Descrição de chapéu Campeonato Paulista

Tiago Volpi tenta espantar jejum desde adeus de Ceni no São Paulo

Com final do Paulista, goleiro busca ser o primeiro campeão após aposentadoria do ídolo

O goleiro do São Paulo, Tiago Volpi, na Barra Funda

O goleiro do São Paulo, Tiago Volpi, na Barra Funda Eduardo Knapp/Folhapress

Bruno Rodrigues Toni Assis
São Paulo

​Decisivo na disputa por pênaltis que classificou o São Paulo na semifinal do Paulista, contra o Palmeiras, Tiago Volpi, 28, tem um desafio pessoal: tornar-se o primeiro goleiro a ser campeão na era pós-Rogério Ceni. 

Desde que o ex-camisa 1 encerrou a carreira, em 2015, a posição passou a ser um fardo difícil de ser carregado no São Paulo. Denis, Sidão, Renan Ribeiro e Jean sucumbiram. Neste domingo (14), Volpi tem a chance de começar a mudar esse enredo.

“[Quero]fazer com que o torcedor possa conhecer o meu trabalho e deixar claro que igual ao Rogério não vai existir outro”, afirmou à TV Globo, em janeiro.

Mas é justamente nas semelhanças com o ex-goleiro são-paulino que o titular de Cuca pode ajudar a equipe no confronto contra os corintianos no Morumbi.

“Ele era audacioso e jogava muito bem com os pés. No pós-treino, ficava ensaiando cobranças de pênaltis e faltas”, diz o preparador físico Norberto Braga, 43, que trabalhou com Volpi em 2013 e 2014, no Figueirense. “Sempre vinha à mente a referência que era o Ceni”, completa. 

Após a partida que selou a classificação do São Paulo no Allianz Parque, Volpi falou sobre o pênalti que ele bateu e desperdiçou e sobre a defesa posterior que acabou decidindo a vaga na final.

“O que eu fiz foi tentar não pensar no erro [do pênalti que Fernando Prass defendeu]. Nos superamos, consegui defender mais uma cobrança e ajudar o São Paulo.”

Se o ambiente no clube agora está ameno pelo fato de o São Paulo estar na final do Paulista, os dois primeiros meses foram marcados pela instabilidade. A eliminação na Libertadores para o Talleres foi o ponto de partida para colocar todo o time em xeque.

Para Volpi, o pior momento foi a derrota para o Corinthians no Itaquerão, em fevereiro. No lance do segundo gol, ele falhou na disputa de bola pelo alto com Vagner Love e, na sobra, Gustavo fechou o placar em 2 a 1 para o rival.

Volpi atuou em 18 jogos e, com ele na meta, o aproveitamento foi de 44% ( seis vitórias, seis empates e seis derrotas). Ele foi vazado 13 vezes, com média de 0,72 gol por partida. É o melhor índice entre os goleiros no período após a saída de Ceni.

Antes do São Paulo, o goleiro já havia  se destacado no Figueirense e no Querétaro, do México.
“Ele sempre comentou que era fanático por Ceni. Depois do treino, ficava uma hora praticando faltas e pênaltis”, lembra também Alejandro Esponda, diretor do clube mexicano. “Tanto que, na final da Copa que disputou com a gente [Copa MX de 2016], além de pegar duas cobranças, ele marcou o seu”.

A obsessão por vitórias também chamou a atenção durante sua experiência internacional. “Não gostava de perder nem cara ou coroa. Competia no treino, fora do treino. Não quer perder absolutamente nada”, completa o dirigente do Querétaro.

Agora, em um clube como o São Paulo, no qual os goleiros sempre tiveram papel de protagonismo nas conquistas, o camisa 23 tenta repetir a história nesta final do Campeonato Paulista.

Para Gilmar Rinaldi, campeão paulista em 1985, 1987 e 1989 e do Brasileiro de 1986, o goleiro vive bom momento.

“O Volpi está apto. O goleiro é 50% técnica e outros 50% confiança e personalidade. O grupo confia muito nele”, afirmou o ex-goleiro, hoje empresário.

Zetti, que estava embaixo das traves nos títulos da Libertadores e do Mundial de clubes em 1992 e 1993, destaca as qualidades técnicas do são-paulino. “Tem elasticidade, rapidez, impulsão e muita firmeza. Além disso, a reposição de bola é eficiente.”

Sobre o fato de ter a sombra de Rogério para superar, Zetti passou a receita para tentar solucionar o problema. 

“Para ele fazer história no Morumbi, tem que ganhar títulos. E ele está num time que sempre ganha títulos. Sinto que o Volpi se entende bem com o elenco e isso é fundamental para um goleiro dar certo no clube”, completa o ex-goleiro.

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