Descrição de chapéu Campeonato Brasileiro

Clubes abrem negociação com Turner para evitar redutor da Globo

Times tentam vetar exibição de jogos do Brasileiro na cidade da partida

Alex Sabino
São Paulo

À exceção do Palmeiras, os clubes que têm contrato para transmissão do Campeonato Brasileiro com a Turner entraram em nova negociação com a emissora. Requisitaram mais dinheiro e a mudança em um item do acordo que evitaria perda de arrecadação com a Globo.

Atlético-PR, Bahia, Ceará, Fortaleza, Internacional, Palmeiras e Santos assinaram acordo com a Turner para exibição dos jogos de TV fechada entre 2019 e 2024. À exceção é o Internacional, que tem acerto válido apenas até 2020.

Quase todos os times receberam cerca de R$ 40 milhões neste ano, mas o Palmeiras embolsou R$ 100 milhões. A justificativa da Turner é que os R$ 60 milhões de diferença se tratam de um outro contrato para licenciamento de produtos e venda de amistosos. 

A explicação não convenceu os demais clubes. Eles acreditam que os produtos adquiridos valem apenas uma fração do valor pago pela emissora e o documento, na verdade, é pagamento extra pelos direitos de transmissão.

 

A Folha apurou com dirigentes das agremiações envolvidas na negociação que a Turner aceitou pagar cerca de R$ 16 milhões a mais.

A Turner nega qualquer pagamento extra para os clubes, assim como não confirma que o Palmeiras receba mais dinheiro que os demais. Mas os presidentes dos clubes afirmam que o acerto existe.

“Isso tudo já foi acordado com eles [da Turner]. Alguns clubes já assinaram, como nós, por exemplo. Creio que só o Santos ainda não assinou”, afirma Guilherme Bellintani, presidente do Bahia.

“Estamos conversando com a Turner e é boa a chance de chegarmos a acordo. Cada clube tem a soberania para negociar o valor que acha que merece”, confirmou o presidente do Santos, José Carlos Peres.

Outros clubes, como Ceará e Fortaleza, possuem acordo verbal, mas ainda não assinaram nenhum documento.

“Isso [a assinatura] deve acontecer nos próximos dias. Esperamos a minuta do contrato para ver se está tudo bem”, confirma Robinson de Casto, presidente do Ceará.

Além da forma de pagamento e dos valores transferidos ano a ano, os times incluíram na negociação a proibição de transmitir as partidas para as cidades em que elas acontecem. Pelo acordo original, não havia essa restrição.

“Este é um item que foi discutido. Não queremos perder receita”, resumiu o presidente do Fortaleza, Marcelo Paz.

Dos 7 clubes que assinaram com a Turner, 6 chegaram a acordo com o Grupo Globo para as transmissão de seus jogos do Brasileiro em TV aberta. Apenas o Palmeiras ainda não definiu o assunto. Cinco concordaram também com a oferta do grupo para transmissão de partidas em pay-per-view. Athletico-PR e Palmeiras são as exceções.

O contrato com a Globo determina um redutor no valor a ser recebido pelos clubes por causa da impossibilidade da emissora manejar as exibições das partidas em diferentes plataformas, como acontecia até o ano passado, quando tinha monopólio das transmissões. Os clubes acreditam que se a Turner não mostrar os jogos nas cidades em que acontecem, vão evitar a aplicação do redutor pela Globo.

Em TV aberta, a Globo ofereceu R$ 600 milhões a serem divididos pelas 20 equipes, com 40% repartidos de forma igual, 30% de acordo com a classificação final do campeonato e 30% pela quantidade de jogos exibidos. A remuneração do pay-per-view é feita de acordo com pesquisa dos times preferidos pelos assinantes do serviço.

A Turner afirma não poder comentar o assunto porque os contratos são confidenciais.

“A Turner cumpre integralmente os seus contratos firmados e em respeito às cláusulas de confidencialidade, e aos clubes, não comenta essa relação por meio da imprensa. Nós permanecemos em contato constante com os clubes, especialmente agora, que a partir do próximo mês transmitiremos os jogos do Campeonato Brasileiro do qual faremos uma cobertura e transmissão como o torcedor nunca viu”, afirma nota enviada pela assessoria de imprensa da emissora. 

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.