Queria dinheiro e não taça do Mundial do Corinthians, diz advogado

Justiça determina novamente a penhora do troféu do time alvinegro

Luciano Trindade Toni Assis
São Paulo

O advogado Adelmo Emerenciano, que defende o Instituto Santanense de Ensino em uma ação contra o Corinthians, disse que a penhora da Taça do Mundial de Clubes da Fifa 2012 foi o último recurso para tentar receber uma dívida que o clube tem com a universidade.

​Segundo o representante, a prioridade do instituto era ser ressarcido em dinheiro. Além disso, outros bens foram solicitados antes da indicação da taça do segundo título mundial da equipe corintiana.

"Nunca teve maldade de nossa parte, nem a taça do Mundial de Clubes foi nossa primeira opção", afirmou o advogado à Folha. "A Justiça notificou o Corinthians para pagar a dívida, mas o clube não pagou nem indicou um bem para penhora", explicou.

O técnico Tite segura a taça do Mundial de Clubes de 2012 conquistada por ele à frente do Corinthians, no Japão
O técnico Tite segura a taça do Mundial de Clubes de 2012 conquistada por ele à frente do Corinthians, no Japão - Danilo Verpa/Folhapress

Nesta quarta-feira (20), a Justiça de São Paulo suspendeu um recurso do time do Parque São Jorge que impedia a penhora do troféu. O clube perdeu por 3 votos a 0, em decisão tomada pelos desembargadores Paulo Pastore Filho, João Batista Vilhena e Souza Lopes.

Mesmo com a decisão, a Justiça não deve tomar ainda a taça conquistada no Japão, há sete anos. O clube, porém, fica impedido de fazer atividades com o troféu ou mesmo vendê-lo, pois o objeto poderá ser leiloado caso a dívida não seja quitada.

Segundo Emerenciano, antes de pedir a penhora da taça, o Instituto Santanense tentou penhorar recursos em contas bancárias e cartões de crédito do clube, mas não havia saldo suficiente. Depois, o advogado tentou executar parte dos valores da venda de Rodriguinho, em julho de 2018, também sem sucesso. Por fim, houve a tentativa de bloquear o prêmio que o Corinthians recebeu pelo vice da Copa do Brasil de 2018.

"Nossa opção, então, foi pedir a penhora da taça. Mas nosso objetivo nunca foi arranhar a imagem do clube. E o próprio Corinthians poderia pedir a substituição do bem por outro de valor equivalente", afirmou o advogado que representa a universidade.

Ainda de acordo com o representante, o clube deve ao instituto cerca de R$ 2,5 milhões. No começo do ano passado, as partes chegaram a acertar um acordo para o pagamento parcelado desta dívida. "Estava tudo acertado, mas o Corinthians não apresentou garantias do pagamento. Então, se o clube não honrasse, nós teríamos de retomar o processo", argumentou Emerenciano.

"A universidade tem interesse em uma solução amigável, por qualquer meio. Nosso propósito é receber o crédito", acrescentou.

​Leia nota oficial do Corinthians sobre o caso:

O Sport Club Corinthians Paulista informa que não foi intimado pela Justiça sobre qualquer decisão acerca do recurso atinente à penhora da taça do Mundial de 2012 e, portanto, não teve acesso ao teor da suposta decisão veiculada por alguns veículos de comunicação na rede mundial de computadores.

A agremiação trabalha para solucionar o caso e reiteradas vezes ofereceu propostas de acordo, inclusive recentemente propôs parcelamento do valor da referida dívida alegada pelo Instituto Santanense em 6 vezes, à semelhança do que é autorizado por Lei em casos de execução.

O clube aguardará a decisão da Justiça acerca do pedido de parcelamento, bem como aguardará a publicação do acórdão referente à penhora, para voltar a se manifestar. De todo modo, o Corinthians assegura a sua torcida que o imbróglio judicial será resolvido e não considera que a prestigiada e inestimável taça esteja em risco, sendo a penhora medida que tem como único intuito gerar efeito midiático infundado que não condiz com as tratativas que até então vinham sendo mantidas.

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