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Simuladores deixam F-1 mais próxima dos jogos virtuais

Protótipos das escuderias reproduzem as condições reais de uma corrida

São Paulo

​Desde que ingressaram na F-1 como pilotos de testes, no início deste ano, os brasileiros Sérgio Sette Câmara, 20, e Pietro Fittipaldi, 22, passaram a ficar de 8 a 10 horas por dia dentro de um cockpit dando voltas nos principais circuitos da categoria.

No entanto, eles não correm exatamente sobre o asfalto, mas sim em simuladores que carregam semelhanças com os jogos virtuais.

O design dos autódromos e a ambientação dos países são os pontos que mais se assemelham entre o game oficial da F-1 e os simuladores das equipes. A mecânica dos protótipos das escuderias ainda vai além do desenho e reproduz boa parte das condições reais de uma corrida.

"Nas simulações de F-1 você tem uma sensação mais completa de estar dentro de um carro, já que existe uma estrutura do banco, pedais, reação do simulador, temperatura, desgaste de pneus etc.", afirma Pietro Fittipaldi, piloto de testes das Haas e neto de Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial (1972 e 1974).

A evolução desses simuladores os tornou peça fundamental para o desenvolvimento dos carros da categoria. Principalmente desde que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) reduziu a quantidade de treinos livres das equipes, há dez anos.

Em um fim de semana de GP, cada equipe tem apenas dois dias, quinta e sexta-feira, para fazer ajustes nos carros antes das baterias classificatórias, que ocorrem no sábado. Já o tempo para desenvolvimento do carro é somente de 16 dias ao longo do ano, sendo oito na pré-temporada.

Assim, participar dos trabalhos de simulação passou a ser parte importante para o desenvolvimento dos carros e a identificação do melhor acerto para as corridas.

"No simulador a gente treina tudo o que pode acontecer nos treinos livres. A gente ajuda a guiar a equipe para saber se vale fazer um ajuste na vida real ou não", afirma Sette Câmara, da McLaren.

"Quando chega a manhã de sábado, os testes estão todos feitos para o treino classificatório. Esse é o nível de importância que eles dão para os simuladores", acrescenta.

"A precisão dos simuladores da F-1 atualmente é realmente fantástica. É possível traçarmos estratégias para as corridas", concorda Fittipaldi.

A relevância dos protótipos, no entanto, não está ligada somente à capacidade deles. Ao limitar o tempo de treinos nas pistas, a FIA pretendia aumentar o equilíbrio na disputa entre as equipes com maior e menor poder financeiro.

Sem essa limitação, as equipes que têm maior orçamento poderiam treinar quase todos os dias e teriam uma vantagem ainda maior na F-1.

"Imagina uma equipe ter só 16 dias para treinar ao longo do ano. É ridículo, de certa forma. Mas o motivo é justo", opina Sette Câmara. Como seu tempo nas pistas dentro do carro da F-1 é limitado, o piloto da McLaren valoriza a disputa do campeonato da F-2, considerada a categoria de acesso para a F-1.

"É como se fosse uma prova para chegar à categoria e o desempenho nos simuladores são os pontos extras. O ideal é fazer tudo bem", afirma.

"O meu trabalho no simulador, junto com os testes com o carro da Haas na pista, me fez ter recebido bons feedbacks da equipe. Acho que uma coisa acompanha a outra", diz Fittipaldi. 

Nesta temporada, a própria FIA passou a fazer uso de um simulador, com o objetivo de testar mudanças técnicas e esportivas nas corridas. Segundo Pat Symonds, um dos diretores técnicos da categoria, o sistema já foi usado para analisar uma possível mudança no grid de largada.

"Construímos um simulador que usa inteligência artificial. Isso permite uma análise estatística das posições dos carros em todos os momentos, o que nos permite dizer: quando fizemos isso, tivemos 3% mais acidentes, tivemos 5% mais ultrapassagens e 20% a mais de disputas lado a lado", diz Symonds.

O sistema desenvolvido pela FIA também vai auxiliar a federação na criação de novos circuitos para a categoria, assim como regras para tornar as corridas mais atraentes para o público, como mais ultrapassagens, por exemplo. A entidade ainda não divulgou os resultados obtidos.

Os pilotos brasileiros mais próximos da F-1 aprovam o uso da tecnologia para auxiliar o crescimento da categoria. "Sou a favor da tecnologia em um esporte, mas o índice de improbabilidade de uma corrida ajuda o automobilismo a ser ainda mais apaixonante para os fãs", diz Fittipaldi.

   

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