decisão, já que perdeu o confronto de ida por 3 a 0, na Fonte Nova, em Salvador, na última quinta-feira (21).

“Sou torcedor fanático do clube porque nasci aqui. Quando o estádio foi inaugurado [em 1971], não tinha dinheiro para ir ao campo. Na época, tive que vender laranja na feira para conseguir o ingresso”, conta Joaquim Neto, que diz que sua função no clube não atrapalha suas atribuições na prefeitura.

Prefeito Joaquim Neto
Joaquim Belarmino Cardoso Neto, prefeito de Alagoinhas, durante discurso - Divulgaçao

Segundo ele, os dois jogos do Atlético nesta edição do Baiano realizados fora de casa em dias de semana aconteceram à noite, depois do seu expediente, permitindo que ele comparecesse.

“Apenas cedemos o estádio para o clube. Não contribuímos com recursos financeiros. Quando assumimos a prefeitura, reformamos o estádio com a ajuda das empresas da região”, afirma.

Hoje comandando o orçamento da cidade com cerca de 151 mil habitantes, Joaquim Neto já exerceu o cargo de prefeito de Sátiro Dias (com aproximadamente 20 mil habitantes) por três mandatos: 1997 a 2000, 2001 a 2004 e 2009 a 2012. A distância entre as duas cidades é de 100 quilômetros.

“Trabalhei como médico nessas duas cidades. Construímos um pequeno hospital em Sátiro Dias e uma clínica referência em hemodiálise [Hemovida] aqui em Alagoinhas”, diz.

O fanatismo do prefeito pelo Atlético é comprovado pelo seu comportamento na beira do gramado. Após a vitória por 3 a 2 sobre o Jacuipense, pela última rodada da primeira fase, ele tirou a camisa e comemorou a classificação para a semifinal ao lado dos jogadores e da torcida.

Não é apenas nas comemorações que o prefeito se excede. No ano passado, foi suspenso pelo TJD-BA (Tribunal de Justiça Desportiva) por quatro partidas, além de ter de pagar multa de R$ 2.000 por ofender o árbitro durante jogo contra o Conquista, pela segunda divisão do Baiano. A pena foi convertida em doações.

De acordo com a súmula do confronto, Joaquim Neto disse as seguintes palavras: “Eu sou prefeito de Alagoinhas. Vocês não apitam mais em Alagoinhas, ladrões, vagabundos”.

“Houve uma discussão, no nosso entendimento, futebolística. Achamos que o árbitro deu muitos cartões amarelos para o nosso time e tivemos um jogador expulso. No final, fomos tirar satisfação e, como bom baiano, o árbitro não gostou do jeito que falamos”, conta o prefeito.

“Você tem que ver a euforia dele aqui em campo. Ele gosta muito de futebol”, diz Raimundo Queiróz, 45, presidente do Atlético e responsável por levar o Joaquim Neto para o clube.

Queiróz está na presidência da agremiação desde 2013. Ele já havia sido mandatário da equipe em outras duas oportunidades: 2003 a 2004 e 2006 a 2008.

“Na primeira vez que assumi a presidência do clube, convidei o prefeito para trabalhar como médico. Na oportunidade, ele era prefeito de Sátiro Dias e era médico voluntário da Catuense”, conta Queiróz, que era gerente de uma rede de supermercados na cidade quando assumiu a função de dirigente do clube. Hoje ele trabalha como chefe de gabinete de Joaquim Neto.

“Eu entrei na política assim que o prefeito ganhou a eleição. Até então, nunca tinha me envolvido com política. Ele me fez esse convite e estou ajudando”, diz o dirigente.

 

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