Herói discreto, Lucas superou pior fase da carreira por topo na Europa

Encostado no PSG, brasileiro renasce no Tottenham e chega à final da Champions

Bruno Rodrigues
São Paulo

O meia-atacante Lucas, 26, já está em Madri concentrado para o jogo mais importante da sua vida, a final da Champions League, neste sábado (1º), contra o Liverpool, no Wanda Metropolitano.

Concentrado, na verdade, é um modo dizer, porque ele ainda tem dificuldade de se desligar do último dia 8 de maio, quando marcou os três gols da virada do Tottenham sobre o Ajax, em Amsterdã, que colocou o clube inglês pela primeira vez na decisão do principal torneio europeu.

Lucas em ação no primeiro jogo da semifinal da Champions, contra o Ajax
Lucas em ação no primeiro jogo da semifinal da Champions, contra o Ajax - Adrian Dennis/AFP

"A ficha demorou para cair. Realmente foi uma noite inesquecível. Três gols em uma semifinal de Champions, na casa do adversário e perdendo por 2 a 0. Realmente não é todo dia que acontece. Sempre vejo os gols daquela noite e ainda me emociono muito", diz o brasileiro à Folha.

O atleta falou sobre sua evolução no Tottenham, o período difícil no Paris Saint-Germain e como (e se) enxerga seu futuro na seleção brasileira. Ele não fala sobre outros assuntos: o apoio ao presidente Jair Bolsonaro nas eleições do ano passado, a relação com Neymar e o fracasso do projeto do PSG na tentativa de conquistar o título da Champions, por exemplo.

Segundo a assessoria de Lucas, faz parte de um acordo com o Tottenham, que controla o que o jogador deve ou não tratar com a imprensa. Principalmente o tema Bolsonaro, em razão das reações negativas de torcedores do time quando ele anunciou publicamente o apoio ao candidato.

Relegado ao segundo plano no Paris Saint-Germain no fim de sua passagem pelo clube francês, o meia-atacante revela que a falta de chances, especialmente após a chegada do técnico espanhol Unai Emery, em 2016, foi o momento mais duro de sua carreira.

Família, amigos e a chegada do filho, Miguel, ajudaram o jogador a se reerguer e buscar novas oportunidades depois de entrar em campo somente seis vezes no seu último semestre em Paris.

"Os últimos meses foram os piores da minha carreira, não era relacionado para os jogos", conta Lucas. "Fiz de tudo, batalhei bastante, mas infelizmente senti que meu ciclo tinha chegado ao fim. Então chegou a grande oportunidade do Tottenham, disputar a Premier [League] que era um sonho para mim", afirma.

A chegada ao clube inglês no inverno europeu de 2018 foi difícil e custou ao brasileiro, que entrou na equipe londrina com a temporada já em andamento. Até por isso, foram apenas dois gols e cinco assistências em 17 partidas, quase sempre como reserva.

Entretanto, na atual temporada, Lucas tem se mostrado peça relevante no projeto do técnico argentino Mauricio Pochettino, atuando como titular na maioria das partidas.

Em 2018/2019, já são 15 gols, 10 deles no Campeonato Inglês e 5 na Champions. Atuar no que ele considera a melhor liga do mundo incorporou ao seu jogo mais competitividade e capacidade física.
Além desses aspectos, o trabalho de Pochettino tem sido determinante para seu crescimento na primeira temporada inteira que teve em Londres.

"Ele [Pochettino] sempre procura conversar bastante com todos, escuta bastante a gente. É importante essa troca, fortalece o grupo. E realmente é um treinador diferenciado, certamente está no primeiro escalão de treinadores mundiais. O que ele fez com o Tottenham nos últimos anos é realmente incrível", diz.

Nos dois confrontos que Liverpool e Tottenham fizeram no último Campeonato Inglês, os comandados do alemão Jürgen Klopp saíram vitoriosos (duas vitórias por 2 a 1).

Para Lucas, foram derrotas decididas em erros que não podem acontecer em Madri.

"Nossa equipe provou ao longo da temporada que pode jogar de igual para igual contra qualquer time. O Liverpool tem um grande elenco, chega na final mais uma vez, mas temos na mente que podemos vencê-los."

Mesmo com uma boa temporada na Inglaterra, Lucas ficou fora da lista de convocados do técnico Tite para a Copa América deste ano.

Fora também das duas últimas Copas do Mundo, o meia-atacante diz não ter decepção com a seleção e ainda persegue o sonho de voltar a vestir a camisa amarela. Quem sabe, disputando um Mundial.

"Seleção brasileira sempre está na minha cabeça, nos meus objetivos. Sempre respeitei as decisões dos treinadores e cabe a mim seguir trabalhando forte em meu clube, buscando boas atuações, títulos e acredito que tudo acontecerá de forma natural. [Jogar uma Copa] é um grande sonho e ainda tenho tempo", diz.

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